Saúde

Gene super potente aumenta risco de Alzheimer

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Equipe MundoBoaForma

Em pesquisa recente, neurologistas descobriram que uma variante genética associada ao desenvolvimento do Alzheimer precoce também está ligada ao aumento do risco para outras doenças cerebrais.

Conhecida como APOE ε4 (Apolipoproteína E do tipo épsilon 4), essa versão do gene está associada a distúrbios como Parkinson, demência frontotemporal e esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Já havia sido divulgado que pessoas com cópia do gene têm um risco aumentado para Alzheimer em aproximadamente três vezes, enquanto aquelas com duas cópias – hereditárias do pai e da mãe – correm risco ainda maior, de 10 a 15 vezes.

A descoberta, publicada na revista científica Nature Medicine, foi feita a partir de uma análise pelo maior banco de dados de proteínas expressas por indivíduos para avaliar doenças neurodegenerativas.

Os cientistas analisaram dados de mais de 11 mil pessoas, com e sem sinais clínicos de degeneração cerebral, analisando mais de 250 milhões de proteínas em cada um.

O grupo, que era liderado por Caitlin Finney e Artur Shvetcov, do Instituto Westmead, na Austrália, identificou uma assinatura proteica comum em portadores da variante APOE ε4. Ela aparece mesmo na ausência de sintomas, o que pode ajudar na detecção precoce.

A equipe também localizou centenas de proteínas associadas ao gene APOE ε4 no líquido que envolve o cérebro e também no sangue. Essa combinação foi ligada a processos inflamatórios e a uma resposta imune elevada.

O padrão se repetiu em tecidos cerebrais analisados post-mortem, inclusive em cérebros com Alzheimer, Parkinson e ELA. A assinatura surgiu mesmo sem sinais de doença específica, reforçando o caráter sistêmico do risco genético.

O gene funciona como uma espécie de gatilho inflamatório para outras condições neurológicas ao modular a resposta imune de forma ampla. Essa resposta inflamatória exagerada pode preparar o terreno para diferentes formas de neurodegeneração.

A pesquisa incluiu 11.270 indivíduos, sendo 38% portadores da variante ε4 e 40% tinham alguma doença neurodegenerativa. A coincidência frequente entre os dois grupos revelou que a assinatura do gene pode ser usada como marcador precoce de risco.

Outros dados reforçaram a ligação entre o gene e alterações no cérebro. A equipe analisou o córtex pré-frontal de 262 doadores post-mortem com sintomas de declínio cognitivo. A assinatura ε4 apareceu independentemente da presença de proteínas típicas como tau, amiloide ou alfa-sinucleína.

As informações sugerem que o gene cria uma base comum para a degeneração cerebral, reforçada por estilo de vida ou idade. O achado pode abrir caminho para tratamentos e protocolos de prevenção mais precisos.

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