Tendências alimentares como o jejum intermitente e a dieta cetogênica estão se mostrando muito populares por seus efeitos rápidos de perda de peso, mas os cientistas também estão começando a descobrir como elas podem beneficiar o corpo em outras formas no longo prazo.
Descobriu-se agora que uma molécula produzida durante o jejum freia o envelhecimento do sistema vascular, um processo intimamente ligado ao envelhecimento do corpo humano como um todo.
Quando o corpo entra em cetose, um estado metabólico induzido por dietas de jejum e baixo consumo de carboidratos, ele se volta para as gorduras armazenadas no corpo em vez da glicose para obter energia. Uma dessas fontes de energia, conhecida coletivamente como cetonas, é uma molécula chamada β-hidroxibutirato.
“Antes, os estudos sobre corpos cetônicos se concentravam no metabolismo energético, mas este estudo mostrou que existem outros efeitos fisiológicos que regulam o ciclo celular para retardar a progressão do envelhecimento”, disse o autor sênior do estudo, Dr. Ming-Hui Zou.
Um desses estudos anteriores, feito na Universidade de Harvard no ano passado, demonstrou como o jejum pode alterar a atividade das redes mitocondriais dentro de nossas células, levando ao aumento da expectativa de vida, ao envelhecimento mais lento e à melhoria da saúde.
Zou e sua equipe da Universidade Estadual da Geórgia se propuseram a explorar como os elevados níveis de β-hidroxibutirato poderiam ter efeitos similares ao interferir com o que é conhecido como células senescentes, que são células mais velhas que não são mais capazes de se multiplicar e se dividir.
Os cientistas descobriram que o β-hidroxibutirato bloqueia a senescência de células vasculares no momento certo, promovendo ativamente a divisão celular e impedindo-as de envelhecer. Quando injetado em ratos, também promoveu fatores de células-tronco que protegem contra a senescência relacionada ao DNA para manter os vasos sanguíneos jovens.
“Acreditamos que esta é uma descoberta muito importante, e estamos trabalhando para encontrar uma nova substância química que possa imitar o efeito da função deste corpo cetônico”, diz Zou. “Estamos tentando adotar a abordagem global para reduzir as doenças cardiovasculares e a doença de Alzheimer. É difícil convencer as pessoas a não comer nas próximas 24 horas para aumentar a concentração desse composto, e nem todo mundo pode fazer isso, mas se pudermos encontrar algo que possa imitar esse efeito e as pessoas ainda possam comer, tornaria a vida mais agradável e ajudaria a combater doenças.”
A pesquisa foi publicada na revista Molecular Cell.