Reumatismo Tem Cura? O Que é, Sintomas e Tratamento

Condição que afeta um quinto da população mundial com mais de cinquenta anos, o termo reumatismo se refere na realidade a um conjunto de mais de cem doenças que afetam o sistema locomotor.

Dores, inchaço e inflamações caracterizam as doenças reumáticas, que afetam três vezes mais mulheres do que homens, e que podem ter um componente hereditário.

O diagnóstico da doença pode deixar muitas pessoas apreensivas, mas será que o reumatismo tem cura? Com tratamento adequado, é possível controlar os sintomas do reumatismo e levar uma vida bastante produtiva.

O que é Reumatismo?

Não há uma doença específica conhecida como reumatismo. A palavra é utilizada popularmente como sinônimo para a dor crônica causada por doenças como a fibromialgia, artrite, gota, febre reumática, artrose, lúpus eritematoso, entre outras.

Nas doenças reumáticas não há sinal de trauma, isto é, elas não surgem a partir de acidentes que causaram lesões, mas sim após um ataque do próprio corpo.

O reumatismo é portanto uma condição autoimune, onde o sistema imunológico passa a atacar as articulações como se fossem agentes patológicos externos. O resultado dessa agressão é o surgimento de pontos de inchaço e inflamação ao redor das articulações, principalmente nos pés e mãos.

Essa inflamação crônica pode levar à restrição dos movimentos e certa fraqueza ao caminhar ou realizar outras tarefas com os membros afetados (como levantar o braço para apanhar algo).

Causas

A ciência ainda não descobriu o que é a causa do reumatismo. Já se investigou se a doença estaria relacionada a infecções por vírus, fungos e bactérias, mas até hoje nenhum agente causador foi identificado pelos pesquisadores.

Inúmeros estudos ocorrem simultaneamente ao redor do mundo para tentar encontrar a causa do reumatismo, mas por enquanto o que se sabe é que a doença pode ter um forte componente genético.

Cientistas já conseguiram isolar alguns genes que aumentam o risco para o desenvolvimento da artrite reumatoide, e pesquisas preliminares apontam para uma ligação entre determinados fatores ambientais e o início da resposta inflamatória.

Assim, pessoas que têm familiares próximos que sobrem com reumatismo podem ter um risco elevado de desenvolver a condição.

Outros possíveis fatores de risco para o reumatismo incluem o desgaste das articulações causado pelo excesso de movimentos repetitivos (como aqueles executados em certas modalidades esportivas), o tabagismo e presença de determinadas bactérias no intestino.

Sintomas

Embora o reumatismo possa durar pela vida inteira, os sintomas são intermitentes, ou seja, eles vão e vêm e podem progredir com o tempo.

Quando os sintomas aparecem, diz-se que a doença está ativa, e nesse período o paciente pode exibir:

  • Dor e inchaço nas articulações (pés, mãos e joelhos);
  • Fadiga;
  • Perda de apetite;
  • Rigidez na área inflamada;
  • Febre;
  • Nódulos reumatoides;
  • Elevação da temperatura na região afetada.

Mesmo no início da doença pode haver deformação nas articulações, que podem ou não estar acompanhadas de todos os sintomas acima.

Diagnóstico

O diagnóstico logo cedo pode ajudar a controlar a doença, e deve ser feito por um especialista a partir da avaliação clínica do paciente, exames de imagens e análise de sangue para verificar a presença de marcadores específicos.

O “fator reumatoide” é um anticorpo que está presente no sangue de 80% dos portadores de reumatismo, e deve ser testado em pessoas com os sintomas citados anteriormente. O resultado positivo pode confirmar a condição, mas é possível apresentar um teste de fator reumatoide positivo e não desenvolver a doença.

Por esse motivo, somente a análise de um reumatologista – levando em consideração a análise dos sintomas relatados pelo paciente e dos exames clínicos e laboratoriais – poderá confirmar se a pessoa tem ou não reumatismo.

Reumatismo tem cura?

A resposta infelizmente ainda é negativa. Não há como dizer hoje que o reumatismo tem cura definitiva. Isso não significa, no entanto, que não seja possível aliviar boa parte dos sintomas relacionados à condição, ou até mesmo prevenir episódios de crises reumatoides.

O tratamento precoce pode ajudar a reduzir a inflamação nas articulações, controlar a dor e prevenir ou pelo menos retardar as deformações articulares.

Além de utilizar medicamentos para a fase ativa da doença, é possível evitar seu agravamento através de:

  • Fisioterapia;
  • Adoção de mudanças no estilo de vida;
  • Dieta específica para reumatismo;
  • Atividades leves como a caminhada e o fortalecimento muscular.

Tratamento

Mesmo sabendo que não é possível afirmar que o reumatismo tem cura, é importante saber que o tratamento envolve uma combinação de remédios e suplementos, exercícios de fortalecimento, descanso, proteção às articulações, apoio familiar e alterações na dieta.

– Medicamentos

Atualmente são utilizados dois tipos de remédios para tratar o reumatismo:

  • De ação rápida: também conhecidos como medicamentos de primeira linha (como a aspirina e a cortisona), são utilizados para diminuir as dores e reduzir as inflamações;
  • Drogas modificadoras de atividade de doença (DMARDs): demoram um pouco mais para fazer efeito, mas promovem uma remissão do reumatismo e previnem danos maiores às articulações.

Exemplos de DMARDs para tratar as doenças reumáticas incluem o metotrexato, a hidroxicloroquina e a leflunomida.

O metotrexato costuma ser o primeiro medicamento utilizado para o tratamento do reumatismo, geralmente em conjunto com um corticosteroide para reduzir as dores provocadas pela inflamação.

Alguns meses podem ser necessários até que os efeitos das drogas modificadores de atividade de doença sejam finalmente notados, mas é importante não deixar de tomar o medicamento durante este tempo.

Os principais efeitos colaterais das DMARDs são: dores de cabeça, náuseas, perda de apetite, possível efeito tóxico sobre o fígado e os pulmões. Já a cortisona pode causar ganho de peso, diabetes e enfraquecimento dos ossos.

  • Agentes biológicos: trata-se de uma nova classe de DMARDs, desenvolvida para atuar sobre determinadas áreas do sistema imune responsáveis pelo início da resposta inflamatória (que causa dores e danos ao tecido).

Abatacept (de nome comercial Orencia), adalimumabe, tocilizumabe (Actemra) e rituximabe são alguns dos agentes biológicos utilizados para bloquear determinadas substâncias químicas que levam o sistema imunológico a atacar as articulações.

O médico responsável pelo tratamento pode prescrever o agente biológico em combinação com alguma das DMARDs, mas o uso isolado dos agentes biológicos apenas costuma ser feito quando os demais tratamentos não surtem efeito.

– Fisioterapia

Além do tratamento medicamentoso, o médico poderá sugerir sessões de fisioterapia para que o portador de reumatismo aprenda a fazer exercícios para melhorar a flexibilidade dos ligamentos e articulações possivelmente comprometidos pela doença.

O fisioterapeuta poderá também ensinar diferentes movimentos para facilitar as tarefas do dia a dia, como pegar um objeto ou então se vestir.

– Alimentação

Determinados alimentos podem ser utilizados tanto para o tratamento do reumatismo como para a prevenção da doença, já que não pode-se dizer que o reumatismo tem cura.

A dieta para reumatismo deve ser rica em alimentos anti-inflamatórios (frutas, verduras e cereais integrais) e muito pobre em substâncias reconhecidamente inflamatórias, como o açúcar e as frituras.

Um plano alimentar individual deverá ser prescrito por seu médico ou nutricionista, mas de maneira geral sua dieta deve ser composta em grande parte por vegetais. Cerca de 65-70% do seu cardápio diário deve ser formado por frutas, verduras e legumes.

O restante da dieta deve ser completada com gorduras saudáveis – como o azeite e os peixes de água fria – e proteínas magras.

Exemplos de alimentos que combatem o reumatismo:

  • Maçã, cebola, brócolis, uva roxa, chá verde, mirtilo, cereja e frutas cítricas: O que todos esses alimentos têm em comum? A presença de quercetina, um poderoso antioxidante que combate as inflamações e pode melhorar a dor articular em portadores de doenças reumáticas;
  • Gemas, fígado, peixes e laticínios fortificados com vitamina D: Lipossolúvel (ou seja, necessita de gordura para ser melhor aproveitada), a vitamina D presente nos alimentos acima é utilizada pelo organismo para manter e regenerar as cartilagens. Vale lembrar que a exposição direta à luz solar é a maneira mais prática de manter os níveis de vitamina D em dia;
  • Castanha- do Pará, cogumelo, bacalhau, pão integral e sementes de girassol (todos alimentos ricos em selênio): Níveis baixos do mineral podem elevar o risco de desenvolvimento de doenças reumáticas, possivelmente pelo fato do selênio entrar na composição de uma série de enzimas com efeito antioxidante;
  • Cenoura, abóbora, batata doce, espinafre, couve e pimentão vermelho: Ricos em betacaroteno, estes alimentos possuem ação anti-inflamatória e antioxidante;
  • Nozes, sementes de abóbora, abacate, azeite, kiwi e frutas fontes de vitamina C: Todas estas opções contêm altas concentrações de vitamina E, um nutriente que neutraliza os radicais livres e reduz a inflamação das articulações. A vitamina C tem efeito semelhante, uma vez que também combate os radicais livres e previne as inflamações;
  • Sardinha, salmão e atum. Os peixes provenientes da água fria se alimentam de algas que contêm EPA e DHA, dois ácidos graxos essenciais do tipo ômega 3 que reduzem as inflamações e as dores articulares.

Alimentos que devem ser evitados por quem tem ou está tentando prevenir o reumatismo:

  • Produtos glicosilados avançados (AGEs): A sigla se refere aos compostos tóxicos gerados quando os alimentos são grelhados, fritos, pasteurizados ou levemente queimados (pense no churrasco levemente tostado). Pesquisadores já sabem que os AGEs são altamente inflamatórios, e uma alta concentração destas toxinas no corpo pode resultar em artrite ou outras doenças reumáticas. Para evitar o problema, evite superaquecer os alimentos e risque as frituras do seu cardápio;
  • Acúcar e carboidratos refinados em geral: o açúcar de mesa ou opções como o pão e o macarrão brancos elevam a produção de AGEs, que por sua vez provocam inflamações que causam ou pioram o reumatismo;
  • Laticínios: embora sejam uma boa fonte de cálcio para os ossos, o leite e o queijo contêm proteínas que podem irritar e até mesmo inflamar o tecido ao redor das articulações;
  • Outros: sal, óleo de soja, alimentos altamente processados e refrigerantes também são alimentos inflamatórios que pioram os sintomas do reumatismo.

-Suplementação

Tanto os suplementos à base de óleo de peixe (ômega 3) quanto os de óleo de prímula têm apresentado resultados positivos na melhora das dores e na redução das inflamações provocadas pelo reumatismo.

– Atividade física

Exercitar-se regularmente através de atividades leves ou moderadas é uma ótima maneira de fortalecer a musculatura e aumentar a amplitude dos movimentos. Hidroginástica, caminhada e Tai chi chuan são atividades que podem ajudar no tratamento do reumatismo.

– Descanso

Boas noites de sono são necessárias para todas as pessoas, mas são ainda mais indispensáveis para quem sofre com reumatismo. Isso porque é durante o descanso que o corpo executa boa parte do reparo dos tecidos, inclusive das áreas inflamadas por episódios reumáticos.

Além disso, o estresse e a falta de um sono reparador favorecem a secreção de hormônios que dificultam o controle dos sintomas do reumatismo.

Ainda que não consiga dormir bem à noite, tente ao menos reservar alguns minutos durante o dia para fazer um relaxamento ou então tirar uma “soneca”.

– Calor/frio no local

Já que não podemos afirmar que o reumatismo tem cura, promover a aplicação de compressas frias ou quentes ajuda bastante a melhorar alguns dos sintomas do reumatismo.

Enquanto o calor diminui a dor e promove o relaxamento da musculatura, a compressa fria pode ter efeito analgésico e promover o amortecimento do local inflamado.

Aplicar gelo sobre a área sensível (nunca diretamente sobre a pele) também reduz a incidência de espasmos musculares que podem ocorrer durante a fase ativa do reumatismo.

Dicas

  • O diagnóstico positivo para o reumatismo não é uma sentença de morte: mesmo sabendo que não é possível dizer que o reumatismo tem cura, com tratamento adequado é possível levar uma vida com menos limitações, e para isso manter a calma é fundamental;
  • Pratique atividades relaxantes (natação, yoga, meditação) e procure apoio em familiares próximos, tanto para ajudá-lo com dificuldades práticas da doença como também para melhorar seu estado emocional;
  • Talvez em um futuro não tão distante cientistas venham a público anunciar que o reumatismo tem cura, mas por enquanto o melhor tratamento para a doença é a prevenção para os fatores de risco controláveis;
  • Você pode não conseguir controlar seus genes, mas certamente é capaz de parar de fumar, cuidar do sono, fazer exercícios leves, seguir o tratamento indicado pelo médico e mudar a alimentação;
  • Portanto, nada de ficar esperando se vai desenvolver uma doença reumática ou não: ainda que não tenha histórico do problema na família, as mudanças sugeridas acima só irão trazer benefícios para a sua saúde.

Você acreditava que o reumatismo tem cura? Conhece alguém que seguiu o tratamento corretamente e conseguiu aliviar todos os sintomas da doença? Comente abaixo!

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9 comentários em “Reumatismo Tem Cura? O Que é, Sintomas e Tratamento”

  1. Tive reumatismo no sangue aos 7 anos e fiz tratamento por 6 meses (não lembro exatamente) de Bezetacil. Fiz exames no coração para saber se afetou algo, não havia afetado nada. Até hoje nunca tive nenhum sintoma, e aparentemente sumiu então fico sem entender. Mas fico feliz por isso. Hoje tenho 17 anos e faço 18 este ano.

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