Dentre todos os modelos alimentares que trazem benefícios à saúde, a dieta MIND, que mistura elementos da dieta mediterrânea com a DASH, pode auxiliar o cérebro a envelhecer mais devagar. É o que sugere um estudo publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.
Os cientistas analisaram dados de 1.647 pessoas com cerca de 60 anos no início do estudo. No decorrer dos anos, os voluntários passaram por uma rotina bastante complexa, com exames de saúde periódicos, questionários sobre alimentação e, especialmente, ressonâncias magnéticas do cérebro feitas em diferentes momentos entre 1999 e 2019. Os pesquisadores queriam observar, na prática, como o cérebro mudava com o passar do tempo e se a dieta tinha algum papel nisso.
A base da dieta MIND é “comida de verdade”, ou seja, alimentos in natura. Ademais, há uma restrição para produtos ultraprocessados e para aqueles da chamada ‘caloria vazia’, que, geralmente, não apresentam nutrientes e há excesso de açúcar.
Os principais alimentos recomendados na dieta MIND são os vegetais folhosos verdes, as frutas vermelhas, as nozes, os grãos integrais, peixes, leguminosas, azeite de oliva e aves. Além disso, recomenda-se o consumo moderado de vinho e restrição de itens como manteiga, queijo, carne vermelha e fast food.
Os resultados mostraram que, a cada aumento de três pontos na escala de adesão à dieta MIND, houve uma desaceleração da perda de substância cinzenta equivalente a cerca de 20% do declínio esperado com a idade ou aproximadamente 2,5 anos a menos de envelhecimento cerebral. A expansão ventricular, por sua vez, foi 8% menor, o que corresponderia a um atraso de cerca de um ano nesse processo.
Alguns itens se destacaram no estudo. As frutas vermelhas e as aves, por exemplo, apareceram associadas a uma evolução mais lenta dos sinais de atrofia cerebral. O consumo frequente de doces e alimentos fritos foi ligado a piores resultados, incluindo redução de volume em áreas importantes para a memória, como o hipocampo.
A possível explicação passa por mecanismos conhecidos: alimentos ricos em antioxidantes, como os in natura, ajudam a combater o estresse oxidativo, um dos fatores envolvidos no envelhecimento celular. Por outro lado, ultraprocessados e gorduras ‘ruins’ tendem a estimular inflamação e prejudicar a saúde dos vasos sanguíneos, o que também afeta o cérebro.
No entanto, nem tudo seguiu o roteiro esperado. O consumo de grãos integrais apareceu associado a algumas alterações menos favoráveis, enquanto o queijo teve relação com menor perda de tecido cerebral em certos casos. Os próprios autores destacam que os achados devem ser interpretados com cautela e investigados em novos estudos.
Além disso, o efeito da dieta não foi igual para todo mundo. Ele pareceu mais forte em pessoas mais velhas, justamente quando o risco de declínio cognitivo aumenta, e também entre aqueles que mantinham outros hábitos saudáveis, como a prática de atividade física. Isso reforça a ideia de que o cérebro responde ao conjunto do estilo de vida, não a um único fator.
Uma das principais limitações do estudo é o fato de se tratar de um estudo observacional. Portanto, os autores não pediram que um grupo seguisse a dieta MIND e outro não, para depois comparar os resultados. Por isso, não dá para cravar que foi a dieta, sozinha, a responsável pelas diferenças no cérebro.
Os dados sobre alimentação também vieram de questionários, ou seja, dependem da memória e percepção dos próprios participantes, o que pode trazer algumas imprecisões. Além disso, grande parte das pessoas analisadas era branca, o que limita a aplicação dos achados para populações mais diversas. Também não dá para descartar completamente a influência de fatores como genética ou mudanças na dieta ao longo dos anos.
Ainda assim, a pesquisa mostra como a alimentação é importante para manter a saúde do cérebro. Os pesquisadores concluem que os resultados “reforçam o potencial da dieta MIND como um padrão alimentar saudável para o cérebro e apoiam seu papel em estratégias destinadas a retardar a neurodegeneração, especialmente em pessoas mais velhas”.
Deixe um comentário