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- Um estudo sueco (MASAI, da Lund University), com mais de 100 mil mulheres, mostrou que a inteligência artificial no rastreamento do câncer de mama reduz diagnósticos tardios e ajuda a identificar tumores agressivos ainda em estágio inicial.
- Com apoio da IA, os chamados cânceres de intervalo, que surgem entre uma rodada de exames e outra e costumam ser mais agressivos, caíram 12%; também houve 16% menos cânceres invasivos, 19% menos tumores grandes e 27% menos subtipos agressivos.
- A tecnologia já havia permitido detectar 29% mais casos de câncer de mama do que o rastreamento tradicional, a maioria tumores pequenos e sem comprometimento dos linfonodos, o que está ligado a melhor prognóstico.
- O uso de IA reduziu em 44% a carga de leitura dos exames pelos radiologistas, sem aumentar os falsos positivos; o sistema classifica o risco das mamografias e casos de maior risco passam por dupla leitura médica.
- Especialistas defendem a IA como apoio, e não substituta, do radiologista; projeções apontam aumento de 38% nos casos de câncer de mama no mundo até 2050, segundo a Iarc.
Estudos recentes realizados na Suécia mostraram que o uso de inteligência artificial no rastreamento do câncer de mama tem reduzido diagnósticos tardios e ajudado a identificar tumores agressivos ainda em estágios iniciais.

A análise indicou que a tecnologia pode diminuir em 12% os chamados cânceres de intervalo, que surgem entre uma rodada de exames e outra, em comparação ao método tradicional. Os resultados fazem parte do estudo MASAI, conduzido pela Lund University, que acompanhou mais de 100 mil mulheres inseridas em programas de rastreamento mamográfico.
A pesquisadora Kristina Lång explicou, em nota oficial da universidade, o que caracteriza esse tipo de tumor. Os cânceres de intervalo são diagnosticados no período entre um exame de rastreamento normal e a próxima rodada programada. Esses cânceres costumam ser mais agressivos e devem ocorrer no menor número possível.
Foi notada uma redução considerável de diagnósticos graves: entre os tumores diagnosticados após o uso da tecnologia, também houve 16% menos cânceres invasivos, 19% menos tumores de grande porte e 27% menos subtipos agressivos.
Ademais, a inteligência artificial já se mostrava eficaz em relatórios anteriores deste estudo. Os cientistas já haviam demonstrado que o uso da inteligência artificial permitiu detectar 29% mais casos de câncer de mama do que o rastreamento convencional. Grande parte dos tumores identificados era de pequeno porte e sem comprometimento dos linfonodos, o que está associado a melhores prognósticos.
Outro dado destacado no comunicado é o impacto operacional da tecnologia. Com o uso de IA, a carga de leitura dos exames pelos radiologistas foi reduzida em 44%, sem aumento no número de falsos positivos. “Um falso positivo ocorre quando uma mulher é chamada para uma avaliação adicional, mas não tem câncer de mama”, pontuou Lång.
Como a IA trabalha
O sistema de inteligência artificial analisa as imagens das mamografias e classifica o risco de câncer. Exames considerados de baixo risco são avaliados por um radiologista, enquanto os casos de maior risco passam por dupla leitura médica. Além disso, a tecnologia sinaliza áreas suspeitas para apoiar a análise clínica.
Segundo a Universidade de Lund, a capacidade de detectar o câncer permaneceu, ao mesmo tempo em que tornou o processo mais eficiente.
A descoberta ganhou repercussão internacional. Em reportagem do The Guardian, por exemplo, foi destacado que o uso da inteligência artificial levou a uma maior detecção de cânceres ainda na fase de rastreamento, com 81% dos casos identificados nesse estágio, comparados a 74% do grupo submetido apenas à leitura tradicional.
“A implementação ampla da mamografia com apoio de inteligência artificial em programas de rastreamento pode ajudar a reduzir a pressão sobre os radiologistas, além de contribuir para a detecção precoce de mais cânceres, incluindo subtipos agressivos”, disse Lång ao The Guardian.
Projeções do ano passado estimam aumento de 38% dos casos de câncer de mama até 2050. Os dados, divulgados pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), mostram que deve-se chegar a aproximadamente 3,2 milhões de novos diagnósticos por ano, e o número de mortes associadas pode subir cerca de 68%, alcançando cerca de 1,1 milhão de óbitos anuais.
“Este primeiro estudo reforça o enorme potencial da IA para apoiar os radiologistas no rastreamento do câncer de mama. O rastreamento é uma ferramenta vital para a detecção precoce e, quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido”, defendeu Simon Vicent, diretor científico da Breast Câncer Now, também ao periódico.
Ainda assim, a presença humana segue essencial. “As mulheres que participam do rastreamento dizem que não querem a inteligência artificial como uma ferramenta isolada. Elas querem um ser humano envolvido no processo, e eu concordo com isso. É muito importante que seja uma ferramenta para os radiologistas”, declarou Lång á revista New Scientist.
“Este é o primeiro ensaio clínico randomizado e controlado sobre o uso de inteligência artificial no rastreamento por mamografia”, completou.
