Ver resumo
- Um estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health, feito pela QUT com dados de mais de 45 mil australianos, associou uma dieta rica em vegetais e frutas a menos sofrimento psicológico (ansiedade, depressão e estresse).
- Quem comia menos de uma porção de vegetais por dia teve 1,6 vez mais risco de sofrimento psicológico do que quem consumia cinco ou mais porções diárias.
- O benefício parece maior nas mulheres, que seguem ganhando proteção até cinco ou mais porções por dia, enquanto nos homens o efeito tende a atingir o pico com três a quatro porções.
- Um segundo estudo da mesma pesquisadora, com 129 adultos, associou o consumo de sete ou mais copos de refrigerante por semana a quase cinco vezes mais chance de depressão, além de ligar dietas ricas em fibras a menor ansiedade.
- As autoras reforçam que os resultados são associações, não provas de causa, e que a pesquisa reforça recomendações já existentes de dietas ricas em vegetais e com pouco açúcar.
Um estudo publicado na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health indica que uma dieta rica em vegetais e frutas está associada à redução do sofrimento psicológico.

No estudo realizado por pesquisadores da QUT do Instituto de PESQUISA Translacial de Brisbane, foram analisados detalhadamente os dados de mais de 45 mil australianos e constatou-se que pessoas que consumiam menos de uma porção de vegetais por dia tinham 1,6 vez mais risco de passar por sofrimento psicológico comparados àquelas que consumiam cinco ou mais porções por dia.
Sofrimento psicológico é um termo genérico que abrange depressão, ansiedade e estresse. No estudo, foi constatado que o benefício do consumo de vegetais parece ser maior em mulheres.
“As mulheres parecem continuar se beneficiando dos vegetais em sua dieta até cinco ou mais porções por dia, enquanto para os homens o benefício parece atingir o pico em torno de três ou quatro porções por dia”, diz a primeira autora do estudo, a médica Kerri Gillespie, da Escola de Ciências Clínicas da QUT, em comunicado.
A última autora do estudo, a professora Selena Barlett, da Escola de Ciências Clínicas da QUT, diz que as descobertas foram inesperadas. Ademais, ela afirma que, embora correlação nunca seja casualidade, “raramente refletimos profundamente sobre como a dieta afeta nossa saúde psicológica, e acho que essa é a beleza do estudo”.
Gillespie é responsável por conduzir um segundo estudo, publicado na Frontiers in Nutrition, sobre a associação da dieta com a saúde mental, com base em uma pesquisa online com adultos saudáveis.
“Encontramos um padrão interessante entre o consumo de refrigerantes açucarados e o risco de depressão. Tomar sete ou mais copos de refrigerante por semana aumentou as chances de depressão em quase cinco vezes. Por outro lado, parece haver uma relação entre uma dieta rica em fibras e uma ansiedade ligeiramente menor”, diz Gillespie.
A especialista também alertou que o estudo foi baseado em uma amostra de apenas 129 pessoas, mas apresentou padrões que poderiam ser observados em uma amostra maior.
“Não estamos de forma alguma afirmando que comer mais vegetais cura a saúde mental, mas esta pesquisa corrobora as mensagens de saúde existentes que recomendam dietas ricas em vegetais e com baixo teor de açúcar”, avaliou Bartlett.
