Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os impactos da depressão podem se estender a todas as áreas da vida. O transtorno mental afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 75% vindos de países de baixa e média renda que não recebem nenhum tratamento. Portanto, facilitar o acesso e alcançar maior sucesso no combate ao distúrbio continua sendo um desafio para a medicina.
Na Universidade Médica da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, cientistas testam um aplicativo que vem mostrando resultados promissores. O estudo indica que o app ‘Moodigate’, uma versão digital da ativação comportamental, pode ser mais eficaz do que a terapia padrão no tratamento da depressão.
Segundo os voluntários, pacientes com depressão que acessaram o aplicativo apresentaram reduções clinicamente significativas em seus sintomas, que foram o dobro das alcançadas com a terapia padrão.
O estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) Internal Medicine, foi conduzido em 22 consultórios de atenção primária em Charleston, Carolina do Sul.
Os resultados mostram que os usuários do aplicativo tinham três vezes mais probabilidade de alcançar uma melhora clinicamente significativa na depressão e 2,3 vezes mais probabilidade de alcançar a remissão.
O aplicativo de ativação comportamental (tipo de terapia comportamental comprovadamente eficaz contra a depressão) está disponível para iOS e Android e foi criado por Jennifer Dahne, professora do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade Médica da Carolina do Sul. Ela teve a ideia quando trabalhava em outra instituição e continuou a desenvolvê-la.
O Moodivate é autoguiado, ou seja, não requer o envolvimento de um terapeuta, tornando-o mais escalável e econômico para alcançar pacientes de atenção primária, de acordo com seus desenvolvedores.
Dahne destaca os bons resultados obtidos com o aplicativo. “Os profissionais de atenção primária estão na linha de frente da identificação e do tratamento da depressão neste país. É maravilhoso que eles estejam rastreando a depressão nos pacientes, mas a desvantagem é que eles têm muito poucos recursos de tratamento à sua disposição, além de medicamentos, para ajudar a controlar a depressão”, declara.
“Frequentemente, os pacientes acreditam que não podem fazer nada de novo ou diferente até se sentirem melhor. Um objetivo inicial do tratamento é mudar essa percepção e ajudar os pacientes a entender que seu humor é influenciado pelo que fazem no dia a dia”, completou a profissional.
Na terapia de ativação comportamental, os terapeutas trabalham com os pacientes para identificar seus objetivos e as atividades diárias que devem realizar para alcançá-los, ajudando os pacientes, inclusive, a agendar e acompanhar essas atividades, buscando democratizar o uso de ferramentas de auxílio.
Além dessas funções, o aplicativo pode enviar lembretes para a conclusão de atividades diárias e conceder distintivos digitais á medida que os pacientes atingem metas, visando aumentar a motivação. Ademais, o usuário do app pode relatar regularmente mudanças em seus sintomas depressivos.
O estudo clínico envolveu 649 pacientes de atenção primária e foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental. Dahne destaca que mais de 80% dos pacientes que participaram do estudo estavam tomando medicamentos para saúde mental, e a maioria os tomava há mais de quatro anos. “O aplicativo é como ter um terapeuta no seu bolso”, defendeu a profissional, afirmando que o aplicativo “ajuda os pacientes a desenvolver novas habilidades”.
Com base nas descobertas, ela espera que o aplicativo seja amplamente adotado, ajudando pessoas com depressão não apenas a reduzir os sintomas depressivos no presente, mas também a desenvolver resiliência para o futuro.
“Quando se sentem deprimidos, podem mudar os seus hábitos diários, sabendo por experiência que essas mudanças podem ajudar a melhorar o seu humor. Espera-se que o acesso à aplicação contribua para a recuperação a longo prazo.
Dahne está confiante em estabelecer parcerias mais amplas com instituições de saúde, seguradoras e programas de bem-estar corporativo para ampliar o alcance do aplicativo e ajudar mais pessoas. “Tenho muito interesse em pegar o Moodicate e expandi-lo para abordar as lacunas no tratamento da depressão em outras populações de pacientes na Universidade Médica da Carolina do Sul e em outros lugares”, concluiu.
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