Você já se sentiu meio tonto ou enjoado ao mexer no celular? Esses são sintomas clássicos do quadro conhecido como “náusea digital”, que tem sido cada vez mais comum nas pessoas.
Mas estando o mundo cada vez mais digital, como driblar esse efeito do uso constante do smartphone? Confira mais sobre o quadro nesse artigo!
O educador Marshall McLuhan, filósofo e teórico da comunicação, foi responsável pela teoria “O meio é a mensagem”, que defendia a ideia de que os meios de comunicação um dia se tornariam a extensão do corpo humano.
O celular, por exemplo, é tão utilizado pelas pessoas que para muitos pode ser considerado uma parte das nossas mãos. Mas até onde essa relação é benéfica? Atualmente a população tem colhido cada vez mais os frutos dessa dependência, a náusea digital pode ser uma delas.
Conhecida também como cybersickness – “ciber doença” na tradução livre -, ou como enjoo cibernético, a náusea digital é um quadro que tem progredido em nossa sociedade.
Estudos indicam que há um tempo atrás, em meados de 2011, sintomas como tonturas e náuseas eram sentidos por pessoas que utilizavam tecnologia de imersão, como os óculos de realidade virtual. O índice de usuários que sentiam a náusea digital era de 30 a 80%. Contudo, mesmo com o aprimoramento desses acessórios, em 2016 o número ainda era expressivo, sendo de 25 a 60% das pessoas.
Neste sentido, acredita-se que a náusea digital pode ser causada tanto pelo contato com realidades virtuais, quanto simplesmente por navegar na internet ou assistir a um filme. Esse fenômeno pode, inclusive, indicar a maneira como as pessoas têm enfrentado as transformações tecnológicas e o contato constante com essa evolução.
Para especialistas, a náusea digital pode ser comparada ao enjoo que as pessoas sentem quando andam de carro, de barco ou ônibus, por exemplo. No entanto, a doença cibernética não ocorre no movimento real, que o barco ou o carro causam, por exemplo, mas sim a percepção de um movimento, mesmo quando existe o foco em um objeto fixo.
Para compreender a náusea digital, é preciso entender como funciona a percepção do corpo humano e seu equilíbrio. Podemos dizer que ela está dividida em três sistemas: visual, vestibular e proprioceptivo. Eles funcionam da seguinte forma:
Quando a náusea digital acontece, todo esse processo é falho. Isso acontece porque a interação entre os três sistemas citados se torna confusa, afinal, a pessoa está olhando para uma tela piscando, que é interpretada como movimento pelo nosso cérebro. No entanto, não há percepção de movimento, causando uma série de sintomas.
Apesar do nome sugestivo, os sinais da náusea digital são bastante variados. É importante ressaltar que cada pessoa irá apresentar os sinais em um nível diferente, tudo isso vai depender de como a percepção do movimento é para cada um. No entanto, os mais comuns são:
É um dos principais sintomas do quadro. Esse sinal pode surgir, principalmente quando a pessoa estiver com o estômago cheio. Quando isso acontece, ela tende a ficar mais sensível a cheiros e lugares abafados. Vômitos são comuns.
As dores de cabeça podem ser comuns em casos de náusea cibernética. Ela é causada por uma série de fatores, entre os principais o fato de a pessoa estar na mesma posição há muito tempo, causando tensão no pescoço e ombros. Esse sintoma pode vir acompanhado de sonolência, rubor e sudorese.
As dores de cabeça também podem ser causadas por um quadro de fadiga ocular, que é comum em quem fica muito tempo em frente a uma tela. Essa tensão nos olhos ocorre, principalmente, por olharmos fixamente para o local, sem muitas vezes piscar a quantidade de vezes necessárias. Com isso a visão tende a ficar embaçada e até ressecada.
Outro sintoma clássico em quem sofre com a náusea digital é a vertigem. A percepção do movimento pode fazer com que a pessoa sinta tontura ou como se o ambiente que está estivesse girando, fator que pode causar desorientação e até dificultar a concentração.
Uma vez que a náusea digital é causada, principalmente, pelo excesso de uso das telas. A principal maneira de lidar com esse quadro é diminuindo o uso. Contudo, com o avanço da tecnologia, ficar longe do celular pode ser difícil, principalmente para quem utiliza o aparelho para trabalhar.
Neste sentido, algumas mudanças de hábito podem ser importantes. Diminuir o tempo, claro, é interessante. Contudo a pessoa pode iniciar o processo simplesmente organizando o tempo que passa em tela. Para isso, algumas dicas são úteis:
Dessa forma será mais fácil ter um tempo produtivo na frente das telas e, consequentemente, diminuir o uso. Além dessas dicas, alguns hábitos podem ajudar:
É sempre importante termos em mente que as tecnologias vieram para somar a nossa realidade. Por isso é importante buscar maneiras de fazer com que o uso seja adequado para que, de fato, ela contribua para a nossa rotina e não o contrário.