O que é isquemia cerebral – Sintomas, causas e tratamento

Especialista:
atualizado em 15/09/2020

Veja o que é isquemia cerebral, quais são os sintomas mais característicos, bem como as possíveis causas e opções de tratamento para a condição.

A diminuição do fluxo sanguíneo ao cérebro pode desencadear uma série de sequelas, principalmente por poder causar um acidente vascular cerebral. No entanto, uma outra complicação que pode ocorrer é um quadro conhecido como isquemia cerebral.

Conhecer os sintomas e entender o que é isquemia cerebral é fundamental para identificar um possível caso da condição ou até mesmo de derrame. Veja como proceder caso surjam sinais da doença!

Afinal, o que é isquemia cerebral?

Também conhecido como mini derrame, o ataque isquêmico transitório (AIT) – ou isquemia cerebral – ocorre quando há uma interrupção temporária no fluxo sanguíneo que flui rumo a parte do cérebro.

Isso causa sintomas semelhantes a um derrame, mas que desaparecem em 24 horas.

Ao contrário de um derrame, a isquemia cerebral, por si só, não é capaz de causar sequelas permanentes. No entanto, os sintomas de um acidente vascular cerebral e de um ataque isquêmico transitório são praticamente idênticos.

Dessa forma, se os sintomas começarem a se manifestar, é necessário procurar ajuda médica rapidamente.

Com a interrupção no fornecimento de sangue ao cérebro, a falta de oxigenação promove diversos sintomas repentinos, semelhantes a um derrame, como dormência ou sensação de fraqueza no braço, perna e face, visão embaçada, dormência na língua e dificuldade em falar.

Entretanto, ao contrário do derrame convencional, os sintomas da isquemia cerebral não são permanentes. Os efeitos podem perdurar de alguns minutos a horas e cessam totalmente em, no máximo, um dia.

Causas de isquemia cerebral

As principais causas para um ataque isquêmico transitório são, sobretudo, problemas crônicos associados também a outras complicações cardiovasculares.

Dentre os principais fatores, estão:

  • pressão alta;
  • aterosclerose – formação de placas em uma artéria, provocando seu estreitamento;
  • doença carotídea – que ocorre quando a artéria carótida interna ou externa do cérebro é bloqueada (geralmente causada por aterosclerose);
  • diabetes;
  • colesterol alto.

Dessa forma, é possível afirmar que o principal fator desencadeante para isquemia cerebral é o surgimento de coágulos sanguíneos que são alojados em uma artéria responsável por fornecer sangue ao cérebro.

Isso impede que haja a plena circulação do sangue na região, o que, portanto, impede que o oxigênio chegue. A interrupção de oxigenação, ainda que por uma fração de segundo, pode fazer com surjam diversas sequelas.

Outras pessoas que integram grupos de risco, ou seja, que são mais suscetíveis ao surgimento da doença, são:

  • pessoas que consomem bebidas alcoólicas frequentemente;
  • fumantes;
  • obesos, pessoas que consomem regularmente alimentos ricos em colesterol, gordura trans e gorduras saturadas;
  • pessoas que utilizam certos tipos de drogas ilícitas, tais como anfetamina, cocaína e heroína.

Além disso, portadores de doença arterial periférica (DAP) e de doença de células falciformes também integram o grupo de risco.

É importante ressaltar que as mulheres grávidas também apresentam chances mais elevadas de terem isquemia cerebral, já que a gravidez pode aumentar a pressão arterial e fazer seu coração trabalhar mais.

Ademais, mulheres que possuem enxaqueca com auras, que tomam pílulas anticoncepcionais – especialmente as que fumam ou têm hipertensão arterial – e as que fazem terapia de reposição hormonal estão mais suscetíveis à condição.

Fatores de Risco

Os fatores de risco são aqueles que tornam uma pessoa pré-disposta a apresentar sintomas de uma determinada doença. No caso da isquemia cerebral, é possível citar:

  • Fator hereditário/Histórico familiar: Os riscos podem ser maiores se um dos membros de sua família tiver sofrido um AIT ou um derrame;
  • Idade: O risco de AIT e derrame aumenta à medida que a pessoa envelhece, especialmente após os 55 anos;
  • Sexo: Homens apresentam riscos um pouco mais elevado de sofrer AIT e derrame. Mas à medida que as mulheres envelhecem, o risco de derrame também aumenta;
  • Histórico de AIT: Se você já teve um ou mais episódio de ataque isquêmico transitório, então as chances de se ter um derrame são muito mais elevadas;
  • Anemia falciforme: O AVC é uma complicação frequentemente desencadeada por doença falciforme. Outro nome para esse distúrbio é anemia falciforme. As células sanguíneas em forma de foice transportam menos oxigênio do que o ideal. Além disso, elas tendem a ficar presas nas paredes das artérias, dificultando o fluxo sanguíneo para o cérebro.

É importante ressaltar, no entanto, que com o tratamento adequado para esses casos, os riscos de derrame e isquemia cerebral também são reduzidos.

Quais são as diferenças entre isquemia cerebral e AVC?

Ataques Isquêmicos Transitórios são muito semelhantes aos derrames, que também são causados por coágulos sanguíneos. O principal fator que distingue ambos os casos é o tempo de permanência dos sintomas.

Nos casos de AIT, depois de um período, o coágulo formado na artéria é empurrado, ou então as substâncias químicas presentes em seu organismo podem rapidamente quebrá-lo.

Dessa forma, o fluxo sanguíneo normal retorna ao seu cérebro antes que surjam problemas duradouros. Embora os sintomas possam durar até 24 horas, é mais comum que eles desapareçam em até uma hora.

Já os derrames, por outro lado, não desaparecem tão rapidamente. Isso significa que alguma parte do seu cérebro fica sem oxigênio e, quanto mais tempo essa situação dura, mais danos acontecem.

Enquanto um AIT desaparece em pouco tempo e não deixa sintomas e, portanto, é identificado como transitório, um acidente vascular cerebral pode ter efeitos duradouros e apresentar, inclusive, risco de vida.

Sintomas de isquemia cerebral

Para entender o que é isquemia cerebral, vale saber que os sintomas que indicam a presença de um ataque isquêmico transitório podem ser diversos e atingir desde os membros, passando pela face e dificultando até mesmo a capacidade de falar.

Confira, abaixo, os principais sintomas que se manifestam:

1. Disfasia

Pessoas acometidas pela isquemia cerebral podem ficar temporariamente incapazes de falar. Após uma complicação dessas, é comum que as pessoas relatem dificuldade em lembrar as palavras.

Outros problemas relacionados à fala podem incluir problemas de dicção ou até mesmo de compreensão de outras palavras.

Essa condição é conhecida como disfasia e, muitas vezes, esse pode ser o único sintoma de um ataque isquêmico transitório.

Isso ocorre porque o coágulo sanguíneo que desencadeou a condição pode ter ocorrido no hemisfério cerebral dominante – região do cérebro responsável pela motricidade da fala e da compreensão verbal.

2. Cegueira temporária

Não é raro que um distúrbio visual de um olho ocorra após uma isquemia cerebral. Essa complicação é conhecida como amaurose fugaz, ou também identificada como cegueira monocular transitória.

Na amaurose fugaz, a visão de uma pessoa em um olho fica subitamente obscurecida parcial ou totalmente. Os objetos podem ficar acinzentados ou embaçados. Isso pode durar segundos ou minutos.

A exposição à luz brilhante pode agravar o quadro e, nesses casos, dificilmente o paciente conseguirá ler palavras escritas em papeis brancos, por exemplo.

3. Outros sintomas

Além dos dois sintomas mencionados, é comum que durante um ataque isquêmico transitório o paciente sinta o olho ou a boca tremer unilateralmente.

Quando atingir a boca, pode ser que a pessoa tenha dificuldade para sorrir e falar. Além disso, é possível que o paciente sinta o braço ou a perna formigando ou dormente.

Além disso, outros possíveis sintomas incluem:

  • Problemas de equilíbrio e coordenação;
  • Impossibilidade de mover um dos lados do corpo;
  • Confusão e dificuldade para entender os outros;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça súbita e intensa;
  • Dificuldade em engolir.

Tratamentos para isquemia cerebral

Eletrocardiograma

Quando uma pessoa apresenta um quadro de ataque isquêmico cerebral, as chances de um acidente vascular cerebral ser desencadeado a médio e longo prazo são maiores. Dessa forma, vale a pena conhecer o que é isquemia cerebral e qual é o tratamento correto.

Este consiste, principalmente, em diminuir o risco de acidente vascular cerebral subsequente ou outros quadros de AIT. Um tratamento adequado após um AIT pode reduzir significativamente o risco de derrame.

Estudos recentes reiteram a importância da avaliação e tratamentos rápidos, além da politerapia – uma abordagem de tratamento que consiste no uso de medicamentos ou tratamentos diversos.

Um estudo feito no Reino Unido mostrou a importância da intervenção precoce, reduzindo em 80% o risco de AVC.

Uma meta-análise feita em 2007 apontou que a combinação de dieta, atividades físicas, a administração de antiagregantes plaquetários, estatina e terapia anti-hipertensiva são medidas capazes de reduzir as chances de derrame subsequente em até 90%.

Além disso, estudos mais recentes publicados na China também corroboram a concepção de que medicamentos antiplaquetários duplos com aspirina e clopidogrel são efetivos no tratamento de prevenção.

Não são apenas os medicamentos antiplaquetários que podem ser utilizados no tratamento, mas os anticoagulantes também.

O corpo humano possui certas proteínas que se combinam com plaquetas e formam coágulos sanguíneos. Os anticoagulantes alteram essas proteínas para dificultar a formação de coágulos.

Como a causa motriz do aparecimento da doença pode ser formação de coágulos na artéria, ao fazer uso desses medicamentos, os coágulos se dissolvem e o sangue volta a fluir adequadamente, bem como a oxigenação ao cérebro.

Como prevenir isquemia cerebral?

Infelizmente, não é possível prevenir totalmente uma isquemia cerebral ou derrame, já que algumas vezes isso ocorrerá em detrimento de fatores incontroláveis, como hereditariedade ou doenças subjacentes.

No entanto, é possível adotar certos hábitos no estilo de vida que diminuem significativamente as chances dessas doenças cardíacas, tais como:

  • Não fumar;
  • Evitar o fumo passivo;
  • Diminuir a ingestão de alimentos ricos em colesterol e gordura, sobretudo gorduras saturadas e trans;
  • Diminuir a ingestão de álcool;
  • Não usar drogas ilícitas;
  • Verificar constantemente a pressão arterial;
  • Reduzir o estresse o máximo;
  • Adotar uma dieta equilibrada, rica em frutas e legumes e manter o peso saudável;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Controlar a diabetes.
Fontes e Referências Adicionais:

Você já sabia o que é isquemia cerebral? Conhece alguém que tenha sofrido uma? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr. Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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