Gasometria venosa é um exame solicitado em algumas situações, principalmente em emergências médicas, para avaliar como anda a condição cardiorrespiratória de uma pessoa.
Isso acontece porque através desse exame é possível medir níveis de gases envolvidos no processo respiratório e também o equilíbrio do pH no organismo, ambos muito importantes para uma boa saúde.
Então, a seguir vamos entender melhor como funciona este exame e quais os valores de referência que devem ser observados nos resultados, além de dar algumas dicas de interpretação e explicar o real objetivo de um teste de gasometria.
Veja também: O que mostra um exame de sangue completo
Um exame de gasometria venosa é um teste que mede os níveis de gases como o oxigênio e o dióxido de carbono, presentes no sangue. Ou seja, é um teste que mede a oxigenação e o equilíbrio ácido-base no organismo.
Geralmente, a gasometria é solicitada pelos médicos em situações de saúde bem específicas, como:
Desta forma, é possível analisar a como anda a eficiência do sistema respiratório, através da retirada de uma amostra de sangue da veia do paciente, existindo duas formas de fazê-lo:
Os 2 tipos de gasometria medem basicamente a mesma coisa, mas a grande diferença é que a gasometria venosa é feita através da coleta de uma amostra da veia, enquanto que a gasometria arterial precisa de uma amostra da artéria.
Mas, devido ao processo de respiração, os dois tipos de sangue contém quantidades diferentes de gases respiratórios:
Por isso, os valores de referência para os dois exames são um pouco diferentes.
Além disso, a gasometria arterial fornece resultados mais completos, como uma melhor precisão na medição dos níveis de oxigênio, embora a coleta de sangue arterial (de uma artéria) seja mais dolorosa e difícil.
Já a gasometria venosa é muito mais simples, embora menos precisa, pois a amostra de sangue pode ser coletada de uma veia, como outros exames comuns.
Pessoas que têm doenças pulmonares ou que estão passando por algum problema respiratório geralmente se submetem a um exame de gasometria para que o médico possa ter um diagnóstico mais preciso sobre o que está acontecendo em órgãos como rins, pulmões e coração.
Assim, os resultados obtidos por meio de um exame de gasometria venosa podem auxiliar a equipe médica a:
Além disso, quando é preciso realizar o exame com frequência, um cateter venoso é inserido para permitir a coleta rápida sem precisar furar o paciente com uma agulha o tempo inteiro, o que também proporciona mais conforto e segurança.
Apesar de ser um exame feito com frequência em hospitais, nem todo mundo que vai a uma emergência precisa realiza-lo, sendo indicado apenas parra alguns casos, como:
Além disso, é muito comum a equipe médica conduzir uma gasometria venosa durante um procedimento cirúrgico para monitorar os níveis de oxigênio e de gás carbônico no sangue.
De acordo com o Grupo Fleury de Análises Clínicas, os componentes do sangue avaliados em uma gasometria venosa são os seguintes:
O pH é uma escala de acidez que verifica se o sangue está ácido, neutro ou básico (alcalino). Essa escala vai de 0 a 14, sendo que, de forma geral, valores de abaixo de 7 significam acidez, acima de 7 significam alcalinidade e igual a 7 quer dizer neutralidade.
Já no sangue o pH normalmente varia de 7,35 a 7,45 e esse é o intervalo de referência considerado normal. Se houver variações além desse intervalo, o organismo pode começar a ter problemas e o médico faz a seguinte interpretação ao obter os resultados da gasometria venosa:
O nível de oxigênio, ou a pressão parcial de oxigênio dissolvida no sangue também é medida em uma gasometria venosa. Esse oxigênio no sangue é aquele que não foi transportado pela hemoglobina e, assim, não foi usado pelas células.
Essa medida serve para avaliar o estado de oxigenação do paciente. Os valores normais para a pressão parcial de oxigênio no sangue são de 30 a 50 mmHg, mas tais valores podem variar se o paciente viver em uma região acima do nível do mar, por exemplo.
Além disso, a pressão parcial de O2 não é tão confiável em um teste de gasometria venosa, e para valores mais exatos, é preciso realizar um teste de gasometria arterial.
A quantidade de gás carbônico presente no sangue também é medida através da pressão parcial do gás no sangue, que permite que o médico avalie a ventilação do paciente.
Os valores de referência normais são aqueles que estão dentro do intervalo entre 38 a 50 mmHg.
Quando a pressão parcial de CO2 é maior que 50 mmHg, é constatado um quadro de acidose respiratória primária. Já valores menores que 38 mmHg podem indicar uma alcalose respiratória primária.
A quantidade de bicarbonato encontrado no sangue também é medida neste exame, mas de forma indireta, através de uma fórmula chamada de equação de Henderson-Hasselbach. O cálculo é feito após obter os valores de pH e a pressão parcial de CO2 no sangue.
A faixa de referência para o bicarbonato são entre 23 a 27 mmol/L.
O excesso de base é uma estimativa feita para descobrir quanto de base em excesso existe no sangue, e utiliza um cálculo que considera o número teórico de íons hidrogênio necessários para deixar o pH igual a 7,4 em um valor de pressão parcial de gás carbônico igual a 40.
Os valores normais de referência são entre -3 a +3. Assim, se for constatado um excesso de base igual a -8, por exemplo, quer dizer que o organismo pode estar com um excesso de base. Já um valor igual a +8 significa que o sangue apresenta um déficit de base.
Em conjunto com os valores de pH e as pressões parciais de CO2 e HCO3–, o excesso de base serve como um complemento para avaliar o equilíbrio ácido-base da pessoa, mas muitas vezes esse exame não é essencial para o diagnóstico.
Primeiramente, é importante lembrar que os resultados da gasometria venosa devem ser interpretados por um profissional habilitado, de acordo com os sintomas observados e com outros exames complementares.
Mas, de forma geral, podemos interpretar os resultados da seguinte maneira:
Uma baixa pressão de O2, por exemplo, indica que uma pessoa está com dificuldades para respirar, por não obter oxigênio suficiente.
Esse problema ocorre quando o pH está abaixo do intervalo considerado normal e quando a pressão de CO2 está acima do esperado. Esse quadro pode ser resultado de uma pneumonia ou asma, de uma doença pulmonar obstrutiva crônica ou do uso excessivo de narcóticos.
Já a alcalose respiratória é caracterizada por valores altos de pH e uma pressão parcial de CO2 abaixo do normal. Isso pode ocorrer por fatores diversos, como estresse emocional, trauma cerebral, hiperventilação ou doenças pulmonares.
A acidose metabólica pode ser diagnosticada quando o pH está abaixo de 7,33 e os níveis de bicarbonato também estão baixos. Isso indica que o sangue está ácido demais, o que pode afetar de forma negativa o metabolismo e a função renal.
Geralmente, as condições que deixam o sangue muito ácido incluem a cetoacidose diabética, a insuficiência renal e o estado de choque.
A alcalose metabólica ocorre quando o pH e os níveis de bicarbonato estão acima do normal, e as principais causas disso são a hipocalemia (níveis baixos de potássio no sangue), o vômito crônico, a cirrose, a insuficiência cardíaca e a ingestão em excesso de bicarbonato de sódio.
Vários estudos mostram que os valores de pH e de pressão parcial de bicarbonato obtidos por uma gasometria venosa são muito próximos aos dados obtidos por uma gasometria arterial.
Entretanto, o mesmo não é observado para a pressão parcial de gás carbônico e de oxigênio, que podem oferecer resultados menos precisos do que um exame de gasometria arterial. Por isso, cada exame tem sua utilidade e indicação, que são decididos pela equipe assistencial.
Além disso, a gasometria venosa não é um exame de rotina e só é solicitado em casos em que o médico julga necessário, baseado nos sintomas e, quando possível, em resultados de outros exames.