Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com outras instituições internacionais, reforçaram a hipótese de que dietas vegetarianas podem estar associadas a menor incidência de determinados tumores.
O estudo analisou dados de mais de 1,8 milhão de pessoas acompanhadas por cerca de 16 anos. Nos vegetarianos, foi observada uma redução significativa do risco para cinco tipos de câncer.
Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram grandes estudos realizados especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. Em pesquisas que acompanham voluntários por vários anos, os participantes geralmente informam seus hábitos alimentares no início da investigação e foram acompanhados ao longo dos anos para verificar a ocorrência de câncer.
A amostra consolidada incluiu 63.147 vegetarianos, 1,64 milhão de consumidores regulares de carne, 8.849 veganos, 57.016 pessoas que consumiam apenas aves (sem carne vermelha) e 42.910 pescatarianos (ingestão de peixes e mariscos).
Os voluntários foram acompanhados por, em média, 16 anos. Durante esse período, os cientistas registraram diagnósticos de 17 tipos de câncer, incluindo tumores nos sistemas gastrointestinal, urinário, reprodutivo, pulmonar e hematológico.
Para estimar o risco relativo em comparação de consumidores regulares de carne com vegetarianos, os pesquisadores utilizaram modelos estatísticos multivariados, ajustando para possíveis fatores de confusão, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo e outras variáveis demográficas e comportamentais.
Os vegetarianos apresentaram 21% menor risco de câncer de pâncreas, 12% menor risco de câncer de próstata, 9% menor risco de câncer de mama, 28% menor risco de câncer de rim e
31% menor risco de mieloma múltiplo.
Apesar das vantagens aparentes da dieta, o estudo também identificou possíveis riscos aumentados. Vegetarianos apresentaram quase o dobro do risco do tipo mais comum de câncer de esôfago em comparação com consumidores de carne.
Além disso, como destaca o jornal The Guardian, veganos tiveram risco 40% maior de câncer colorretal. Uma das hipóteses discutidas pelos pesquisadores é a ingestão média insuficiente de cálcio e possíveis deficiências de vitaminas do complexo B.
Os autores destacam que mais pesquisas são necessárias e reforçam que o mais importante é manter uma alimentação equilibrada, com redução de carnes vermelhas e processadas e maior consumo de alimentos in natura.