Um estudo publicado recentemente na revista Alzheimer’s & Dementia mostrou que existe um jogo específico que pode reduzir o risco de demência, incluindo Alzheimer, até 20 anos depois da intervenção.
A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e acompanhou 2.802 adultos com 65 anos ou mais, com média de idade de 74 anos, ao longo de duas décadas.
Os resultados indicam que participantes que fizeram um treinamento voltado para velocidade de processamento mental, com sessões de reforço, tiveram menos risco de desenvolver demência comparados ao grupo que não recebeu treinamento.
Os participantes foram divididos em quatro grupos: o de treinamento de velocidade de processamento (exercícios rápidos no computador), treinamento de memória, treinamento de raciocínio e o grupo controle (sem treino).
As sessões duravam de 60 a 75 minutos, duras vezes por semana, por cerca de cinco a seis semanas. Parte dos voluntários também recebeu sessões extras de reforço esses depois. Após 20 anos, o grupo que fez o treinamento de velocidade com reforço apresentou duração significativa no risco de demência.
Daqueles que fizeram o treinamento de velocidade com reforço, 40% desenvolveram demência ao longo do estudo. No grupo controle, o número foi de 49%. A diferença representa uma redução relativa de 25% no risco, segundo os pesquisadores. Já os treinamentos focados em memória e raciocínio não mostraram o mesmo efeito na prevenção da demência
O treinamento de velocidade foi adaptativo: ele ajustou o nível de dificuldade conforme o desempenho da pessoa. Ademais, o jogo trabalhou a agilidade mental e a capacidade de lidar com informações visuais rapidamente, estimulando várias áreas do cérebro ao mesmo tempo. Os cientistas defendem que esse tipo de estímulo pode fortalecer redes cerebrais envolvidas na atenção e no processamento de informações.
A demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida. Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.
A doença de Alzheimer, por sua vez, é a forma mais comum de demência e ainda não tem cura. Por isso, estratégias de prevenção são cada vez mais pesquisadas. Os autores destacam que o treinamento cerebral não substitui hábitos saudáveis, mas pode ser uma ferramenta complementar.
Existem formas fundamentais para proteger o cérebro, como atividade física, controle da pressão, alimentação equilibrada e convívio social. Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que nem todo programa comercial de “treino cerebral” tem comprovação científica. Mais estudos ainda são necessários para entender melhor os mecanismos por trás da proteção observada.
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