A semaglutida, utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, pode estar relacionada a uma redução de sintomas de depressão e ansiedade.

Um estudo publicado na revista The Lancet Psychiatry analisou os dados de quase 100 mil pessoas. Dentre os voluntários, mais de 20 mil utilizaram medicamentos da classe GLP-1, como a semaglutida. Os resultados indicaram que, durante o uso desses medicamentos, houve menos registros de internações hospitalares e afastamentos do trabalho por motivos psiquiátricos.
Houve uma redução de aproximadamente 42% nesses episódios em comparação com períodos em que os pacientes não estavam em tratamento com esses fármacos. Quando os dados foram avaliados separadamente, o risco de depressão apareceu 44% menor, enquanto o de ansiedade foi 38% menor.
Os cientistas também perceberam uma associação com menos ocorrência de problemas relacionados ao uso de substâncias. Nesses casos, os registros de internações e afastamentos ligados ao consumo caíram quase pela metade durante o uso da medicação.
Como esses medicamentos agem no cérebro
A semaglutida, assim como os demais medicamentos da classe GLP-1, atua imitando a ação de um hormônio que participa do controle da glicose e do apetite. Esse efeito auxilia na redução da fome e prolonga a sensação de saciedade, o que contribui para a perda de peso.
Os pesquisadores pontuam que a relação com a saúde mental pode envolver diferentes fatores. A perda de peso e a melhora na autoestima podem ter influência, assim como um controle mais estável nos níveis de açúcar no sangue.
Existe também a possibilidade de efeitos diretos no cérebro. Segundo estudos anteriores, esses medicamentos podem atuar em áreas ligadas ao sistema de recompensa, que também está relacionado ao comportamento e ao humor.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores enfatizam que a pesquisa mostra uma ligação, mas não permite afirmar que os medicamentos são a causa direta da melhora nos sintomas de saúde mental. Isso porque a análise foi baseada em registros de pacientes, portanto, sem controle de todas as variáveis que podem influenciar nos resultados.
Para confirmar a relação, ainda serão necessários estudos clínicos específicos que comparem os medicamentos com outros tipos de tratamentos.