Pesquisas lideradas por especialistas da Clinica Mayo, nos Estados Unidos, sugerem que a vitamina D atua como um componente-chave no ajuste do equilíbrio entre as defesas do organismo e a microbiota intestinal.
A descoberta foi publicada na revista científica Cell Reports Medicine e indica que a suplementação direcionada permite que o sistema imunológico se torne mais tolerante á microbiota intestinal, reduzindo potencialmente os processos inflamatórios, especialmente os que caracterizam as doenças de Crohn ou colite ulcerativa, problemas de saúde crônicos que afetam a qualidade de vida de milhares de pessoas.
A avaliação clínica focou na observação de parâmetros biológicos específicos após um período de tratamento de 12 semanas.
Os cientistas descobriram os pontos-chave sobre como a vitamina D influencia nesses parâmetros: ela é capaz de restaurar parcialmente o equilíbrio entre a microbiota e o sistema imunológico. No entanto, vale ressaltar que é imprescindível a supervisão médica e o ajuste das doses antes de iniciar qualquer suplementação.
O gastroenterologista John Mark Gubatan, que liderou a pesquisa, diz que a suplementação direcionada permite “uma restauração parcial do equilíbrio entre o sistema imunológico e a microbiota intestinal”.
O profissional explicou que, após o ciclo de tratamento, percebeu-se uma resposta defensiva melhorada na mucosa intestinal.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores selecionaram 48 adultos com deficiência de vitamina D que sofriam de doença de Crohn ou colite ulcerativa.
Ao administrar doses semanais do suplemento, os pesquisadores observaram mudanças significativas em exames laboratoriais: um aumento na imunoglobulina A (IgA), que fortalece a proteção da mucosa, e uma diminuição na imunoglobulina G (IgG), que geralmente está associada à inflamação.
Ademais, o grupo observou uma redução na calprotectina fecal, um marcador que os médicos usam para medir objetivamente o grau de inflamação intestinal. Portanto, acredita-se que a vitamina D pode ser uma aliada para pacientes que não obtém resultados satisfatórios com as terapias convencionais.
Apesar dos resultados positivos, a equipe de cientistas enfatiza que os dados não devem ser interpretados como uma recomendação geral para automedicação. O estudo apresenta limitações significativas, como o tamanho reduzdo da amostra e a ausência de um grupo de controle randomizado.
“Observamos sinais encorajadores, mas este não foi um ensaio randomizado”, pontuou Gubatan. A distinção é vital, por impedir que os resultados sejam considerados definitivos para a população em geral sem estudos adicionais e de maior porte.
Recomenda-se que qualquer tentativa de usar a vitamina D como ferramenta para manipular a imunidade intestinal deve ser validada pelo especialista responsável pelo tratamento, para que a dosagem seja adequada ao histórico médico.