Bactérias intestinais são nova causa de aterosclerose, diz novo estudo; entenda

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Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Cardiovascular Carlos III (CNIC), em Madri, na Espanha, descobriram uma forma diferente de diagnosticar e tratar a aterosclerose. Os cientistas identificaram uma molécula chamada propionato de imidazol (ImP), produzida por bactérias que vivem no intestino, que pode causar a doença mesmo em indivíduos saudáveis, sem colesterol alto.

A aterosclerose é provocada pelo acúmulo de substâncias, geralmente gordura, formando placas nas artérias, vasos sanguíneos que transportam o oxigênio pelo corpo humano. Essas placas obstruem a passagem do sangue e, com isso, provocam danos nos órgãos que tiverem a oxigenação prejudicada. No coração, por exemplo, ela é considerada a principal causa de infarto. Já no cérebro, de acidente vascular cerebral (AVC).

De acordo com informações da Rede D’Or, a aterosclerose pode se desenvolver de forma silenciosa ao longo dos anos. Um conjunto de fatores de risco está ligado a uma maior chance de ter o problema; dentre eles, o colesterol alto, hipertensão, diabetes, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, alimentação rica em gordura saturada e produtos ultraprocessados e histórico familiar.

No novo estudo, no entanto, os pesquisadores identificaram uma relação entre a molécula ImP e quadros de aterosclerose entre camundongos. Em seguida, para confirmar os achados, eles avaliaram 400 voluntários humanos assintomáticos que participam de um estudo longo sobre doenças cardíacas.

Foram realizadas técnicas avançadas de ultrassonografia vascular e tomografia computadorizada. Foi descoberto que mais da metade dos participantes (295) tinha aterosclerose subclínica, ou seja, placas nas artérias que ainda não manifestavam sintomas e que não costumam ser detectadas em exames simples.

Após quantificar os níveis da ImP nas amostras de plasma dos voluntários, os autores do trabalho publicado na revista científica Nature observaram que aqueles com aterosclerose tinham maiores concentrações da molécula comparados aos demais voluntários. Ademais, quanto maiores os níveis dela, maior também era a extensão da doença.

A ligação foi reavaliada em uma segunda análise de outra coorte de pesquisa, composta por 1.315 voluntários com aterosclerose subclínica e 529 sem o diagnóstico. “Notavelmente, a associação entre ImP e aterosclerose precoce foi confirmada”, escrevem os autores.

“Demonstramos que o ImP está associado à progressão da aterosclerose em camundongos e à aterosclerose subclínica ativa em uma coorte saudável (de humanos), na qual a aterosclerose é detectada somente por meio de estudos avançados de imagem que não estão disponíveis na prática clínica para triagens de grandes populações”, destacaram os pesquisadores.

Os responsáveis pelo experimento decidiram ir além investigando se a molécula produzida pelos micróbios do intestino poderia provocar a doença mesmo entre indivíduos que não têm um consumo elevado de gorduras.

Para isso, os cientistas administraram a ImP para camundongos e confirmaram que a substância foi suficiente para induzir a aterosclerose. “Demonstramos que o ImP induz a aterosclerose sem influenciar a concentração de colesterol no sangue”, detalharam.

Os cientistas também descobriram o motivo disso acontecer: a molécula causa a aterosclerose por meio da ativação de caminhos inflamatórios e imunológicos de células chamadas de mieloides, que formam as placas, obstruindo a passagem do sangue nas artérias. Por isso, o quadro foi provocado mesmo sem um excesso de gordura.

Um composto que bloqueia esse eixo, denominado ImP-I1R, impediu o desenvolvimento de aterosclerose nos camundongos com altas concentrações de ImP. “O bloqueio desse eixo ImP-I1R inibiu o desenvolvimento da aterosclerose induzida por ImP ou dieta rica em colesterol em camundongos. A identificação da forte associação do ImP com a aterosclerose ativa e a contribuição do eixo ImP-I1R para a progressão da doença abre novos caminhos para melhorar o diagnóstico precoce e a terapia personalizada da aterosclerose”, afirmam os autores da pesquisa.

O composto foi patenteado, mas ainda são necessárias mais pesquisas para desvendar mais profundamente o novo mecanismo e testar a substância como um medicamento para humanos. Os autores também mencionam a importância de identificar quais são as bactérias que produzem o ImP, de modo a atuar na prevenção da doença. A expectativa para o combate à doença é alta.

“A terapia de redução de lipídios é usada atualmente para prevenir a progressão da aterosclerose. No entanto, a taxa de eventos cardiovasculares permanece alta mesmo em pacientes que recebem tratamentos adequados de redução de lipídios. (…) Assim, propomos o eixo ImP-I1R nas células mieloides como um alvo independente para a terapia da aterosclerose que pode, potencialmente, ter sinergia com os tratamentos atuais”, concluíram os pesquisadores.

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