Monócitos Altos ou Baixos Demais – O Que é? O que Fazer?

Especialista:
atualizado em 16/07/2020

Monócitos altos ou baixos demais podem indicar problemas de saúde e é importante monitorá-los com frequência para manter a saúde em dia. Se você verificou alguma alteração nos seus monócitos, veja o que é e o que fazer.

Os monócitos são os maiores glóbulos brancos presentes no nosso sangue. Eles são essenciais na defesa contra inflamações e contra germes invasores. Exames de sangue simples são capazes de medir os níveis de monócitos no sangue e verificar se está tudo dentro dos valores de referência adequados.

Os valores de referência considerados normais para os monócitos compreendem o intervalo entre 200 a 800 monócitos por microlitro de sangue, o que representa algo entre 2 a 10% dos glóbulos brancos. Monócitos altos ou baixos demais podem indicar problemas de saúde, portanto é importante monitorá-los com frequência para manter a saúde em dia.

Monócitos altos ou baixos demais

Veremos agora o que pode estar acontecendo no organismo quando os níveis dos monócitos encontram-se altos ou baixos demais:

Monócitos altos demais

Apresentar mais de 800 monócitos por microlitro de sangue significa que eles estão elevados – condição conhecida como monocitose. Segundo artigo de 2013 publicado no Experimental Gerontology, a monocitose ocorre durante ou após uma infecção – como a tuberculose, a sífilis e a malária, por exemplo – ou inflamação crônica.

Altos níveis de monocitose também podem estar associados a doenças como a diabetes e a:

  • Obesidade;
  • Infecções;
  • Câncer;
  • AIDS;
  • Estresse;
  • Depressão;
  • Apendicite;
  • Tuberculose;
  • Pneumonia;
  • Doença hepática alcoólica;
  • Distúrbios sanguíneos;
  • Ataque cardíaco;
  • Doenças autoimunes;
  • Leucemia;
  • Trabalho de parto;
  • Sarcoidose.

Sintomas que podem surgir quando os níveis de monócitos estão muito altos incluem:

  • Dor;
  • Febre;
  • Inchaço.

Nem tudo é motivo de preocupação. Apesar de indicarem problemas de saúde, os monócitos altos na maioria das vezes estão lá para ajudar o organismo no processo de recuperação. Após um ataque cardíaco, por exemplo, os monócitos ajudam a remover células cardíacas danificadas ou mortas e promovem uma boa recuperação.

Assim, o aumento temporário de monócitos não é motivo de preocupação. O problema surge quando esses níveis ficam altos por tempo prolongado, indicando uma inflamação ou infecção mais grave e persistente.

Riscos de monócitos altos

Um estudo de 2010 publicado no periódico científico Cardiovascular Research indica que níveis muito altos de monócitos podem piorar problemas como a aterosclerose – condição em que há um endurecimento das artérias – podendo causar ataques cardíacos, derrames e insuficiência cardíaca. Isso ocorre porque os monócitos acabam se acumulando nos vasos sanguíneos, o que contribui para a ruptura de placas que obstruem o local.

Uma pesquisa de 2013 publicada no periódico Experimental Gerontology mostra que o aumento no número de monócitos pode ter relação com um risco mais alto de morte em idosos em casos de câncer e doenças cardiovasculares.

Monócitos baixos demais

Baixos níveis de monócitos (menos que 200 monócitos por microlitro de sangue) são conhecidos como monocitopenia. As condições associadas ao nível baixo de monócitos são:

  • Deficiência de vitamina B12;
  • Tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Anemia aplástica;
  • Leucemia;
  • Síndrome MonoMAC;
  • AIDS;
  • Terapia com corticosteroides;
  • Queimaduras graves;
  • Administração de INF-alfa e TNF-alta;
  • Artrite reumatoide.

Em geral, a monocitopenia não causa sintomas, mas podem ser observados alguns sinais como febre e fadiga.

Se nenhum sintoma ou doença for detectada, apresentar monócitos baixos não é ruim. Na verdade, de acordo com estudo publicado no periódico Vascular Health and Risk Management em 2008, níveis baixos de monócitos estão associados a um risco menor de problemas cardiovasculares.

Riscos de monócitos baixos

Monócitos baixos podem aumentar a suscetibilidade a infecções, o que significa que o corpo está mais fragilizado e pode ficar doente com mais facilidade.

Um artigo publicado na revista científica Blood em 2011 sugere que a monocitopenia pode estar associada a um risco maior de desenvolver distúrbios hematológicos, que são doenças que afetam o sangue como os linfomas, a leucemia mielomonocítica, a leucemia mielogênica aguda e a mielodisplasia.

Outro risco associado aos níveis baixos de monócitos é o desenvolvimento de câncer cervical. De acordo com pesquisa publicada no periódico Gynecologic Oncology em 2016, pacientes diagnosticados com imunodeficiência primária são mais suscetíveis a infecções graves do papilomavírus, que pode contribuir para o surgimento de um câncer cervical.

O que fazer?

Antes de qualquer coisa, é preciso que um médico avalie os resultados do exame junto de outras informações obtidas em um hemograma e faça uma análise sobre a presença ou não de sintomas. A partir disso, será possível determinar se há uma doença que precisa ser tratada ou se a alteração de monócitos altos ou baixos é apenas temporária por causa de uma condição específica como a gravidez ou devido a infecções e inflamações passageiras como lesões ou resfriados, por exemplo.

Reduzindo os níveis de monócitos

Os monócitos altos tendem a ser reduzidos após o diagnóstico e o início do tratamento da condição subjacente. Também há algumas medidas que o paciente pode tomar para ajudar nesse processo, que incluem:

  • Praticar exercícios promove um efeito anti-inflamatório no organismo e os monócitos podem ser reduzidos de forma significativa.
  • Ingerir ácidos graxos do tipo ômega 3 ajuda a proteger o corpo contra inflamações em geral. Um estudo de 2007 publicado no Journal of Nutrition atestou que pessoas que tomavam suplementos de óleo de peixe apresentavam menor risco de ter inflamações causadas por monócitos altos nas paredes dos vasos sanguíneos.
  • Perder peso: uma pesquisa publicada em 2014 na revista científica Cell Metabolism atestou que a perda de peso de pessoas obesas acompanhou uma redução na contagem de monócitos e neutrófilos no sangue e também foi observada uma melhora na sensibilidade à insulina.
  • Adotar a dieta mediterrânea, uma dieta anti-inflamatória que ajuda a proteger o corpo contra inflamações.
  • Os níveis de monócitos também podem ser influenciados pelo uso de cortisol e glucocorticoides, de hormônios como o estrogênio e a progesterona e do agente imunossupressor infliximab.

Aumentando os níveis de monócitos

  • Fazer exercícios extenuantes pode aumentar os níveis de monócitos no sangue rapidamente, principalmente nos primeiros minutos de exercício. Porém, os níveis diminuem logo depois de a atividade ser finalizada.
  • Frequentar uma sauna: segundo estudo de 2013 publicado no Journal of Human Kinetics, a sauna aumenta os níveis de glóbulos brancos, incluindo os monócitos, por causa do superaquecimento do corpo. Esse aumento é mais pronunciado em atletas ou pessoas que praticam exercícios físicos com regularidade.
  • Tomar vitaminas: um estudo publicado em 2014 no Central European Journal of Immunology mostra que a vitamina B12 aumenta a contagem de glóbulos brancos em ratos com deficiências proteicas. Outros estudos também indicam que o uso de vitamina C e a vitamina D são capaz de aumentar o crescimento de monócitos.
  • Usar testosterona ou hormônio do crescimento pode aumentar a quantidade de linfócitos, granulócitos e monócitos no sangue. No entanto, a administração de hormônios deve sempre ser indicada e acompanhada por um médico devido ao risco de efeitos colaterais.
  • Exposição ao frio: em 2014, uma pesquisa publicada no periódico Biology of Sport indicou que a exposição prolongada ao frio aumenta a quantidade de monócitos devido à ativação do sistema nervoso simpático.
  • Ingerir alho: conforme dados de um estudo de 2002 publicado no African Journal of Biomedical Research, ratos alimentados com alho apresentam mais monócitos, neutrófilos e linfócitos do que os que não foram alimentados com alho no estudo.
  • Os níveis de monócitos podem ser elevados durante a menopausa e também podem estar associados aos níveis de leptina e ao abuso de álcool.

Considerações finais

Alterações nos monócitos podem indicar diversos problemas de saúde, mas nem sempre sintomas serão observados. Assim, vale ressaltar a importância de realizar um hemograma completo regularmente para que possíveis alterações sejam detectadas e diagnosticadas o quanto antes.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já foi diagnosticado com monócitos altos ou baixos demais? Quais foram as recomendações do seu médico? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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2 comentários em “Monócitos Altos ou Baixos Demais – O Que é? O que Fazer?”

  1. Olá Boa tarde eu fiz um hemograma completo no dia 14/7/20 e o meu Monocitos deu 1% eu ainda vou ao médico levar o resultado desse exame, posso depois falar aqui quais foram as recomendações do médico

  2. Boa tarde excelente artigo, mas queria realizar uma pergunta na minha ultima analise tinha as analises todas bem excepto o colestrol e os monocitos com 12% acima dos 10% devo ficar preocupado? Obrigado pelo esclarecimento