Saúde

Nova pesquisa associa canetas emagrecedoras a redução de comportamentos violentos; entenda

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Equipe MundoBoaForma

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  • Uma pesquisa publicada na revista científica Criminology, conduzida por cientistas da Universidade Rutgers (EUA), associou o uso das canetas emagrecedoras (análogos de GLP-1) a uma redução de comportamentos violentos.
  • O estudo usou dados de 2025 com 7.521 adultos americanos, comparando 597 usuários atuais das canetas com 224 ex-usuários, avaliando impulsividade, consumo de álcool e comportamento violento.
  • A ligação entre consumo de álcool e comportamento violento foi cerca de 52% mais fraca entre os usuários atuais do medicamento, em comparação aos ex-usuários.
  • Os próprios pesquisadores alertam que o estudo é observacional e não comprova relação de causa e efeito, por isso defendem novas pesquisas de acompanhamento ao longo do tempo.
  • Segundo os autores, os medicamentos podem agir de forma parecida à terapia cognitivo-comportamental, enfraquecendo a ligação entre impulso e ação sem eliminar a impulsividade em si.

Uma nova pesquisa publicada na revista científica Criminology encontrou uma associação entre o uso de análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada para obesidade e diabetes conhecida como “canetas emagrecedoras”, e uma redução de comportamentos violentos.

Os cientistas da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, analisaram dados de uma pesquisa realizada em 2025 com 7.521 adultos americanos, em que 821 já haviam utilizado um análogo de GLP-1 em algum momento da vida.

O experimento comparou as respostas de 597 pessoas que faziam tratamento atual com as canetas com as de 224 ex-usuários. As informações eram sobre impulsividade, consumo de álcool e comportamento violento, medido por meio de uma escala validada de autorrelato de delitos, que avalia práticas como brigas, agressões e roubos.

Após analisarem os resultados, os pesquisadores confirmaram que níveis mais elevados de impulsividade e maior consumo de álcool estavam fortemente associados ao comportamento violento de forma geral, algo que já era conhecido. No entanto, foi identificado também que essas relações eram significativamente mais fracas entre os usuários atuais de análogos GLP-1.

A ligação entre impulsividade e comportamento violento foi cerca de % mais fraca entre os pacientes em tratamento com as canetas em comparação com os ex-usuários. Enquanto isso, a ligação entre consumo de álcool e comportamento violento foi cerca de 52% mais fraca.

“À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam cada vez mais disseminados, é importante compreender todos os seus potenciais efeitos comportamentais, incluindo aqueles relevantes para a segurança pública”, declarou Daniel Semenza, principal autor do estudo e diretor de pesquisa do Centro de Pesquisa para Violência Armada de New Jersey, da Escola de Saúde Pública da Universidade Rutgers, em nota.

Os profissionais destacaram que o estudo é observacional e transversal. Trabalhos assim analisam duas variáveis, neste caso o uso dos análogos de GLP-1 e o comportamento violento, e buscam uma relação entre elas. Ainda que possam encontrar associações importantes, os cientistas não conseguem confirmar se trata de uma relação de causa e efeito, pois podem mascarar outros fatores envolvidos.

Por isso, os cientistas enfatizam a necessidade da realização de mais pesquisas que acompanhem os pacientes ao longo do tempo para determinar se os análogos de GLP-1 de fato reduzem o risco de violência e para compreender melhor os mecanismos envolvidos.

“Os achados são consistentes com a ideia de que esses medicamentos funcionam de maneira semelhante á terapia cognitivo-comportamental, enfraquecendo o caminho entre o impulso e a ação, em vez de eliminar a impulsividade em si”, declarou Christopher Thomas, professor da Universidade Rutgers e coautor do estudo.

As canetas simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina, motivo pelo qual as drogas são usadas também para diabetes tipo 2. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.

Entretanto, estudos têm descoberto novos efeitos ligados ao uso dos fármacos relacionados ao comportamento do paciente, como uma redução no uso de drogas e no consumo de álcool.

Os cientistas da Universidade Rutgers dizem que isso ocorre, possivelmente, devido a uma interação com sistemas de recompensa e estresse do cérebro. O novo estudo, portanto, soma-se ao conjunto de evidências crescentes sobre esses efeitos comportamentais.

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