Monócitos Altos ou Baixos Demais – O Que é? O que Fazer?

Monócitos altos ou baixos demais podem indicar problemas de saúde e é importante monitorá-los com frequência para manter a saúde em dia. Se você verificou alguma alteração nos seus monócitos e não sabe o que fazer ou tem curiosidade sobre o assunto, continue lendo, pois vamos esclarecer suas dúvidas e explicar tudo sobre esse tipo de glóbulos brancos.

Os monócitos são os maiores glóbulos brancos presentes no nosso sangue. Eles são essenciais na defesa contra inflamações e contra germes invasores. Exames de sangue simples são capazes de medir os níveis de monócitos no sangue e verificar se está tudo dentro dos valores de referência adequados.

Monócito – O Que é?

Produzido principalmente na medula óssea junto com outras células sanguíneas, os monócitos são os glóbulos brancos encontrados em maior quantidade no sangue. Algo entre 2 e 10% dos glóbulos brancos encontrados no organismo são monócitos.

De acordo com uma pesquisa de 2008 publicada no periódico científico Contributions to Microbiology, os monócitos circulam pelo sangue por vários dias até entrarem nos tecidos, locais em que se tornam macrófagos – ou seja, células maiores que “ingerem” partículas nocivas ao corpo e eliminam micro-organismos e células mortas. Os macrófagos são as células mais importantes do sistema imunológico e auxiliam muito no combate a doenças.

Um estudo de 2011 publicado na revista Nature Reviews Immunology indica que eles são capazes de proteger o organismo contra os mais diversos tipos de infecções, incluindo as infecções bacterianas, virais, fúngicas e protozoárias. Por outro lado, outros estudos também sugerem que os monócitos podem estar envolvidos com o desenvolvimento de doenças inflamatórias como, por exemplo, a artrite e a aterosclerose.

Em um organismo saudável, os monócitos vivem uma média de 3 dias e depois disso sofrem o processo de apoptose (morte celular programada). Se o corpo estiver combatendo alguma inflamação, eles podem permanecer no sangue por mais tempo para ajudar no combate do problema.

Monócitos altos ou baixos demais

Os valores de referência considerados normais para os monócitos compreendem o intervalo entre 200 a 800 monócitos por microlitro de sangue (ou 0,2 a 0,8 x 109 monócitos por litro de sangue), o que representa algo entre 2 a 10% dos glóbulos brancos.

Quando os monócitos estão dentro desse intervalo, o risco de desenvolver problemas como obesidade, diabetes, infecções e doenças cardíacas é baixo. No entanto, quando são detectados monócitos altos ou baixos demais em um exame de sangue, a alteração pode ser um indicativo de certas doenças.

Causas de monócitos altos

Apresentar mais de 800 monócitos por microlitro de sangue significa que seus monócitos estão elevados – condição conhecida como monocitose. Existem muitas condições associadas a esse aumento anormal nos níveis de monócitos. Algumas delas são:

  • Obesidade;
  • Infecções;
  • Câncer;
  • AIDS;
  • Estresse;
  • Depressão;
  • Apendicite;
  • Tuberculose;
  • Pneumonia;
  • Doença hepática alcoólica;
  • Distúrbios sanguíneos;
  • Ataque cardíaco;
  • Doenças autoimunes;
  • Leucemia;
  • Trabalho de parto;
  • Sarcoidose.

Segundo artigo científico de 2013 publicado no Experimental Gerontology, a monocitose ocorre durante ou após uma infecção – como a tuberculose, a sífilis e a malária, por exemplo – ou inflamação crônica. Altos níveis de monocitose também podem estar associados a doenças como a diabetes.

Sintomas que podem surgir quando os níveis de monócitos estão muito altos incluem:

  • Dor;
  • Febre;
  • Inchaço.

Nem tudo é motivo de preocupação. Apesar de indicarem problemas de saúde, os monócitos altos na maioria das vezes estão lá para ajudar o organismo no processo de recuperação. Após um ataque cardíaco, por exemplo, os monócitos ajudam a remover células cardíacas danificadas ou mortas e promovem uma boa recuperação.

Assim, o aumento temporário de monócitos não é motivo de preocupação. O problema surge quando esses níveis ficam altos por tempo prolongado, indicando uma inflamação ou infecção mais grave e persistente.

Riscos de monócitos altos

Como já mencionado, os monócitos altos surgem como uma resposta a doenças infecciosas ou que desencadeiam processos inflamatórios no organismo.

Um estudo de 2010 publicado no periódico científico Cardiovascular Research indica que níveis muito altos de monócitos podem piorar problemas como a aterosclerose – condição em que há um endurecimento das artérias – podendo causar ataques cardíacos, derrames e insuficiência cardíaca. Isso ocorre porque os monócitos acabam se acumulando nos vasos sanguíneos, o que contribui para a ruptura de placas que obstruem o local.

De acordo com pesquisa publicada em 2012 na revista Mediators of Inflammation, os monócitos aumentam de forma significativa na diabetes, indicando que a presença desse tipo de glóbulos brancos pode induzir a inflamação em pessoas diabéticas.

Uma pesquisa de 2013 publicada no periódico Experimental Gerontology mostra que o aumento no número de monócitos pode ter relação com um risco mais alto de morte em idosos em casos de câncer e doenças cardiovasculares.

Causas de monócitos baixos

Baixos níveis de monócitos são conhecidos como monocitopenia. Nesse caso, o número de monócitos é menor que 200 monócitos por microlitro de sangue.

As condições associadas ao nível baixo de monócitos são:

  • Deficiência de vitamina B12;
  • Tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Anemia aplástica;
  • Leucemia;
  • Síndrome MonoMAC;
  • AIDS;
  • Terapia com corticosteroides;
  • Queimaduras graves;
  • Administração de INF-alfa e TNF-alta;
  • Artrite reumatoide.

Em geral, a monocitopenia não causa sintomas, mas podem ser observados alguns sinais como febre e fadiga.

Se nenhum sintoma ou doença for detectada, apresentar monócitos baixos não é ruim. Na verdade, de acordo com estudo publicado no periódico Vascular Health and Risk Management em 2008, níveis baixos de monócitos estão associados a um risco menor de problemas cardiovasculares.

Riscos de monócitos baixos

Uma baixa contagem de monócitos pode aumentar a suscetibilidade a infecções, o que significa que o corpo está mais fragilizado e pode ficar doente com mais facilidade.

Um artigo publicado na revista científica Blood em 2011 sugere que a monocitopenia pode estar associada a um risco maior de desenvolver distúrbios hematológicos, que são doenças que afetam o sangue como os linfomas, a leucemia mielomonocítica, a leucemia mielogênica aguda e a mielodisplasia.

Outro risco associado aos níveis baixos de monócitos é o desenvolvimento de câncer cervical. De acordo com pesquisa publicada no periódico Gynecologic Oncology em 2016, pacientes diagnosticados com imunodeficiência primária são mais suscetíveis a infecções graves do papilomavírus, que pode contribuir para o surgimento de um câncer cervical.

O que fazer?

Antes de qualquer coisa, é preciso que um médico avalie os resultados do exame e faça uma avaliação detalhada junto com outras informações obtidas em um hemograma e faça uma análise sobre a presença ou não de sintomas. A partir disso, será possível determinar se há uma doença que precisa ser tratada ou se a alteração de monócitos altos ou baixos é apenas temporária por causa de uma condição específica como a gravidez ou devido a infecções e inflamações passageiras como lesões ou resfriados, por exemplo.

Reduzindo os níveis de monócitos

Os monócitos altos tendem a ser reduzidos após o diagnóstico e o início do tratamento da condição subjacente.

Também há algumas medidas que o paciente pode tomar para ajudar nesse processo, que incluem:

– Praticar exercícios

Fazer exercícios regularmente promove um efeito anti-inflamatório no organismo. Dessa forma, os monócitos podem ser reduzidos de forma significativa com a prática frequente de exercícios físicos.

– Ingerir ácidos graxos do tipo ômega 3

O consumo de ômega 3 ajuda a proteger o corpo contra inflamações em geral e contra doenças como a aterosclerose e as doenças cardíacas. Um estudo de 2007 publicado no Journal of Nutrition atestou que pessoas que tomavam suplementos de óleo de peixe apresentavam menor risco de ter inflamações causadas por monócitos altos nas paredes dos vasos sanguíneos.

– Perder peso

Uma pesquisa publicada em 2014 na revista científica Cell Metabolism atestou que a perda de peso de pessoas obesas acompanhou uma redução na contagem de monócitos e neutrófilos no sangue. Além disso, também foi observada uma melhora na sensibilidade à insulina, o que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

– Adotar a dieta mediterrânea

A dieta mediterrânea é uma dieta anti-inflamatória que ajuda a proteger o corpo contra inflamações. Nessa dieta, os alimentos priorizados são os legumes, as frutas, os grãos integrais, as sementes, as nozes e as gorduras insaturadas.

Os níveis de monócitos também podem ser influenciados pelo uso de cortisol e glucocorticoides, de hormônios como o estrogênio e a progesterona e do agente imunossupressor infliximab.

Aumentando os níveis de monócitos

Algumas formas de elevar os níveis de monócitos para um nível mais adequado à saúde são:

– Fazer exercícios extenuantes

A prática de exercícios extenuantes pode aumentar os níveis de monócitos no sangue rapidamente, principalmente nos primeiros minutos de exercício. Porém, os níveis diminuem logo depois de a atividade ser finalizada.

– Frequentar uma sauna

Segundo estudo de 2013 publicado no Journal of Human Kinetics, a sauna aumenta os níveis de glóbulos brancos, incluindo os de monócitos. Isso acontece por causa do superaquecimento do corpo, que leva ao aumento de monócitos. No entanto, esse aumento é mais pronunciado em atletas ou pessoas que praticam exercícios físicos com regularidade.

– Tomar vitaminas

Um estudo publicado em 2014 no Central European Journal of Immunology mostra que a vitamina B12 aumenta a contagem de glóbulos brancos em ratos com deficiências proteicas.

Outros estudos também indicam que o uso de vitamina C pode inibir a morte programada de monócitos e que a vitamina D é capaz de aumentar o crescimento de monócitos, contribuindo para o aumento dos níveis de monócitos.

– Usar testosterona ou hormônio do crescimento

Injeções de testosterona em camundongos pode aumentar a quantidade de linfócitos, granulócitos e monócitos no sangue. Além disso, estudos mostraram que as injeções de hormônio do crescimento também podem aumentar as contagens de glóbulos brancos.

No entanto, a administração de hormônios deve sempre ser indicada e acompanhada por um médico devido ao risco de efeitos colaterais.

– Exposição ao frio

Em 2014, uma pesquisa publicada no periódico Biology of Sport indicou que a exposição prolongada ao frio aumenta a quantidade de monócitos devido à ativação do sistema nervoso simpático.

– Ingerir alho

Conforme dados de um estudo de 2002 publicado no African Journal of Biomedical Research, ratos alimentados com alho apresentam mais monócitos, neutrófilos e linfócitos do que os que não foram alimentados com alho no estudo. Os resultados indicam que o alho é capaz de aumentar a contagem total de glóbulos brancos.

Os níveis de monócitos podem ser elevados durante a menopausa e também podem estar associados aos níveis de leptina e ao abuso de álcool.

Considerações finais

Alterações nos monócitos podem indicar diversos problemas de saúde, mas nem sempre sintomas serão observados. Assim, vale ressaltar a importância de realizar um hemograma completo regularmente para que possíveis alterações sejam detectadas e diagnosticadas o quanto antes.

Também é válido lembrar que mudanças nos níveis de monócitos no sangue são normais e indicam que nosso sistema imunológico está funcionando corretamente e lutando contra agentes nocivos à saúde. Apenas um médico é capaz de analisar os resultados de uma contagem de monócitos e diagnosticar qualquer problema mais grave.

Referências Adicionais:

Você já foi diagnosticado com monócitos altos ou baixos demais? Quais foram as recomendações do seu médico? Comente abaixo!

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