O uso da ora-pro-nóbis para diabetes provavelmente já apareceu nas pesquisas de quem busca informações sobre a planta ou a doença. Mas antes de usá-la na prevenção ou tratamento da diabetes, é importante saber quais podem ser os efeitos da ora-pro-nóbis em relação à condição.
A ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) é uma planta alimentícia não convencional (PANC) conhecida por ser rica em fibras, proteínas, ferro, vitamina A, vitamina B3, vitamina C, vitamina E e vitamina K. Popular no estado de Minas Gerais, ela possui folhas verdes escuras e tem o apelido de “carne de pobre”.
Além do cultivo próprio, a ora-pro-nóbis pode ser obtida em feiras e lojas de produtos naturais na forma fresca, desidratada ou como farinha.
Antes de seguir em frente, que tal conhecer a ora-pro-nóbis ainda melhor, com a ajuda do vídeo abaixo? Aproveite também para se inscrever no nosso canal do YouTube, clicando no botão a seguir:
A diabetes é uma doença que ocorre quando as taxas de glicose no sangue, conhecidas ainda como os níveis de açúcar no sangue, estão muito altas. A saber, a glicose é a principal fonte de energia do organismo, que pode ser produzida pelo corpo, mas também é obtida por meio dos alimentos.
Entretanto, quando falamos na doença, precisamos mencionar a insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas, que tem a função de ajudar a glicose a chegar nas células para ser usada como energia.
Isso porque em um quadro de diabetes, o organismo não produz uma quantidade suficiente ou qualquer quantidade de insulina ou não utiliza o hormônio apropriadamente. Com isso, a glicose permanece no sangue e não chega às células. Conheça os sintomas da diabetes do tipo 1 e da diabetes do tipo 2.
Por ser rica em fibras, acredita-se que a ora-pro-nóbis pode colaborar para a prevenção da resistência à insulina, condição associada a um aumento do risco de desenvolver diabetes do tipo 2, e da própria diabetes.
Isso porque as fibras contribuem para o controle dos níveis de glicose (açúcar) no sangue ao diminuir a velocidade de absorção dos carboidratos.
Quando uma pessoa consome um alimento com carboidratos, o seu sistema digestivo quebra os carboidratos que são digeríveis na forma de açúcar, que então parte para o sangue.
Por sua vez, as fibras são um tipo de carboidrato que o corpo não consegue digerir. Embora a maior parte dos carboidratos seja quebrada na forma de moléculas de açúcar, as fibras não podem ser decompostas na forma dessas moléculas e passam pelo organismo sem serem digeridas.
Então, elas auxiliam a regular o uso de açúcar por parte do organismo, ajudando a manter o açúcar no sangue e a fome sob controle. As fibras apresentam um efeito metabólico no trato gastrointestinal, retardam o esvaziamento gástrico e o tempo do trânsito intestinal, reduzindo a absorção da glicose.
A ora-pro-nobis não é considerada um tratamento direto para a diabetes, no entanto, acredita-se que o seu alto teor de fibras, que pode contribuir para a regulação dos níveis de açúcar no sangue, pode ser útil para as pessoas que sofrem com a doença.
Mas, é fundamental ter em mente que a diabetes é uma doença complexa e cada quadro pode apresentar características e necessidades próprias. Portanto, a condição precisa contar com um tratamento abrangente, individualizado e monitorado por profissionais de saúde.
Isso significa que a ora-pro-nóbis não é uma planta mágica para controlar os níveis de açúcar no sangue, embora tenha características positivas nesse sentido. Então, quem tem diabetes precisa seguir todo o tratamento indicado pelo médico, que pode incluir o uso de medicamentos, uma dieta específica para diabetes e a prática de atividades físicas.
Além disso, para o paciente diabético que quiser testar a ora-pro-nóbis na dieta para ver se ela ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, é importante consultar o médico para saber qual a forma mais indicada de usar a planta, tendo em vista o seu quadro em particular.
Em entrevista para o Blog Comida de Verdade, o nutricionista, palestrante e mestrando em nutrição Adriano Gonçalves Caceres explicou que existem basicamente três espécies de ora-pro-nóbis no Brasil e que todas são comestíveis, porém são necessários alguns cuidados, uma vez que ela é fonte de um antinutriente chamado oxalato.
Segundo o nutricionista, o oxalato não é uma substância tóxica e algumas bactérias intestinais até se alimentam dele, mas o seu excesso está associado à redução da absorção de minerais no intestino e à formação de pedras nos rins.
Portanto, recomenda-se minimizar a ingestão de oxalato. A espécie mais conhecida e cultivada de ora-pro-nóbis, a Pereskia aculeata, tem uma flor branca, espinhos curtos e teor médio de oxalato.
Já a Pereskia grandiflora apresenta uma flor rosa, espinhos longos e um alto teor de oxalato. Por sua vez, a Pereskia bleo é a única espécie de ora-pro-nóbis que pode ter as folhas ingeridas in natura ou desidratadas.
As espécies de flor branca e de flor rosa, Pereskia aculeata e Pereskia grandiflora respectivamente, devem ser branqueadas antes do consumo, para que fiquem mais nutritivas e seguras.
O processo consiste em cortar as folhas em pedaços pequenos, levar para cozinhar na água fervente por três minutos, escorrer a água do cozimento em uma peneira e jogar essa água fora, uma vez que ela fica rica em oxalato.
Feito isso, as folhas podem ser usadas em receitas como molhos, ovos mexidos, refogados, saladas e sopas, por exemplo.