O consumo de álcool e outras drogas pelos pais é capaz de influenciar diretamente no comportamento dos filhos na adolescência. Pelo menos é o que diz o estudo brasileiro com 4.280 jovens e seus responsáveis.

Publicados na revista científica Addictive Behaviors, os resultados indicam que a forma como os pais lidam com essas substâncias e como educam os filhos têm impacto importante na prevenção ou no aumento do risco de consumo.
Os cientistas analisaram diferentes formas de educação familiar e identificaram quatro estilos parentais. O chamado autoritativo, caracterizado por equilíbrio entre acolhimento, diálogo e monitoramento, apresentou o maior efeito protetor.
O estilo autoritário, por sua vez, que é mais rígido e focado em disciplina, também mostrou proteção moderada, mas com impacto menor sobre o consumo de álcool.
Já os perfis permissivo e negligente não apresentaram qualquer efeito protetor. No primeiro caso, há afeito, mas poucas regras. No segundo, predominam distanciamento emocional e pouca supervisão.
A professora Zila Sanchez, do departamento de medicina preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e principal autora do estudo, destaca que o comportamento dos adultos ainda é determinante. “O padrão de uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia o dos filhos. Mas, quando há regras claras, limites e afeto, esses fatores ajudam a reduzir muito o risco, mesmo quando os responsáveis consomem essas substâncias”, pontuou, em comunicado.
A profissional reforçou que o maior fator associado á abstinência dos adolescentes foi o não consumo pelos próprios responsáveis. “Quando os pais são abstêmios, cerca de 89% dos jovens também não usam álcool nem outras drogas. Foi a associação mais forte que encontramos”, destacou.
Os resultados mostram que o consumo de álcool pelos pais esteve associado a uma probabilidade de 24% de os filhos também beberem e de 6% de utilizarem duas ou mais substancias. Quando os responsáveis consumiam várias drogas, o risco entre os adolescentes subia para 17% no caso do álcool e 28% para múltiplas substancias.
Os dados foram coletados entre 2023 e 2024 em quatro municípios paulistas de pequeno porte: Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis Biritiba-Mirim. A idade média dos adolescentes analisados era de 14,7 anos, com distribuição equilibrada entre meninos e meninas.
Dentre os jovens, cerca de 20% relataram consumo de álcool no último mês e pouco mais de 11% disseram ter episódios de consumo excessivo. Entre os pais, mais da metade relatou uso recente de álcool.
Os pesquisadores reforçam que retardar o início do consumo é uma das medidas mais eficazes para reduzir problemas futuros relacionados ao álcool e a outras drogas. Apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, dados nacionais indicam que muitos jovens têm contato precoce com essas substâncias.
Além dos riscos imediatos, o consumo frequente de álcool está associado ao aumento de doenças crônicas, transtornos mentais, dificuldades de aprendizagem e maior vulnerabilidade social.
Os especialistas acreditam que a combinação entre presença familiar, comunicação aberta e limites consistentes continua sendo uma das estratégias mais eficazes para proteger adolescentes do uso precoce de álcool e outras drogas.








