Usar celular no banheiro aumenta em 46% o risco de hemorroidas, diz estudo

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Equipe MundoBoaForma

Algumas pessoas gostam de levar o celular para o banheiro para ‘passar o tempo’ e aproveitar para ler aquelas mensagens antigas ou navegar nas redes sociais. No entanto, o que parece inofensivo pode causar problemas de saúde.

De acordo com um estudo publicado pela revista científica PLOS One, quem usa celular enquanto está sentado no vaso sanitário pode ter um aumento de 46% no risco de hemorroidas.

Para a pesquisa, 125 adultos foram questionados sobre seus hábitos no banheiro durante uma colonoscopia preventiva. Metade dos usuários de smartphone relatou ficar sentado no vaso sanitário por mais tempo do que o necessário por causa dos aparelhos.

Mas por que isso é um problema? Quando você senta em uma cadeira ou um sofá, por exemplo, recebe um suporte no assoalho pélvico. Isso, entretanto, não acontece no vaso sanitário. O assento aberto não oferece esse apoio direto.

“Isso aumenta a pressão sobre os músculos do assoalho pélvico, o tecido conjuntivo em torno das hemorroidas e sobre as próprias hemorroidas”, explicou Trisha Pasricha, gastroenterologista da Escola de Medicina de Harvard e pesquisadora chefe do estudo.

As hemorroidas são pequenas protuberâncias altamente vascularizadas na junção do reto com o ânus e todos as têm. No entanto, quando elas aumentam de tamanho devido à pressão do esforço para fazer cocô, isso pode ser tornar um problema, além de ser doloroso. Os sintomas variam de coceira e ardência a sangramento.

Elas são muito comuns: estima-se que as hemorroidas afetem metade de todos os adultos em algum momento da vida. São particularmente frequentes na terceira idade, em casos de constipação crônica ou durante a gravidez.

“As hemorroidas, assim como a síndrome do intestino irritável, continuam sendo um tabu. Todos se identificam com elas, mas quase ninguém fala sobre o assunto”, afirmou o professor de genética médica da Universidade LUM, na Itália, Mauro D’Amato.

Isso também influenciou na pesquisa. Em um estudo genômico de grande escala realizado no Instituto Karolinska, na Suécia, D’Amato identificou 102 regiões no genoma que parecem estar associadas a um risco maior de hemorroidas. Mas na época da publicação do estudo, em 2021, não existiam muitas pesquisas sobre o problema.

O interesse público vem aumentando recentemente, também devido a vozes influentes nas redes sociais. “Quando pessoas famosas falam sobre o problema, muitas dizem: ‘ah, eu também tenho isso’. Isso aumenta a conscientização, mais pessoas vão ao médico e algumas delas são recrutadas para estudos. Isso contribui significativamente para o avanço da ciência”, diz D’Amato.

O problema também pode afetar pessoas mais jovens e especialistas como Pasricha desconfiam que os smartphones desempenhem um papel importante. Somente na Alemanha , mais da metade dos adultos leva o celular para o banheiro, segundo uma pesquisa do instituto britânico de pesquisa de opinião YouGov. Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse total passa de 80%.

“A idade média em que as hemorroidas aparecem pela primeira vez está diminuindo”, observou D’Amato.

Pasrucha, por sua vez, alertou que homens podem ser particularmente afetados. Seus pacientes do sexo masculino relatam que frequentemente passam muito mais tempo no banheiro do que o necessário, junto com seus smartphones.

Mas vale lembrar que o problema não é recente. Antes mesmo da existência dos smartphones, os médicos já alertavam sobre ficar horas sentado no vaso sanitário lendo jornal. Nessa época, a distração em si não era o problema, já que uma breve pausa pode até facilitar para ir ao banheiro.

“O problema surge quando a distração ofusca o verdadeiro motivo de ir ao banheiro, e você até se esquece por que foi”, pontuou Pasricha.

Os smartphones aumentam o risco em comparação com os jornais. Redes sociais, como Instagram e TikTok, são projetadas para manter nossa atenção pelo maior tempo possível, mesmo quando estamos no banheiro. Assim, os usuários de smartphones no estudo passavam mais de cinco minutos no banheiro várias vezes por semana. Metade deles admitiu perder a noção do tempo com frequência.

O gastroenterologista Ulrich Tappe, que não participou do estudo, disse ter dúvidas que os smartphones desempenhem um papel decisivo no desenvolvimento de hemorroidas dolorosas. “As hemorroidas estão relacionadas aos movimentos intestinais e à alimentação”, explicou. De acordo com o especialista, fazer esforço para ir ao banheiro sobrecarrega o assoalho pélvico e, com o tempo, pode favorecer o desenvolvimento de hemorroidas dolorosas.

Como reduzir o risco de hemorroidas

As hemorroidas geralmente são tratáveis e, muitas vezes, também podem ser prevenidas. Os especialistas envolvidos com a pesquisa mostraram cinco dias simples:

Seja breve

Fique, no máximo, cinco minutos no vaso sanitário. “Esse deve ser o limite absoluto”, diz Pasricha. Se não conseguir fazer cocô, se levante, se movimente e tente novamente mais tarde.

Deixe o celular de lado

Se você só conseguir relaxar e se distrair com seu celular, use a “regra dos dois TikToks”. Após assistir a dois vídeos, faça uma pausa e se pergunte: “por que ainda estou sentado aqui?”.

Adote a postura correta

Sim, isso é importante. Se os joelhos estiverem mais altos que seus quadris (por exemplo, usando um banquinho sob os pés), o reto fica elevado e as fezes podem passar com mais facilidade.

Consuma mais fibras

A alimentação também é fundamental. Fazer muito esforço na hora de defecar é uma das principais causas para o desenvolvimento de hemorroidas dolorosas. Para que isso não aconteça, a ingestão de fibras é essencial, já que elas podem “amolecer as fezes endurecidas, evitando o esforço”, afirmou o gastroenterologista Ulrich Tappe. As fibras podem ser encontradas em produtos integrais, leguminosas, vegetais frescos e frutas. Elas são essenciais para uma boa digestão.

Não tenha medo de consultar um médico

A vergonha injustificada dificulta a busca por ajuda a tempo. “Não há nada de vergonhoso em nossos corpos. Podemos resolver muitos problemas de saúde se levarmos nosso intestino a sério, mas somente se começarmos a falar sobre ele”, enfatiza a gastroenterologista Pasricha.

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