Um estudo publicado na revista Nature of Obesity aponta que o tamanho do pescoço pode revelar um detalhe surpreendente sobre a saúde. Os pesquisadores apontam que, quanto maior o diâmetro da região, maiores são as chances de resistência à insulina, aumento de gordura corporal e alterações hormonais associadas à síndrome dos ovários policísticos (SOP).
O experimento reuniu e comparou os resultados de 15 estudos anteriores envolvendo mais de mil voluntários. A investigação mostrou que mulheres com SOP apresentavam, em média, o pescoço mais largo do que aquelas sem o distúrbio.
Embora aparentemente pequena, a diferença reflete um padrão consistente de acúmulo de gordura na parte superior do corpo, um tipo de tecido adiposo ligado a um maior risco de desenvolver doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e dislipidemias.
Os pesquisadores pontuam que medir a circunferência do pescoço é um método simples, barato e não invasivo, capaz de complementar outras medidas corporais já conhecidas, como o índice de massa corporal (IMC) e a circunferência da cintura.
“O pescoço reflete a distribuição de gordura central, que pode estar mais relacionada a alterações hormonais e resistência à insulina do que à gordura periférica”, explicam os autores no artigo.
A avaliação mostra que o aumento da gordura cervical influencia diretamente a secreção de hormônios e proteínas envolvidas no metabolismo da glicose e dos lipídios. Tais substâncias afetam a sensibilidade à insulina e a forma como o corpo armazena energia, o que ajuda a explicar a relação entre pescoço largo e síndrome metabólica.
Essas descobertas indicam que a circunferência cervical pode ser mais do que um dado estético. Trata-se também de um potencial indicador de saúde metabólica e cardiovascular.
Ainda não existe um valor de referência universal para diferentes populações, no entanto, estudos sugerem que medições acima de 37 centímetros em homens e 34 centímetros em mulheres merecem atenção médica.
Agora, especialistas reforçam que a circunferência do pescoço deve ser usada como ferramenta complementar, e não isolada, na avaliação de risco. Ela ajuda a compreender o comportamento da gordura corporal e pode orientar intervenções precoces.