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- A modelo Andressa Urach, de 27 anos, foi internada no fim de novembro por uma complicação nas coxas causada pelo uso de hidrogel, substância aplicada cinco anos antes em quantidade muito acima da recomendada.
- O hidrogel é um gel à base de poliacrilamida autorizado pela Anvisa apenas em pequenas quantidades para preenchimento de cicatrizes e rosto, mas é usado indevidamente em maior escala em coxas e glúteos.
- Entre os riscos do uso exagerado estão necrose, embolia pulmonar, infecção, complicações alérgicas e formação de biofilme, podendo levar até à morte.
- Segundo um cirurgião plástico ouvido na reportagem, o hidrogel se ramifica no tecido e não pode ser retirado por completo com segurança, o que pode causar infecção durante a remoção.
- O caso de Andressa não foi isolado: em outubro do mesmo ano, a goiana Maria José Medrado de Souza Brandão, de 39 anos, morreu após aplicar hidrogel no bumbum com uma falsa biomédica.
Enquanto algumas pessoas preferem confiar exclusivamente na malhação e na alimentação saudável e equilibrada para buscar ter o corpo perfeito, outras preferem procedimentos mais rápidos e acabam injetando substâncias no corpo, como é o caso do hidrogel. Na primeira semana de dezembro, o produto foi notícia na imprensa por conta da internação da modelo gaúcha Andressa Urach, de 27 anos.
Andressa foi hospitalizada na madrugada do dia 29 do mês passado, sábado, devido a um problema na perna causado por uma complicação nas coxas resultante do uso de hidrogel.
A modelo havia passado por um procedimento cirúrgico no dia 21 de novembro para tirar o produto da perna e até então tinha passado bem após a cirurgia.

Ela havia aplicado há cinco anos atrás mais de 200 vezes a quantidade adequada do produto – aproximadamente 500 ml em cada perna – e em julho deste ano já havia se submetido a procedimentos para a retirada de parte da substância de seu corpo.
A modelo também tinha injetado no corpo o metacril, um produto similar ao acrílico que serve para o preenchimento de algumas áreas do corpo.
Andressa está acordada e já respira sem a ajuda de aparelhos desde o início do mês, mas ainda inspira cuidados por parte dos médicos e segue sem previsão de alta. Notícias recentes afirmar que a modelo já começa a andar sem sentir muitas dores na pernas.
O hidrogel da marca utilizada por ela – a Aqualift – está sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde março deste ano.
O que é o hidrogel?
O hidrogel é um produto na forma de gel, que contém a presença de água e tem como o seu principal composto a poliacrilamida hidrogel. Apesar de não ser recomendado por cirurgiões plásticos, o produto é autorizado pela Anvisa para o uso em pequenas quantidades para pequenos preenchimentos de cicatrizes e na face. Mesmo assim, ele acaba sendo utilizado em maiores escalas para o preenchimento de coxas e glúteos.
Após ser aplicado no corpo, o hidrogel agrega-se ao músculo e faz com que ele inche, dando o rápido efeito de crescimento. Esse é um preenchimento de longa permanência, que nunca será totalmente absorvido pelo organismo.
Os perigos da substância
Entre os perigos do uso exagerado do hidrogel, como foi o caso de Andressa, há o risco de necrose (morte de uma célula, tecido ou órgão no organismo), embolia pulmonar (causada quando a aplicação é feita com agulha, já que há o risco de perfurar um vaso e injetar a substância na corrente sanguínea), infecção, complicações alérgicas e ocorrência de biofilme (que é quando a substância carrega bactérias consigo e transmite ao local onde foi injetado) e até a morte.
Além disso, de acordo com o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) Marco Cassol, em entrevista ao Portal R7, como o hidrogel se ramifica no tecido, não é possível fazer a retirada de todo o produto do organismo de maneira completamente segura. Quando uma dessas ramificações machuca o músculo, o procedimento de retirada pode acabar causando uma infecção. Ainda segundo o médico, caso isso aconteça, é necessário tirar parte do músculo.
Complicações
Algo que pode ter causado agravamento ao estado da modelo é que ela também fez a aplicação de outro produto usado em preenchimentos, o metacril, que causa complicações como alergia e infecções e não é recomendado para uso nos dias de hoje por ser um produto definitivo, de acordo com a dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Denise Steiner, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Assim como o hidrogel, o metacril também não é absorvido pelo organismo, o que aumenta o risco de rejeição e faz com que o processo de retirada seja complicado, tendo em vista que ambos acabam sendo diluídos nos tecidos do corpo.
Paciente de Goiânia faleceu após aplicar hidrogel
O caso de Andressa não foi a primeira vez em que as complicações causadas pela aplicação do hidrogel foram notícia na imprensa brasileira. Em outubro deste ano, a ajudante de leilão de Goiânia, Maria José Medrado de Souza Brandão, de 39 anos, morreu após injetar o hidrogel com o intuito de aumentar o bumbum.

Após realizar a aplicação pela segunda vez, no dia 24 de outubro, Maria José passou mal, foi internada em um hospital da capital goiana e faleceu com suspeita de embolia pulmonar.
A aplicação do hidrogel em Maria José foi feita por uma falsa biomédica identificada como Raquel, com a ajuda de seu namorado. Para a Polícia Civil, ela demorou para indicar que a paciente procurasse o médico quando a mesma reclamou das dores. Raquel e o namorado poderão responder processos na justiça por exercício ilegal da profissão e homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).