Um estudo publicado no periódico Obesity mostra que o consumo excessivo de produtos ultraprocessados pode prejudicar a saciedade de jovens.

O experimento analisou o impacto do grau de processamento dos alimentos sobre o consumo calórico e o comportamento alimentar em pessoas de 18 a 25 anos. Para chegarem aos resultados, os cientistas analisaram 27 homens e mulheres, todos com peso estável há, pelo menos, seis meses.
Durante duas semanas, os participantes foram divididos em dois grupos: em um deles, 81% das calorias da dieta eram provenientes de ultraprocessados; o outro seguiu uma alimentação sem esse tipo de produto.
Em ambas as intervenções, as refeições foram planejadas para fornecer apenas as calorias necessárias á manutenção do peso. Ademais, os dois padrões alimentares foram equilibrados me 22 características nutricionais, incluindo macronutrientes, fibras, açúcar adicionado, densidade energética, vitaminas e minerais.
Para classificar os alimentos, os pesquisadores utilizaram o sistema Nova, desenvolvido por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), que categoriza os itens conforme o nível de processamento.
No modelo, alimentos in natura ou minimamente processados incluem frutas frescas, leguminosas e iogurte natural; os processados levam itens como queijos, vegetais enlatados e pães frescos; os ultraprocessados são os que passam por processamento industrial intenso e contém altas doses de aditivos, sódio e açúcar, como balas, refrigerantes, salgadinhos e refeições prontas.
Os voluntários também participaram de um teste de consumo alimentar em um buffet de café da manhã, com opções contendo ou não ultraprocessados. Em jejum, eles recebiam uma bandeja com cerca de 1.800 calorias (aproximadamente quatro vezes o valor energético de um café da manhã padrão nos Estados Unidos) e tinham 30 minutos para comer o quanto desejassem.
Para avaliar a ausência de fome, os participantes recebiam uma bandeja e tinham 15 minutos para experimentar cada item, avaliando seu grau de prazer e familiaridade. Após essa etapa, podiam optar por continuar comendo ou parar.
Os resultados mostram que os mais jovens consumiram mais calorias após o período com dieta rica em ultraprocessados e apresentaram maior tendencia a comer, mesmo que não estivessem mais com fome. Os autores acreditam que esse achado é relevante ara ajudar a isolar o efeito do grau de processamento dos alimentos sobre a ingestão energética, independentemente da composição nutricional da dieta.
A adolescência é uma fase importante para o amadurecimento cerebral, o que torna essa faixa etária mais vulnerável a transtornos. Os ultraprocessados tendem a ser altamente palatáveis e podem interferir nos mecanismos de fome e saciedade.