Renato Rodrigues Daniel, 42 anos, pensou estar com uma “gastrite terrível”, além de sentir uma “bolinha” na região da barriga. A endoscopia não apontou nenhuma anormalidade, mas, posteriormente, ele descobriu estar com câncer no pâncreas.
Na época, o médico acreditou se tratar de uma hérnia. Meses depois, Renato voltou a sentir uma dor muito forte, como se a hérnia tivesse “estourado”. Ele contou tudo o que estava sentindo no consultório, onde foi submetido a um ultrassom no abdômen. “Quando a média viu a imagem, ficou branca, extremamente branca, e saiu da sala sem dar nenhum palpite. Ela voltou para a sala onde eu estava com mais dois homens, que refizeram o exame”, relatou o paciente ao site VivaBem.
“Na hora, eles disseram: ‘Olha, você tem um problema muito grave’. E me perguntaram se eu tinha convênio. Eu respondi que sim, e um deles falou: ‘Olha, você está com câncer de pâncreas, procure seu médico. A gente não costuma falar nada, mas estimo que você tem uns três meses de vida’. O chão se abriu para mim”, lamentou Renato. Nem a esposa acreditou quando ele contou por telefone. “Desligou na minha cara”, recordou ele.
Renato, então, voltou ao escritório de sua empresa e olhou o laudo que havia recebido naquele dia. Ao buscar sobre doença, se deparou com casos fatais, como é o caso do magnata Steve Jobs e do jornalista Marcelo Rezende. “Cara, já era para mim. Todo mundo vai morrer, eu só estou mais perto”, pensou o paciente. A tomografia apontou um tumor de aproximadamente 10 centímetros.
Um novo médico, que tratou Renato, fez uma recomendação um tanto curiosa. “Ele falou: ‘Vou te operar em uma segunda-feira. Então, você faz uma festa no domingo, convida todo mundo e fala o que você quer para todo mundo. Não consigo garantir nada, só que você vai ficar hospitalizado e eu vou tirar esse tumor, mas o prognóstico continua de três meses de vida'”, recordou.
Renato, então, deu a festa. Quando contou sobre a doença, a família e os amigos também não acreditaram. “Eles diziam: ‘Pô, você gosta de pregar peças”, explicou. Ao perceberem que não era brincadeira, o clima de luto tomou conta do lugar. “Todo mundo chorou. Fizemos uma oração e eu disse que estava tudo bem, que já tinha aceitado a morte”, confessou.
No dia seguinte, ele foi internado para a cirurgia. A princípio, Renato seria submetido a uma laparoscopia, um procedimento minimamente invasivo, para a retirada da massa que estava em seu pâncreas.
Com isso, perderia 40% do órgão, que teria de ser parcialmente ressecado para a retirada das células cancerígenas que poderiam estar ali. As coisas, no entanto, não saíram como o previsto. “Fiz a cirurgia para retirar o câncer no pâncreas e acordei sem estômago”, surpreendeu-se.
No início, Renato se sentiu enganado pelo médico. Ademais, 80% de seu pâncreas foi ressecado, e não o percentual que havia sido dito antes. De uma cirurgia tranquila, que levaria aproximadamente 40 minutos, Renato ficou “aberto” durante oito horas e foi submetido a uma incisão muito maior do que o que estava programado.
No processo, ele teve duas paradas cardíacas. O que parecia ser algo relativamente simples tornou-se complexo, pois a massa estava atrás da parede do estômago e, por isso, o órgão também teve de ser retirado.
Além disso, uma veia importante foi cortada durante o procedimento, o que levou Renato a perder o baço – órgão que filtra o sangue, produz glóbulos brancos e armazena plaquetas.
Quando foi informado de todas as implicações da cirurgia, Renato não conseguia ter calma e só conseguia pensar: “Como vou viver sem meu estomago?”.
Mas o retorno da biópsia da massa retirada trouxe um alívio e uma notícia improvável para todos: o que pensavam ser um câncer era, na verdade, um cisto benigno que havia se formado sem causa aparente em seu pâncreas.
Renato ficou feliz com a notícia, mas a ausência do estômago ainda o preocupava. Ele teve uma trombose seguida de embolia pulmonar por não se ater ao tratamento. As complicações quase custaram sua vida.
Tudo mudou quando Renato conheceu Julio, um ex-paciente que sempre voltava ao hospital para conversar com pessoas que passaram pelo mesmo que ele. O também empresário tinha as mesmas marcas da incisão em seu abdômen e dizia sempre que “tudo está na sua mente, você precisa controlá-la e viver um dia de cada vez. Você vai voltar a comer tudo, até torresmo, mas precisa esperar”. Com o apoio do novo amigo, Renato passou a colaborar com o tratamento.
Após seis anos, Renato vive uma vida relativamente comum. Com a retirada de 80% de seu pâncreas, tornou-se diabético e precisa tomar medicações via oral, além de fazer a aplicação de insulina diariamente.
Já com relação ao estômago, como precisou retirar o órgão, sua alimentação também mudou. No começo, passou a se alimentar em menores quantidades. Sentia muita náusea, especialmente ao comer alimentos mais gordurosos.
Atualmente, Renato diz que já tem uma alimentação comum, embora muito mais equilibrada devido ao diabetes e às mudanças de hábitos que adotou depois de tudo o que passou.
Como uma forma de agradecer pela nova chance, Renato fundou o projeto social ‘De Grão em Grão’, para distribuição de alimentos e outros itens básicos. “Hoje eu sei que minha esposa está comigo porque me ama, por tudo o que ela passou comigo. Ganhei um irmão para a vida, o Julio. Agora posso ajudar pessoas com o meu trabalho, assim como um dia fui ajudado”, declarou, por fim.
Renato teve uma lesão cística. Segundo o cirurgião oncológico Gustavo Henklain Duarte, especialista pelo A.C. Camargo Cancer Center, é como se fosse uma “bola de água” que pode nascer em diversas regiões do corpo, inclusive dentro de órgãos como a vesícula.
O médico também julgou necessária a remoção do estômago. No procedimento, era necessário ressecar o estômago a fim de retirar todas as células possivelmente cancerígenas do corpo do paciente.
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