Sangue e Circulação

Nível de eosinófilos alto – O que significa?

Publicado por
Dr. Lucio Pacheco

Você notou um nível de eosinófilos alto no seu último exame de sangue e ficou com uma pulguinha atrás da orelha? 

Quando vemos alguma alteração em exames médicos, é normal ficarmos preocupados. Por isso é importante entender o que cada informação ali presente significa.

Então, vamos nos aprofundar um pouco sobre um glóbulo branco em particular: os eosinófilos. Eles são um tipo de célula que compõem o sistema imunológico, e seus níveis aumentam quando há algum processo inflamatório ou alérgico.

Vamos então entender um pouco mais sobre o que essa célula faz e o que significa estar com o nível de eosinófilos alto ou baixo demais. 

O que são eosinófilos?

As células do sangue são divididas em glóbulos vermelhos e glóbulos brancos, também chamados de leucócitos. Os glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico e existem cinco tipos principais:

  • Neutrófilos
  • Basófilos
  • Linfócitos
  • Monócitos
  • Eosinófilos

Os eosinófilos são formados na medula óssea: eles têm origem a partir da diferenciação de uma célula produzida na medula óssea, conhecida como mieloblasto. 

Em comparação com as outras células de defesa do organismo, os eosinófilos circulam em uma concentração mais baixa no corpo.

Quais os valores normais de eosinófilos?

O nível de eosinófilos no sangue de uma pessoa é medido por meio do leucograma, a parte do hemograma que avalia as células brancas do organismo.

Os valores considerados normais de eosinófilos no sangue são 20 a 500 células por microlitro (µL) de sangue, para valores absolutos ou a contagem total de eosinófilos no sangue, ou 1 a 6%, para valores relativos ou a porcentagem de eosinófilos em relação às outras células analisadas no leucograma.

No entanto, os valores de referência podem ter algumas alterações conforme o laboratório responsável pela realização do exame. 

Um nível de eosinófilos alto ou baixo deve sempre ser avaliado pelo médico, que é quem deve fechar o diagnóstico e indicar o tratamento necessário. 

Na sua análise, o médico não vai levar em consideração apenas a taxa de eosinófilos, mas também os outros resultados do hemograma e de demais exames que ele solicitar, assim como a história clínica do paciente.

Da mesma forma, o paciente deve relatar ao médico os sintomas que está experimentando. Afinal, esses sintomas podem ser parte importante de toda a avaliação que o profissional de saúde realiza antes de dar um diagnóstico.

O que significa o nível de eosinófilos alto?

A eosinofilia, que é como chamamos o excesso de eosinófilos no sangue, não é um problema de saúde em si, mas pode ser um sinal associado a algumas doenças.

Apesar de ser algo comum, ela deve ser investigada, principalmente quando os valores estão muito altos ou quando o nível de eosinófilos alto é um resultado recorrente.

Na maioria das vezes a eosinofilia está relacionada a:

  • Reação ao uso de medicamentos, como AAS, antibióticos, anti-hipertensivos ou triptofano
  • Doenças inflamatórias da pele, como dermatites
  • Doença inflamatória intestinal
  • Doenças hematológicas
  • Infecção por vírus, fungos ou bactérias
  • Infecções parasitárias
  • Doenças autoimunes
  • Tumores
  • Reações alérgicas

Existem também os casos de hipereosinofilia, que ocorrem quando o nível de eosinófilos é alto demais no sangue, ultrapassando 10 mil células/µL. Isso é mais comum em doenças autoimunes e genéticas, como a síndrome hipereosinofílica.

Os níveis elevados de eosinófilos podem ocorrer no sangue e também em outros tecidos do corpo, em locais com a presença de infecção ou inflamação.

A eosinofilia em outras partes do corpo pode ser identificada através de amostras colhidas durante alguns procedimentos, ou mesmo em amostras de fluidos corporais, como o muco dos tecidos nasais.

O que significa eosinófilos baixos?

Em alguns casos, o número de eosinófilos também pode estar abaixo do normal, algo que recebe o nome de eosinopenia. 

Essa diminuição pode significar diferentes problemas de saúde, sendo possível que a pessoa esteja com a imunidade comprometida por conta de doenças ou do uso de remédios que alteram a função do sistema imunológico, como os corticoides.

A eosinopenia pode estar presente quando há infecções bacterianas agudas, como pneumonia ou meningite, que geralmente aumentam os níveis de outros tipos de células de defesa, como os neutrófilos, o que pode reduzir a contagem absoluta ou relativa dos eosinófilos.

Uma baixa no nível de eosinófilos também pode estar relacionada à anemia perniciosa, queimaduras, síndrome de Cushing, convulsões ou pós-cirúrgico.

Entretanto, o mais comum é que a contagem de eosinófilos abaixo do normal seja algo sem significado clínico e que se resolve espontaneamente.

Cuidados e dicas

Reprodução: via Wikipedia

Normalmente, o nível alterado de eosinófilos só é identificado quando o médico solicita um exame de sangue, pois não é algo que causa sintomas. Desta forma, boa parte dos casos de eosinofilia são encontrados por acaso em exames de rotina.

Assim que o problema for identificado, antes de se desesperar, é necessário que se busque a orientação de um médico para que se possa fazer uma investigação das possíveis causas.

Fontes e referências adicionais

Você ou algum familiar ou conhecido já foi diagnosticado com o nível de eosinófilos alto? Que tipo de tratamento foi receitado? Comente abaixo!

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Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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