Leucócitos Altos ou Baixos Demais – O Que Significa?

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atualizado em 22/01/2020

Os leucócitos também são conhecidos como glóbulos brancos. São as células responsáveis por defender o organismo contra infecções, alergias, doenças e diversas outras enfermidades. A seguir, você poderá se aprofundar nas funções dos leucócitos, quais os valores de referência e como identificar leucócitos altos ou baixos demais.

O sangue é formado basicamente por três componentes principais: os glóbulos vermelhos ou hemácias, os glóbulos brancos ou leucócitos, e as plaquetas ou trombócitos. Os problemas relacionados às alterações destes componentes no sangue podem ser identificados através de exame hematológico, permitindo uma análise quantitativa e qualitativa do mesmo.

Já a hemoglobina é responsável por transportar os gases para os órgãos que deles necessitam. Vale a pena conhecer também sobre o que é hemoglobina alta, baixa, suas causas e sintomas.

Desde criança você é obrigado, de tempos em tempo, a fazer algum tipo de exame. Um dos mais comuns é o exame de sangue. Num exame de rotina, é possível encontrar diversas informações sobre o seu corpo. Descubra o que dá pra saber sobre a sua saúde em um exame de sangue de rotina e a diferença entre um exame de rotina e um hemograma completo.

Muitas reações metabólicas dependem diretamente dos valores de pH do sangue para ocorrer. Em alguns compartimentos do corpo, o pH do nosso sangue é ácido, em outros é base ou até neutro. Descubra como o pH do sangue afeta a sua saúde.

Existem muitos problemas e doenças que podem ser identificadas através da contagem das células no sangue, ajudando tanto no diagnóstico quanto no tratamento destas. Vamos conhecer abaixo o que é o problema de leucócitos altos ou de leucócitos baixos, saber o motivo dos leucócitos alterados e mais informações sobre esta questão.

O que são os leucócitos e quais suas funções?

O processo de formação das células do sangue é chamado de hematopoiese, ocorrendo basicamente na medula óssea, onde existem células precursoras de todos os tipos de células do sangue que são capazes de se transformar em outras células. Estas passam por um processo de maturação até que sejam diferenciadas em glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, são células incolores, de formato esférico, produzidas pela medula óssea e podem ser encontradas ao longo de todo o corpo humano, principalmente no sangue e no sistema linfático. Estas células são arredondadas e, diferentemente das hemácias e das plaquetas, contêm núcleo celular. Os leucócitos são estudados há mais de 150 anos, existindo diversos relatos sobre a observação das suas características.

Os glóbulos brancos são agrupados em duas categorias: os leucócitos mononucleares (linfócitos e monócitos) e os polimorfonucleares (neutrófilos, eosinófilos e basófilos). Estas células desempenham a função de defesa do organismo, ajudando a livrar o mesmo de diversas doenças, principalmente aquelas causadas por vírus, parasitas e bactérias, entre elas infecções e alergias.

Os leucócitos também são responsáveis pela limpeza do organismo, ajudando a eliminar as células mortas e os tecidos que precisam ser eliminados. Em casos mais raros, eles podem atacar os tecidos do próprio organismo, causando as chamadas doenças autoimunes. Assim que são formados, os leucócitos são enviados pela corrente sanguínea e serão transportados para onde for necessário atuar.

Leucócitos altos ou baixos demais: o que é?

Vários fatores podem influenciar na liberação destas células e sempre fica uma determinada quantidade de leucócitos armazenados na medula, representando um suprimento de células. Quando um vírus, uma bactéria ou qualquer outro organismo entra no corpo de forma indevida, os leucócitos são atraídos por substâncias presentes nos locais ocorrendo uma resposta migratória. Este processo é conhecido como quimiotaxia.

De acordo com a Mayo Clinic, quando isso acontece, os níveis de leucócitos no sangue aumentam bastante, indicando que o sistema imune está combatendo uma infecção. Além disso, a alta contagem de glóbulos brancos pode ser um sinal de estresse físico ou emocional ou até mesmo de uma doença como alguns tipos de câncer, problemas na medula, reação a medicamentos e distúrbios autoimunes.

Já uma contagem baixa de leucócitos pode indicar que há um problema com a produção de glóbulos brancos pelo organismo ou pode significar que uma lesão ou problema de saúde está destruindo os leucócitos em uma taxa mais rápida do que a sua produção. A redução na contagem de leucócitos também pode ser a resposta do corpo a um medicamento.

Leucócitos e o seu papel na imunidade

A vida dos leucócitos após sua liberação na corrente sanguínea dura em torno de 4 a 8 horas e nos tecidos onde eles atuam, a vida dos leucócitos é de 4 a 5 dias. Em um adulto, milhões de leucócitos morrem todos os dias e seus restos são, posteriormente, removidos pelos macrófagos.

Os leucócitos fazem parte do processo realizado pelo sistema imunológico e cada subtipo deste grupo realiza uma função bastante específica e distinta entre si, formando o conjunto de todos os processos imunológicos. É importante que exista um equilíbrio nos níveis de leucócitos no sangue para que o sistema imunológico tenha boas condições de lutar contra uma infecção ou doença quando necessário.

A estrutura de um leucócito vista através do microscópio óptico é dividida em granulosos e agranulosos. Entre os leucócitos granulosos estão os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos. Os leucócitos agranulosos são divididos em monócitos e linfócitos. Todos esses cinco subtipos de leucócitos são importantes e exercem um papel diferente no combate a infecções e na prevenção de doenças.

Os monócitos são os responsáveis por eliminar os agentes nocivos da corrente sanguínea. Segundo uma pesquisa de 2012 publicada no European Journal of Microbiology and Immunology, eles combatem microrganismos patógenos e limpam o sangue e os tecidos eliminando as células mortas.

Os linfócitos são os glóbulos brancos que produzem anticorpos para combater agentes invasores como bactérias e vírus. Conforme dados publicados em 2016 no periódico Clinical Journal of American Society of Nephrology, eles são muito importantes na produção de vacinas permitindo que seu corpo esteja preparado caso entre em contato com algum microrganismo específico.

Uma pesquisa publicada em 2014 no Annual Review of Pathology: Mechanisms of Disease mostra que os neutrófilos são aqueles que eliminam bactérias, vírus e fungos e são a primeira linha de defesa do organismo. Isso significa que eles são um dos primeiros leucócitos a responder à presença de um agente nocivo.

Os basófilos atuam como um tipo de alarme para avisar o sistema imunológico que há algum invasor no seu organismo. Segundo estudo da revista científica Current Allergy and Asthma Reports de 2014, eles secretam certas substâncias químicas – como a histamina, por exemplo – que causam sintomas alérgicos e ajudam a controlar a resposta imune do corpo.

Os eosinófilos eliminam parasitas, bactérias e células cancerígenas. Segundo um estudo da revista Frontiers in Medicine de 2017, algumas vezes eles acabam identificando algumas substâncias inofensivas – como o pólen, por exemplo – como um invasor, desencadeando uma séries de sintomas alérgicos desagradáveis.

Quais os valores de referência dos leucócitos?

O exame de sangue, chamado de hemograma, é um dos exames mais solicitados por médicos, permitindo a avaliação da contagem de todas as células do sangue, incluindo-se a contagem total de leucócitos. É possível ainda obter a contagem de leucócitos na urina também.

Através do hemograma é possível se fazer uma contagem total de leucócitos para avaliação da saúde do paciente. Um ser humano adulto possui cerca de 30% de leucócitos em todos os tipos de células do sangue. Os valores de referência normais de leucócitos no sangue irão variar de pessoa para pessoa, dependendo da idade e do sexo. O valor normal estimado para adultos deve ficar entre 4.000 e 12.000 glóbulos brancos/µL. Qualquer alteração nesta contagem pode trazer graves problemas ao organismo.

Leucocitose

Os resultados que apresentem leucócitos alterados podem representar diversos problemas. Quando o exame apresenta leucócitos altos (valores acima de 12.000 glóbulos brancos/µL) isto é chamado de leucocitose e pode representar uma infecção bacteriana, uma inflamação, algum traumatismo, um aumento expressivo do estresse e pode indicar até mesmo um quadro de leucemia. O aumento do número de leucócitos indica a existência de uma intensa atividade no combate a infecções causadas por bactérias.

Leucopenia

Quando o exame apresenta leucócitos baixos (valores abaixo de 4.000 glóbulos brancos/µL) isto é chamado de leucopenia, podendo ocorrer alguma variação destes valores ao longo da vida do paciente, estando, porém, normalmente associado a algum problema de saúde. A leucopenia pode representar um sintoma dos tratamentos de quimioterapia e de radioterapia, além de estar relacionado a doenças do sistema imunológico.

Além disso, os leucócitos baixos podem estar associados a tumores e fibroses, doenças do fígado, doenças do rim, doenças autoimunes, presença de substâncias citotóxicas, surgindo também em função de uma falha grave da medula devido à terapia com corticoides e outros imunossupressores, na Doença de Hodgkin, entre outros. Agentes físicos, químicos ou biológicos que venham a interferir na medula podem causar a redução dos leucócitos.

Em geral, os pacientes com leucócitos baixos não apresentam sintomas aparentes, pois estes sintomas já estão relacionados à presença de outra doença que pode desencadear a redução do número de leucócitos no sangue.

Segundo o University of Rochester Medical Center, os intervalos normais de leucócitos por microlitro de sangue por faixa etária são os seguintes:

  • Recém-nascidos: 9.000 a 30.000 leucócitos / mcL de sangue;
  • Crianças menores de 2 anos de idade: 6.200 a 17.000 leucócitos / µL de sangue;
  • Crianças com mais de 2 anos de idade e adultos em geral: 5.000 a 10.000 leucócitos / µL de sangue.

O que significa a presença de leucócitos alterados?

Muitos fatores estão relacionados aos leucócitos baixos. Na terceira idade, por exemplo, esta contagem pode representar problemas de infecções com vírus e bactérias, podendo também ocorrer em função da utilização de alguns medicamentos (antibióticos, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, cortisona, substâncias usadas no tratamento da diabetes e da doença da tireoide, diuréticos, tranquilizantes) e até mesmo em função da presença de um câncer.

Os fatores relacionados aos leucócitos altos também são muitos. A leucocitose pode ocorrer devido à presença de processos inflamatórios, de doenças infecciosas agudas, tais como a apendicite e a pneumonia, podendo também ser resultado da gravidez, da menstruação e do esforço realizado por exercício muscular. Níveis de leucócitos altos detectados na urina também podem indicar uma infecção, principalmente uma infecção nos rins.

Conclusão

A manutenção da saúde física e mental depende de muitos fatores. Por este motivo, é sempre importante que se mantenha uma adequada rotina de acompanhamento médico para que, através dos exames periódicos, entre eles os exames de sangue, seja possível se verificar quaisquer alterações nos níveis normais de células sanguíneas – incluindo a de leucócitos altos ou baixos -, ajudando na prevenção e no diagnóstico de possíveis doenças.

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Fontes e Referências Adicionais:

Você já foi diagnosticado em um hemograma ou exame de urina com leucócitos altos ou baixos? O que seu médico diagnosticou? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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