Quantos graus é considerado febre, como medir e baixar

Especialista da área:
atualizado em 03/06/2022

Todo mundo sabe que febre é a elevação da temperatura corporal mas, quantos graus, exatamente, é considerado febre? A melhor forma de compreender essa questão é conhecer as faixas de temperatura corporal classificadas como normal e anormal, que seriam a febre e a hipotermia. 

A febre não é uma doença, mas uma reação natural do nosso corpo contra algum agente externo. Em casos de infecções comuns, como a gripe, a febre ajuda o nosso sistema de defesa a combater o vírus que causou a infecção. 

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Mas, há casos em que a febre sinaliza uma doença que demanda uma intervenção médica, às vezes, imediata. Geralmente, essa febre é acompanhada de outros sintomas e a temperatura de alerta varia com a faixa etária. 

Veja como nosso corpo regula a temperatura, quando o aumento de temperatura é considerado febre, como medi-la e como baixá-la em casa, e quando procurar ajuda médica. 

Como o corpo regula a temperatura

A regulação da temperatura corporal é feita por uma região do nosso cérebro chamada hipotálamo. Ela funciona como um termostato, que ajusta a temperatura dos órgãos internos para 37ºC, temperatura ótima para o acontecimento das funções vitais do corpo. 

Esse ajuste é necessário porque, apesar de não percebermos, estamos constantemente fazendo trocas de calor com o ambiente. 

No calor, nossa temperatura aumenta, por isso suamos para resfriar o corpo. No frio, nossas mãos e pés ficam gelados, porque os vasos sanguíneos se contraem, para reduzir a perda de calor pelas extremidades, conservando-o dentro do nosso corpo. 

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Quando ficamos doentes e nosso sistema de defesa entra em ação contra agentes externos, como uma inflamação, infecção ou lesão, o hipotálamo eleva a nossa temperatura corporal aproximadamente dois ou três graus acima da faixa ideal de temperatura, entre 36ºC e 36,7ºC. Temperatura igual ou inferior a 35ºC é considerada hipotermia

Na prática clínica, há um consenso que considera normal a faixa de temperatura que vai de 36ºC a 37,7ºC, já que valores um pouco mais altos do que 36,7ºC podem ser atingidos em dias muito quentes, ou quando se está com muitas camadas de roupas. 

Pequenas variações na temperatura também ocorrem naturalmente ao longo do dia, sendo que de manhã nossa temperatura tende a ser um pouco mais baixa do que a tarde e à noite. Da mesma forma, mulheres podem ter pequenas variações de temperatura após a ovulação e durante a gestação. 

Qual temperatura é considerada febre?

Criança com febre
Existem algumas considerações a fazer em relação ao valor da temperatura

Os médicos consideram febre quando a temperatura axilar é igual ou superior a 37,8ºC. Mas, o conceito de febre não é exato e, por isso, ela é considerada em níveis

  • Febrícula (estado febril): quando a temperatura está ligeiramente aumentada e se encontra entre 37,3°C e 37,8°C. 
  • Febre: temperaturas acima de 37,8°C.
  • Febre alta: considerada a partir dos 39°C. 
  • Emergência médica: Acima de 39,6°C, passa a ser considerada uma emergência médica e a pessoa deve ser levada ao hospital. 

Bebês em fase de amamentação têm a temperatura corporal naturalmente elevada, para esses, até os 3 meses de vida, é considerado febre a temperatura igual ou superior a 38ºC. 

Já os idosos tendem a ter uma temperatura mais baixa e, mesmo em quadros infecciosos, podem apresentar temperatura normal ou até hipotermia. 

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Como medir a temperatura da maneira correta?

A maneira mais eficiente de saber se você está com febre é usando um termômetro da maneira correta. Mesmo que a temperatura medida indique apenas uma febrícula, é importante fazer várias aferições ao longo dia, anotando os valores e os horários de cada aferição. 

Essas anotações são importantes para o rastreamento da febre, ou seja, para saber qual é o valor do pico e em que horário ele acontece. Essas informações podem ser úteis no diagnóstico da doença subjacente. 

Os tipos mais comuns de termômetro e o modo correto de uso são:

  • Termômetro infravermelho: aponte o laser para a testa ou para o interior do canal auditivo e aperte o botão. A temperatura aferida aparecerá no visor do termômetro após o aviso sonoro. 
  • Termômetro digital: coloque o termômetro na axila, ânus ou boca, em contato direto com a pele ou mucosas e aguarde cerca de 3 a 5 minutos. O termômetro emitirá um sinal sonoro, indicando que a temperatura já foi aferida.
  • Termômetro de vidro: coloque o termômetro na axila, ânus ou boca, em contato direto com a pele ou mucosas e aguarde em torno de 5 minutos, para conferir a temperatura. Se for medir na dobra da axila, mantenha o braço imóvel durante a aferição.  

Para se ter maior precisão, a temperatura corporal deve ser aferida em repouso e nunca após a realização de atividades físicas ou banho, porque são condições que elevam a nossa temperatura corporal e podem interferir diretamente no resultado. 

Como medir a temperatura no bebê?

Para medir a temperatura no bebê, é recomendado o uso de termômetros mais confortáveis e rápidos, como o digital com ponta flexível ou o infravermelho.

O local de aferição que fornece a temperatura corporal mais precisa é o reto (ânus) mas, normalmente, esse método é feito somente no consultório. 

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Os pais ou responsáveis podem fazer essa medição em casa, mas é preciso tomar cuidado para não machucar o bebê e dar preferência para o termômetro digital de haste flexível. A forma mais fácil de se fazer a medição em casa é na dobra da axila, segurando o braço do bebê até o final da aferição. 

Como baixar a febre corporal?

A febre não é uma doença em si, mas um sintoma clínico. Naturalmente, o tratamento é direcionado à doença subjacente ou ao agente causador da febre. Por exemplo, se a febre é um sintoma de uma infecção bacteriana, o tratamento é feito com um antibiótico.  

É importante ressaltar que não se deve tomar antibióticos sem prescrição médica, principalmente se a intenção for tratar um resfriado ou uma gripe. Essas infecções são causadas por vírus e o antibiótico não tem qualquer efeito sobre elas, e ainda pode prejudicar o organismo. 

Na maioria dos casos, não é necessário o uso de medicamentos específicos para combater a febre. Como foi falado, a febre é um mecanismo natural de defesa do nosso corpo. Apesar disso, ela gera desconfortos, que podem ser aliviados com antitérmicos, como o paracetamol. 

Antes de recorrer ao medicamento, existem algumas medidas naturais e simples que podem ajudar a baixar a febre: 

  • Mantenha-se hidratado, pois a água ajuda na regulação da temperatura corporal.
  • Retire o excesso de roupa.
  • Tome banho com água morna ou fria, nunca gelada. 
  • Faça um repouso, seu organismo precisa direcionar a energia para o combate à infecção. 
  • Permaneça em local arejado e com boa ventilação
  • Use compressa fria na testa e nos pulsos.

Quando procurar ajuda médica

Mulher doente
Se você estiver com uma dor de cabeça muito forte acompanhada de febre, pode ser hora de procurar um médico

Caso os tratamentos caseiros e os antitérmicos comuns não sejam efetivos na redução da temperatura corporal, é recomendado procurar um médico ou médica, para uma consulta.

A busca por ajuda médica é fundamental, quando a febre não passa e é acompanhada de outros sintomas, como: 

  • Dor de cabeça forte e que não passa
  • Ao tentar curvar a cabeça, percebe-se que a nuca está rígida e dolorida. 
  • Confusão mental 
  • Sensibilidade exagerada à luz
  • Irritabilidade
  • Sonolência
  • Dor de garganta muito forte, que dificulta a deglutição de alimentos. 
  • Dificuldade para falar
  • Vômitos
  • Dores abdominais

Alguns desses sintomas, como dor de cabeça e nuca rígida são sugestivos de uma doença muito grave, que é a meningite, e que exige cuidados médicos imediatos.  

Bebês com menos de 3 meses e temperatura acima de 37,5ºC devem ser avaliados por um médico ou médica pediatra. Após os três meses, deve-se buscar ajuda médica quando a febre for superior a 39ºC. 

Fontes e referências adicionais

O que você costuma fazer quando você ou seu filho ou filha está com febre? Você prefere qual tipo de termômetro? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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