Gasometria venosa – O que é, para que serve, interpretação e valores

Especialista da área:
atualizado em 25/01/2022

Gasometria venosa é um exame solicitado em algumas situações, principalmente em emergências médicas, para avaliar como anda a condição cardiorrespiratória de uma pessoa.

Isso acontece porque através desse exame é possível medir níveis de gases envolvidos no processo respiratório e também o equilíbrio do pH no organismo, ambos muito importantes para uma boa saúde. 

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Então, a seguir vamos entender melhor como funciona este exame e quais os valores de referência que devem ser observados nos resultados, além de dar algumas dicas de interpretação e explicar o real objetivo de um teste de gasometria.

Veja também: O que mostra um exame de sangue completo

O que é gasometria venosa?

Coleta de sangue
Existem duas formas de fazer o teste

Um exame de gasometria venosa é um teste que mede os níveis de gases como o oxigênio e o dióxido de carbono, presentes no sangue. Ou seja, é um teste que mede a oxigenação e o equilíbrio ácido-base no organismo.

Geralmente, a gasometria é solicitada pelos médicos em situações de saúde bem específicas, como:

  • Falta de ar;
  • Alterações na frequência de respiração;
  • Distúrbios metabólicos, que causam o desequilíbrio ácido-base no sangue;
  • Acompanhamento de pacientes em ventilação mecânica, oxigenoterapia ou em alguns tipos de cirurgia.

Desta forma, é possível analisar a como anda a eficiência do sistema respiratório, através da retirada de uma amostra de sangue da veia do paciente, existindo duas formas de fazê-lo:

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  • Gasometria venosa, feita através do sangue venoso, que é mais rápido e fácil de coletar;
  • Gasometria arterial, onde o sangue é colhido de uma artéria.

Diferença entre gasometria venosa e arterial

Os 2 tipos de gasometria medem basicamente a mesma coisa, mas a grande diferença é que a gasometria venosa é feita através da coleta de uma amostra da veia, enquanto que a gasometria arterial precisa de uma amostra da artéria.

Mas, devido ao processo de respiração, os dois tipos de sangue contém quantidades diferentes de gases respiratórios:

  • Sangue venoso: Mais rico em CO2, ou gás carbônico, uma vez que é o sangue que está retornando para o coração para ser oxigenado;
  • Sangue arterial: Mais rico em O2, ou oxigênio, pois é o sangue que acabou de ser oxigenado.

Por isso, os valores de referência para os dois exames são um pouco diferentes.

Além disso, a gasometria arterial fornece resultados mais completos, como uma melhor precisão na medição dos níveis de oxigênio, embora a coleta de sangue arterial (de uma artéria) seja mais dolorosa e difícil. 

Já a gasometria venosa é muito mais simples, embora menos precisa, pois a amostra de sangue pode ser coletada de uma veia, como outros exames comuns.

Para que serve?

Pessoas que têm doenças pulmonares ou que estão passando por algum problema respiratório geralmente se submetem a um exame de gasometria para que o médico possa ter um diagnóstico mais preciso sobre o que está acontecendo em órgãos como rins, pulmões e coração.

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Assim, os resultados obtidos por meio de um exame de gasometria venosa podem auxiliar a equipe médica a:

  • Verificar se o tratamento para a condição respiratória está funcionando;
  • Diagnosticar de forma mais precisa problemas pulmonares e respiratórios;
  • Detectar desequilíbrios ácido-base no sangue;
  • Avaliar a função pulmonar;
  • Diagnosticar condições metabólicas ou problemas renais;
  • Avaliar a eficácia de terapias como a oxigenoterapia;
  • Determinar se há uma ruptura de algum vaso sanguíneo ou outros problemas como a doença metabólica ou um envenenamento.

Além disso, quando é preciso realizar o exame com frequência, um cateter venoso é inserido para permitir a coleta rápida sem precisar furar o paciente com uma agulha o tempo inteiro, o que também proporciona mais conforto e segurança.

Quem deve fazer o exame de gasometria venosa?

Apesar de ser um exame feito com frequência em hospitais, nem todo mundo que vai a uma emergência precisa realiza-lo, sendo indicado apenas parra alguns casos, como:

  • Pessoas que apresentam sintomas de problemas respiratórios graves como dificuldade para respirar, falta de ar ou hiperventilação;
  • Pessoas que estão se tratando de alguma doença pulmonar ou aquelas que desconfiam de um quadro de alcalose ou acidose metabólica também devem realizar o exame.

Além disso, é muito comum a equipe médica conduzir uma gasometria venosa durante um procedimento cirúrgico para monitorar os níveis de oxigênio e de gás carbônico no sangue.

Valores de referência

De acordo com o Grupo Fleury de Análises Clínicas, os componentes do sangue avaliados em uma gasometria venosa são os seguintes:

1. pH

O pH é uma escala de acidez que verifica se o sangue está ácido, neutro ou básico (alcalino). Essa escala vai de 0 a 14, sendo que, de forma geral, valores de abaixo de 7 significam acidez, acima de 7 significam alcalinidade e igual a 7 quer dizer neutralidade.

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Já no sangue o pH normalmente varia de 7,35 a 7,45 e esse é o intervalo de referência considerado normal. Se houver variações além desse intervalo, o organismo pode começar a ter problemas e o médico faz a seguinte interpretação ao obter os resultados da gasometria venosa:

  • pH entre 7,33 e 7,43: normal;
  • pH maior que 7,43: alcalose;
  • pH menor que 7,33: acidose.

2. O2

O nível de oxigênio, ou a pressão parcial de oxigênio dissolvida no sangue também é medida em uma gasometria venosa. Esse oxigênio no sangue é aquele que não foi transportado pela hemoglobina e, assim, não foi usado pelas células.

Essa medida serve para avaliar o estado de oxigenação do paciente. Os valores normais para a pressão parcial de oxigênio no sangue são de 30 a 50 mmHg, mas tais valores podem variar se o paciente viver em uma região acima do nível do mar, por exemplo. 

Além disso, a pressão parcial de O2 não é tão confiável em um teste de gasometria venosa, e para valores mais exatos, é preciso realizar um teste de gasometria arterial.

3. CO2

A quantidade de gás carbônico presente no sangue também é medida através da pressão parcial do gás no sangue, que permite que o médico avalie a ventilação do paciente.

Os valores de referência normais são aqueles que estão dentro do intervalo entre 38 a 50 mmHg.

Quando a pressão parcial de CO2 é maior que 50 mmHg, é constatado um quadro de acidose respiratória primária. Já valores menores que 38 mmHg podem indicar uma alcalose respiratória primária.

4. HCO3

A quantidade de bicarbonato encontrado no sangue também é medida neste exame, mas de forma indireta, através de uma fórmula chamada de equação de Henderson-Hasselbach. O cálculo é feito após obter os valores de pH e a pressão parcial de CO2 no sangue.

A faixa de referência para o bicarbonato são entre 23 a 27 mmol/L.

5. Excesso de base

O excesso de base é uma estimativa feita para descobrir quanto de base em excesso existe no sangue, e utiliza um cálculo que considera o número teórico de íons hidrogênio necessários para deixar o pH igual a 7,4 em um valor de pressão parcial de gás carbônico igual a 40.

Os valores normais de referência são entre -3 a +3. Assim, se for constatado um excesso de base igual a -8, por exemplo, quer dizer que o organismo pode estar com um excesso de base. Já um valor igual a +8 significa que o sangue apresenta um déficit de base.

Em conjunto com os valores de pH e as pressões parciais de CO2 e HCO3, o excesso de base serve como um complemento para avaliar o equilíbrio ácido-base da pessoa, mas muitas vezes esse exame não é essencial para o diagnóstico.

O que os valores fora dos intervalos de referência indicam?

Gasometria venosa
Um profissional habilitado deve interpretar os resultados do exame

Primeiramente, é importante lembrar que os resultados da gasometria venosa devem ser interpretados por um profissional habilitado, de acordo com os sintomas observados e com outros exames complementares.

Mas, de forma geral, podemos interpretar os resultados da seguinte maneira:

1. Dificuldades respiratórias

Uma baixa pressão de O2, por exemplo, indica que uma pessoa está com dificuldades para respirar, por não obter oxigênio suficiente.

2. Acidose respiratória

Esse problema ocorre quando o pH está abaixo do intervalo considerado normal e quando a pressão de CO2 está acima do esperado. Esse quadro pode ser resultado de uma pneumonia ou asma, de uma doença pulmonar obstrutiva crônica ou do uso excessivo de narcóticos.

3. Alcalose respiratória

Já a alcalose respiratória é caracterizada por valores altos de pH e uma pressão parcial de CO2 abaixo do normal. Isso pode ocorrer por fatores diversos, como estresse emocional, trauma cerebral, hiperventilação ou doenças pulmonares.

4. Acidose metabólica

A acidose metabólica pode ser diagnosticada quando o pH está abaixo de 7,33 e os níveis de bicarbonato também estão baixos. Isso indica que o sangue está ácido demais, o que pode afetar de forma negativa o metabolismo e a função renal. 

Geralmente, as condições que deixam o sangue muito ácido incluem a cetoacidose diabética, a insuficiência renal e o estado de choque.

5. Alcalose metabólica

A alcalose metabólica ocorre quando o pH e os níveis de bicarbonato estão acima do normal, e as principais causas disso são a hipocalemia (níveis baixos de potássio no sangue), o vômito crônico, a cirrose, a insuficiência cardíaca e a ingestão em excesso de bicarbonato de sódio.

Considerações

Vários estudos mostram que os valores de pH e de pressão parcial de bicarbonato obtidos por uma gasometria venosa são muito próximos aos dados obtidos por uma gasometria arterial. 

Entretanto, o mesmo não é observado para a pressão parcial de gás carbônico e de oxigênio, que podem oferecer resultados menos precisos do que um exame de gasometria arterial. Por isso, cada exame tem sua utilidade e indicação, que são decididos pela equipe assistencial.

Além disso, a gasometria venosa não é um exame de rotina e só é solicitado em casos em que o médico julga necessário, baseado nos sintomas e, quando possível, em resultados de outros exames. 

Fontes e referências adicionais

Você já fez algum exame de gasometria venosa? Conhece alguém que precisou fazer por alguma condição de saúde? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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8 comentários em “Gasometria venosa – O que é, para que serve, interpretação e valores”

  1. Eu fiz gasometria venosa ph 7,330
    pCo2 63,0 – pO2 13,0 – HCo3 33,2
    BE 5,5 Saturação 02 13%

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  2. FOI MUITO BOM AS INFORMACOES SE FOR POSIVEL QUERO SABER MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO TAO IMPORTANTE OBRIGADO MAIS FIQUEI COM MEDO DIS QUE DOI MUITO

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  3. Fiz este exame hoje (20/12/19) é muito simples e o meu PH foi de 7,340 e faço Hemodialise mas estou sem fazer a um mês pelo fato de eu, estar urinando muito bem uma media de um litro e meio de urina durante 24 horas, mas o meu maior psoblema é que venho de um INFARTO ocorrido a um ano e o meu coração estar muito fraco, mas eu (graças a Deus não tenho falta de ar) é isto aí.

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