Um estudo conduzido por cientistas da Edith Cowan University, Curtin University e Deakin University, da Austrália, indica que o cérebro de quem tem formação musical pode aprender e antecipar sequências de movimentos com mais facilidade.
O experimento, publicado na revista Psychological Research, também identificou que ver novas sequências visuais logo após o aprendizado pode atrapalhar a formação da memória motora, tanto em músicos quanto em pessoas sem treinamento para tocar instrumentos.
No estudo, foram analisados 151 voluntários, sendo cerca de metade com formação musical formal. Todos aprenderam uma sequência de dez passos guiados por sinais visuais em uma tela e sons associados. Depois de um intervalo curto, os participantes foram expostos a uma nova sequência antes de serem testados novamente na tarefa inicial.
Os resultados mostraram uma queda no desempenho quando a nova sequência apresentava mudanças visuais. Já a exposição apenas a sons diferentes teve pouco efeito sobre a memória da sequência aprendida.
“Isso demonstra que a memória motora pode ser afetada apenas pela observação de uma sequencia visual diferente”, afirmou a pesquisadora Li-Ann Leow, da East Carolina University, em comunicado.
Além de aprender mais rápido, os músicos apresentaram uma capacidade maior de antecipar os próximos passos da sequencia. Segundo os autores, essa diferença não indica uma memória mais resistente, mas sim um processamento mais eficiente das informações durante o aprendizado.
“Os resultados sugerem que a experiencia proporciona melhores previsões, não uma memória mais estável, mas são coisas distintas”, declarou o pesquisador Welber Marinovic.
Na prática, essas descobertas podem orientar estratégias em áreas como reabilitação, treinamento esportivo e ensino de habilidades motoras. Os pesquisadores pontuam que proteger o aprendizado recente depende mais de controlar o tipo de estímulo apresentado logo após o treino do que de evitar qualquer atividade.
Agora, os cientistas investigam como o treinamento musical influencia esse processo no cérebro. Eles usam técnicas como eletroencefalografia para mapear a atividade neural durante o aprendizado.