Anemia perniciosa: o que é, causa, sintomas e tratamento

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atualizado em 19/04/2022

A anemia perniciosa é um tipo de anemia que ocorre pela má absorção de vitamina B12, por causa de um distúrbio autoimune. A anemia é uma doença bastante comum e, geralmente, é associada à falta de ferro no sangue.

Esse tipo de anemia pode causar sintomas graves e deixar consequências neurológicas. Mas, se ela for diagnosticada e tratada adequadamente, a pessoa pode levar uma vida normal, livre de sintomas. Entretanto, deverá manter uma alimentação equilibrada, rica em vitamina B12, e fazer o monitoramento constante dos níveis da vitamina no sangue. 

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Veja o que é anemia perniciosa, as causas, os sintomas e como são feitos o diagnóstico e tratamento. 

Anemia perniciosa: o que é? 

Vitamina B12 - Anemia perniciosa
A doença tem relação com a carência de vitamina B12

A anemia perniciosa, também conhecida como anemia de Addison, é um tipo de anemia caracterizada pela falta de vitamina B12 no organismo, ocasionada pela má absorção da vitamina no trato gastrointestinal.  

Esse tipo de anemia é causada, principalmente, por um distúrbio autoimune, que começa atacar a mucosa gástrica, causando atrofia e inflamação crônica. Essa inflamação provoca o aumento da secreção de ácido clorídrico no estômago e diminuição da produção de uma substância chamada fator intrínseco.  

Essa substância é responsável por se ligar à vitamina B12 dos alimentos que chegam ao estômago e levá-la até o intestino delgado, para ser absorvida e liberada no sangue. A falta do fator intrínseco leva, então, à carência de vitamina B12 no organismo. 

Como consequência, as hemácias produzidas na medula óssea ficam maiores do que deveriam, característica da anemia megaloblástica, não conseguindo ir para a circulação sanguínea e desempenhar suas funções de transporte de nutrientes e oxigênio. A diminuição de hemácias saudáveis na circulação resulta nos sintomas típicos de anemia. 

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A anemia perniciosa recebeu esse nome, porque já foi considerada uma doença mortal, devido à falta de recursos para o tratamento, quando a medicina ainda não estava tão avançada. Hoje, essa condição é tratável, apesar de não ter cura, por ser uma doença autoimune.  

A anemia perniciosa é mais comum em idosos, entre 60 e 70 anos, com predominância no sexo feminino. 

Causas da anemia perniciosa

A anemia perniciosa possui fatores genéticos associados, que tornam algumas pessoas mais propensas a desenvolver o distúrbio autoimune. Porém, não se sabe ao certo o que ativa esses genes.

O que se sabe é que algumas doenças como diabetes tipo 1, vitiligo e problemas na tireoide aumentam as chances da pessoa desenvolver anemia perniciosa, se ela tiver essa predisposição genética. 

É possível, também, um bebê já nascer com anemia perniciosa, o que constitui um caso de anemia perniciosa congênita, em que a criança herda os genes responsáveis pela incapacidade total ou parcial de produção do fator intrínseco. 

A anemia perniciosa também pode ser causada por fatores que inibem a ação do fator intrínseco, como o uso excessivo e prolongado de medicamentos que neutralizam, inibem ou bloqueiam o ácido do estômago, como o omeprazol, esomeprazol, rabeprazol e pantoprazol.

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Outra possível causa importante é a retirada de parte mucosa gástrica na gastrectomia ou cirurgia bariátrica, que implica na diminuição de fator intrínseco produzido, logo esse estômago absorve menos vitamina B12. 

Há outros fatores de risco que podem deixar uma pessoa mais suscetível ao desenvolvimento da anemia perniciosa, como:

  • Ter a doença celíaca.
  • Histórico familiar da doença (herança genética).
  • Ascendência do norte da europa ou escandinava. 
  • Acidúria metilmalônica, uma doença hereditária que afeta o metabolismo e gera um acúmulo de ácidos no organismo.  
  • Ter feito tratamento para tuberculose, com base no ácido para-aminosalicílico.
  • Histórico de má nutrição na infância. 

Pessoas que possuem uma dieta vegana ou vegetariana estrita devem fazer a suplementação da vitamina ou consumir alimentos fortificados com ela, pois as principais fontes da vitamina B12 são de origem animal

Os veganos e vegetarianos estritos podem desenvolver uma anemia megaloblástica por carência nutricional da vitamina B12. Ou seja, nesse caso, a anemia não se dá por uma dificuldade de absorção da vitamina pela ausência do fator intrínseco, como acontece na anemia perniciosa. 

Sintomas de anemia perniciosa

Fadiga na anemia perniciosa
A fadiga é um dos sintomas da anemia perniciosa

A anemia perniciosa apresenta uma progressão lenta, o que dificulta reconhecer os sintomas logo de início. Em alguns casos, ela é assintomática ou apresenta sintomas tão leves que fica difícil de fazer a associação com anemia. 

Como o fígado é capaz de estocar grandes quantidades de vitamina B12, uma pessoa pode demorar mais de 3 anos para começar a manifestar os sintomas. 

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Os sintomas mais comuns são:

  • Fadiga
  • Diarreia ou constipação
  • Perda de apetite
  • Palidez 
  • Dificuldade para respirar
  • Língua despapilada (lisa), inchada ou avermelhada
  • Feridas no canto da boca
  • Sonolência constante
  • Fraqueza muscular
  • Sangramento na gengiva
  • Perda de peso não intencional
  • Dificuldade para respirar
  • Palpitações cardíacas 
  • Dor de cabeça
  • Aparecimento de manchas roxas na pele
  • Unhas fracas e quebradiças
  • Tontura

Permanecer por muito tempo com os níveis baixos de vitamina B12 pode causar danos ao sistema nervoso, provocando os seguinte sintomas: 

  • Dificuldade de concentração
  • Perda de memória
  • Sonolência constante
  • Alterações de humor
  • Depressão
  • Dormência e formigamento nas mãos e nos pés
  • Dores nos braços e pernas
  • Confusão mental
  • Perda do equilíbrio

Diagnóstico de anemia perniciosa

Para realizar o diagnóstico da anemia perniciosa, o médico ou médica pode solicitar vários exames, como:

  • Hemograma completo: feito para obtenção de um panorama geral das células sanguíneas, de sua concentração, volume, contagem de células imaturas (reticulócitos) e nível de ácido metilmalônico e homocisteína.
  • Biópsia: é feita uma endoscopia e biópsia da parede do estômago, para averiguar se há lesões que estejam interferindo na produção do fator intrínseco. 
  • Exame de deficiência de vitamina B12: os níveis de vitamina B12 são avaliados no exame de sangue. 
  • Exame de deficiência de fator intrínseco: uma amostra de sangue é testada para analisar se possui anticorpos contra o fator intrínseco e células parietais (do estômago), o que atestaria um distúrbio autoimune. 

Tratamentos para anemia perniciosa

Suplementos para anemia perniciosa
O uso de suplementos faz parte do tratamento da anemia perniciosa

O tratamento consiste na suplementação com a vitamina B12, que pode ser por via oral ou injetável. As injeções só são indicadas em casos mais graves, pois têm efeito de ação mais rápido. 

No tratamento com vitamina B12 injetável, as injeções de 1000 mcg são aplicadas diariamente, por um período de 7 dias. Após esse período, as injeções passam a ser administradas apenas uma vez por semana. 

Após 1 mês recebendo uma injeção por semana, o tratamento passa a ser feito apenas uma vez por mês, podendo sofrer ajustes de acordo com os resultados dos exames de monitoramento. 

O tratamento por via oral é feito com comprimidos de 1000 mcg, que devem ser ingeridos diariamente, por um período indeterminado. 

Durante o tratamento, é indicado evitar atividades físicas muito intensas e desgastantes, uma vez que a deficiência de vitamina B12 provoca muita fadiga. Então, até que os níveis de vitamina sejam normalizados e os sintomas amenizados, é indicado evitar esforço físico excessivo. 

É importante incluir alimentos de origem animal na dieta, que sejam ricos em vitamina B12. Os seguintes alimentos possuem boas concentrações de vitamina B12, a cada 100 gramas: 

  • Mariscos: 99 mcg
  • Fígado bovino: 65 mcg
  • Fígado de frango: 19 mcg
  • Coração: 14 mcg
  • Ostras:14,5 mcg
  • Sardinha: 12 mcg
  • Atum: 11,7 mcg
  • Peixe arenque: 8,5 mcg
  • Salmão: 2,8 mcg
  • Gema de ovo de galinha: 2 mcg
  • Queijo: 1,6 mcg
  • Leite: 1 mcg

A recomendação diária de vitamina B12 varia de acordo com as diretrizes de cada país mas, em média, é em torno de 2 mcg para os adultos. As gestantes e lactantes precisam de concentrações mais elevadas de vitamina B12, assim como de ferro e folato. Para elas, a recomendação pode chegar a 2,8 mcg de vitamina por dia. 

Com a regularização dos níveis de vitamina B12 e a manutenção de uma alimentação equilibrada, a doença tende a ficar controlada e os sintomas amenizados. Mesmo que a pessoa tenha tido sintomas neurológicos, eles tendem a desaparecer com a suplementação apropriada. 

Complicações da anemia perniciosa

Se a anemia perniciosa não for tratada, o risco da pessoa desenvolver um câncer gástrico aumenta em até três vezes. 

Além disso, como a anemia perniciosa afeta também o sistema circulatório e nervoso, ela pode ter consequências graves, como arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, AVC, perda de memória irreparável, déficit de atenção, perda do paladar e olfato e danos à locomoção. 

Vídeo

Fontes e referências adicionais

Você sabia da importância da vitamina B12 para a sua saúde? Quais alimentos ricos em B12 você costuma consumir no dia a dia? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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