Dormir pouco faz mal ao coração, como já foi comprovado há anos pela ciência. Agora, cientistas descobriram que o sono prolongado também pode ser um sinal de risco.
Estudos populacionais e pesquisas com exames de imagem mostram que a relação entre o sono e a saúde cardiovascular segue uma curva em U. Isso significa que o risco de infarto, AVC e outras doenças cresce tanto entre quem dorme pouco quanto entre quem dorme em excesso.
No ponto mais baixo dessa curva, onde o risco é menor, aparecem de forma consistente as pessoas que dormem entre sete e oito horas por noite. É nesse intervalo que o organismo consegue manter melhor controle da pressão arterial, do metabolismo da glicose, da inflamação e do funcionamento das artérias.
Muito além da alimentação e da realização de atividades físicas, a qualidade do sono também exerce um papel fundamental na saúde do coração. Um estudo de 2005 revelou que pessoas com apneia do sono não tratada apresentavam maior risco de infarto e AVC, evidência que levou a American Heart Association a incluir o sono entre os oito pilares da saúde cardiovascular em 2022.
Dormir menos de seis horas por noite aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, eleva a pressão arterial, os hormônios do estresse e prejudica o controle da glicose, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose e aumentando o risco de doenças cardíacas, mesmo em pessoas jovens.
Por outro lado, dormir mais de nove horas também está associado a maior risco cardiovascular. Segundo especialistas, o sono prolongado costuma ser um sinal de problemas como depressão, sedentarismo, inflamação crônica ou apneia do sono, e não a causa direta das doenças. Além disso, está relacionado a níveis mais altos de inflamação, maior incidência de doenças crônicas e alterações que podem favorecer arritmias.
A qualidade do sono também é essencial. Acordar várias vezes durante a noite provoca repetidas ativações do sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão e fibrilação atrial. Já horários irregulares para dormir e acordar desregulam o relógio biológico, favorecendo inflamação e pior controle da pressão arterial.
Especialistas alertam que sintomas como ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, sonolência excessiva, cansaço ao acordar e insônia frequente devem ser investigados, pois podem indicar distúrbios do sono capazes de comprometer a saúde do coração.