Saúde

Estudo brasileiro detalha como o organismo se adapta a dietas com muita proteína e nenhum carboidrato

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Equipe MundoBoaForma

Após serem ingeridos, os carboidratos são convertidos em glicose, um tipo de açúcar simples, que abastece todos os órgãos e permite que o organismo permaneça vivo. Portanto, consumi-los é essencial para manter o corpo funcionando. Há anos, cientistas se questionam como uma alimentação baseada em muita proteína e pouco carboidrato atua no organismo, e um novo estudo brasileiro tem exatamente essa resposta.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), descobriram que ocorre uma adaptação metabólica no fígado, em casos de dietas com grandes quantidades de proteína, no processo de produção da glicose, chamado gliconeogênese.

Inicialmente, o mecanismo foi descoberto com a observação em aves. No estudo publicado na revista científica American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism, contudo, forram realizados experimentos com ratos. A equipe alimentou um grupo de camundongos adultos com uma alimentação dividida em 86% de proteínas, 8% de gordura, 6% de mistura de sais e vitaminas e zero carboidrato, enquanto um grupo controle recebeu uma dieta balanceada de proteínas e carboidratos durante 30 dias.

Dessa forma, foi possível tirar conclusões a partir das comparações feitas entre os dois grupos. Uma mudança inesperada ocorreu na forma como o fígado sustenta a produção de glicose.

No início da dieta, a produção de glicose era estimulada pelo glucagon, hormônio liberado quando o nível de açúcar no sangue cai. O glucagon, por sua vez, ativa uma proteína chamada VREB, que induz a expressão de enzimas responsáveis pela gliconeogênese.

Entretanto, com o passar do tempo, meso com o glucagon elevado, essa via deixava de responder. “O fígado se torna resistente à ativação do glucagon. A via de sinalização é bloqueada”, explicou o bioquímico João Batista Camargo Neto.

Esse fenômeno indica que o organismo não mantém o mesmo mecanismo de controle na ativação da neuglicogênese hepática (produção de glicose pelo fígado) pela ativação do glucagon, mas sim pela queda da insulina.

“A via metabólica da gliconeogênese está desregulada em doenças como o diabetes tipo 2 e em alguns tipos de câncer. Entender quem controla esse processo poderá, no futuro, ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos e de estratégias terapêuticas”, pontuou o profissional.

Por outro lado, os estudiosos ressaltam que esse tipo de alimentação não foi testado em pessoas, ou seja, os resultados não indicam de forma imediata que o mesmo mecanismo funciona no organismo humano.

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