Com a correria do dia a dia, muitas pessoas têm o hábito de pegar bebidas para a viagem. No entanto, o que parece uma forma prática, pode estar prejudicando sua saúde. Se o copo for todo de plástico ou tiver um revestimento fino do componente, há uma grande probabilidade de que milhares de minúsculos fragmentos estejam sendo liberados diretamente na sua bebida.

Uma nova pesquisa publicada no Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou como os copos plásticos se comportam quando recebem bebidas quentes, como chás e cafés. O calor é um dos principais fatores que levam à liberação de microplásticos e o material do copo realmente importa mais do que se imaginava.
Atualmente, não temos evidências conclusivas sobre a quantidade exata de microplásticos que permanece no corpo humano. Estudos sobre o assunto são altamente suscetíveis à contaminação e é muito difícil medir com precisão os níveis dessas partículas minúsculas no tecido humano.
Ademais, os cientistas ainda estão investigando o que os microplásticos podem significar para a saúde humana a longo prazo. Mais pesquisas são necessárias, mas é importante estar ciente das potenciais fontes de microplásticos no dia a dia.
Inicialmente, a equipe fez uma meta-análise (síntese estatística de pesquisas existentes), analisando dados de 30 estudos revisados por pares. Foi observado o comportamento de plásticos comuns, como o polietileno e o polipropileno, sob diferentes condições. A temperatura se destacou mediante os outros fatores.
Conforme a temperatura do líquido dentro de um recipiente aumenta, a liberação de microplásticos geralmente também aumenta. Nos estudos analisados, as liberações relatadas variaram de algumas centenas de partículas a mais de oito milhões de partículas por litro, dependendo do material e do desenho do estudo.
O “tempo de imersão”, ou seja, quanto tempo a bebida permanece no copo, não foi um fator determinante consistente. Isso sugere que deixar a bebida em um copo de plástico por muito tempo não é tão importante quanto a temperatura inicial do líquido ao entrar em contato com o material.
Os cientistas coletaram 400 copos de café de dois tipos: copos de plástico feitos de polietileno e copos de papel revestidos de plástico, que parecem de papel, mas têm uma fina camada de plástico por dentro. Foram testados produtos a 5°C (temperatura do café gelado) e a 60°C (temperatura do café quente).
Embora ambos os tipos tenham liberado microplásticos, os resultados revelaram duas tendencias principais. O primeiro deles é que o material importa. Os copos de papel com revestimento plástico liberaram menos microplásticos do que os copos totalmente de plástico em ambas as temperaturas.
O segundo fator é que o calor desencadeia uma liberação significativa. No caso dos copos totalmente de plástico, a troca de água fria por água quente aumentou a liberação de microplásticos em cerca de 33%. Portanto, se alguém beber 400 mililitros de café em um copo de polietileno por dia, poderá ingerir 363 mil partículas de microplástico por ano.
“Utilizando imagens de alta resolução, examinamos as paredes internas desses copos e descobrimos que os copos totalmente de plástico tinham superfícies muito mais ásperas, cheias de ‘picos e vales’, em comparação com os copos de papel revestidos de plástico. Essa textura mais áspera facilita o desprendimento de partículas. O calor acelera esse processo, amolecendo o plástico e fazendo com que ele se expanda e contraia, criando mais irregularidades na superfície que eventualmente se fragmentam na nossa bebida”, explicou Xiang Yu Liu, pesquisador associado na Escola de Meio Ambiente e Ciências e Instituto Australiano de Rios da Universidade Griffith, um dos autores do artigo.
O pesquisador afirma que não é necessário abandonar o hábito de pedir bebidas quentes para viagem, mas existem formas de gerenciar o risco. A melhor opção é usar um copo reutilizável de aço inoxidável, cerâmica ou vidro, pois esses materiais não liberam microplásticos.
Se precisar usar um copo descartável, a pesquisa sugere que os de papel com revestimento plástico geralmente liberam menos partículas do que copos de plástico puro, embora nenhum dos dois seja totalmente livre dos microplásticos.
Por fim, como o calor é o fator que desencadeia a liberação de substâncias no plástico, evite colocar líquidos ferventes diretamente em recipientes com revestimento plástico. Pedir ao barista para resfriar um pouco o café antes de servi-lo pode reduzir o estresse físico no revestimento plástico e diminuir a exposição geral.