Cisto no olho: 7 principais causas e o que fazer 

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  • O aparecimento de um cisto no olho costuma refletir uma inflamação por infecção ou obstrução do canal de uma glândula, mas também pode ser um tumor congênito, benigno ou maligno, presente desde o nascimento.
  • Os casos mais simples de inflamação e infecção tendem a se resolver sozinhos, e compressas com água morna ajudam a acelerar a cura; alguns casos exigem cirurgia por afetarem a visão ou causarem desconforto estético.
  • O terçol é uma infecção bacteriana na borda da pálpebra que causa dor e uma bolinha com pus, cicatrizando em cerca de uma semana, enquanto o calázio surge da obstrução de uma glândula sebácea, geralmente sem dor, levando de 2 a 8 semanas para se resolver.
  • A pinguécula é uma lesão amarelada na conjuntiva, mais comum após os 40 anos e associada à exposição a sol, poeira e vento, normalmente sem necessidade de tratamento.
  • Cisto dermoide, hidrocistoma e tumores benignos ou malignos da pálpebra são outras causas possíveis, com tratamento cirúrgico indicado conforme o tamanho, a localização e o risco de cada lesão.

O aparecimento de um cisto no olho quase sempre reflete um problema simples, relacionado com alguma inflamação causada por infecção ou obstrução do canal de alguma glândula. O cisto no olho também pode ser um tumor congênito, presente desde o nascimento, benigno ou maligno. 

Os casos mais simples de inflamação e infecção são resolvidos naturalmente e não requerem tratamento médico. Mas, o uso de compressas com água morna pode acelerar a cura desses cistos simples. 

Alguns casos necessitam de cirurgia, porque afetam a visão ou causam desconfortos estéticos. 

Cisto no olho
Existem várias causas para o cisto no olho

Veja quais são as principais causas de aparecimento de cisto no olho e o que fazer em cada situação. 

Terçol

O terçol é um nódulo que surge na margem da pálpebra, na parte externa ou interna do olho. Ele ocorre devido a uma infecção bacteriana que afeta uma glândula sebácea ou um folículo piloso presentes na borda do olho, causando inflamação. 

Quando um terçol interno persiste e não é resolvido pela ação do nosso sistema de defesa, ele pode evoluir para um calázio, como veremos adiante. Geralmente, o calázio não provoca dor, diferentemente do terçol que deixa o olho dolorido e com uma sensação áspera.

As pessoas notam que estão com terçol ao perceberem uma “bolinha” vermelha crescendo no olho, com o centro mais amarelado, evidenciando a presença de pus. Em aparência, o terçol lembra uma espinha. O olho afetado também pode ficar lacrimejante e mais sensível à luz. 

Nos três primeiros dias, o terçol externo vai aumentando de tamanho até que ele estoura e o pus é drenado. Em alguns casos, o terçol não estoura, mas é eliminado da mesma forma, pela ação do sistema imune. A cicatrização leva em torno de uma semana. 

O que fazer

Para acelerar o processo de cura do terçol, você pode fazer compressas com água morna, de 2 a 3 vezes ao dia, por 10 minutos, e massagear levemente a pálpebra. Fazendo isso, você alivia a dor e pode ter uma resolução mais rápida do terçol. 

Mantenha os olhos bem limpos, evitando o uso de maquiagens ou de lentes de contato.

É muito importante também ter em mente o que não fazer, por exemplo, não cutucar o terçol para acelerar a drenagem do pus, pois isso piora a infecção. 

Calázio 

O calázio pode ser resultado de um terçol interno não resolvido, que acumulou muito muco e, por isso, entupiu o canal de uma glândula sebácea. Mas é importante saber que calázio e terçol não são a mesma coisa. 

O terçol é resultado de uma infecção e, como tal, é resolvida pelo sistema de defesa em poucos dias. O calázio é causado por uma inflamação decorrente do entupimento do canal de uma glândula sebácea. Essa obstrução no canal leva à formação de um nódulo cheio de líquido, na parte interna da pálpebra superior ou inferior.  

O calázio também se resolve naturalmente, mas demora mais que o terçol, levando de 2 a 8 semanas. Esse problema geralmente não causa dor, mas causa lacrimejamento e uma leve irritação nos olhos. Com o crescimento do calázio, ele pode pressionar o globo ocular e isso deixa a visão embaçada. 

O que fazer

A recomendação de compressa com água morna feita para o terçol também é válida para tratar o calázio. Você pode fazer a compressa com gaze, assim não precisa lavar o pano a cada vez que fizer o procedimento, apenas descarte a gaze usada e utilize uma nova na próxima compressa. 

A água morna pode ajudar a desobstruir o canal entupido e facilitar a drenagem do líquido, além de aliviar a irritação causada pelo nódulo. A massagem na pálpebra também ajuda a estimular a drenagem e acelerar a resolução do problema. 

Se estiver com a visão muito prejudicada, procure um oftalmologista, pois ele pode indicar colírios e pomadas que vão ajudar a reduzir os sintomas e resolver o calázio mais rapidamente. 

Pinguécula

Pinguécula é uma pequena lesão amarelada que aparece na conjuntiva do olho, o tecido fino que reveste a parte branca dos olhos. Ela pode parecer uma mancha ou formar um pequeno nódulo. 

Pode se formar em qualquer idade, mas é mais comum em pessoas acima de 40 anos e idosos. Ela se forma bem próximo à córnea, a camada transparente que reveste a íris, a parte colorida dos olhos, e a pupila. 

Não se sabe ao certo porque as pinguéculas se formam, mas parecem ser resultado da mudança do tecido da conjuntiva, associada à exposição frequente à luz solar, poeira, vento e olhos secos. 

A pinguécula pode deixar o olho irritado, com uma sensação de areia nos olhos e também pode causar coceira e vermelhidão. 

O que fazer

Normalmente, a pinguécula não requer tratamento. Quando ela causa muito desconforto, o médico pode receitar colírios lubrificantes ou lágrimas artificiais para aliviar os sintomas. 

A pinguécula deve ser removida cirurgicamente quando ela avança sobre a córnea, pois isso afeta a visão. A cirurgia também é indicada quando a pinguécula causa extremo desconforto ao usar lentes de contato e quando fica constantemente inflamada, mesmo com o uso de colírios. 

Cisto dermoide

Dor no olho
O cisto dermoide é um nódulo benigno

O cisto dermoide no olho é um nódulo benigno, arredondado, liso e duro, que está presente desde o nascimento e cresce muito lentamente. O cisto pode se formar dentro da órbita ocular (profundo) ou ao lado do osso da cavidade ocular (externo, superficial). Esse tipo de tumor orbital é bem raro e, na maioria das vezes, externo. 

Como ele cresce lentamente, geralmente é identificado na primeira década de vida da criança, não sendo perceptível quando bebê. 

O que fazer

O tratamento do cisto dermoide orbital depende do tamanho, localização e das estruturas envolvidas. O cisto superficial pode ser tratado apenas com uma simples excisão cirúrgica estética. O cisto profundo pode exigir métodos mais invasivos, como a orbitotomia e, em casos raros, exploração intracraniana. 

Hidrocistoma

O hidrocistoma também é conhecido pelos nomes de cistoadenoma, cisto sudoríparo ou cistos da glândula de Moll. Trata-se de um tumor benigno na pálpebra, bem próximo aos cílios. Ele é causado pela obstrução de uma glândula sudorípara, que retém a secreção líquida e forma um cisto.   

O que fazer

A presença do hidrocistoma pode trazer incômodos relacionados à estética e, por isso, pode ser removido cirurgicamente. A remoção pode ser feita por excisão cirúrgica simples, cauterização, laser de CO₂ ou injeção de toxina botulínica do tipo A.  

Tumores benignos da pálpebra

São lesões parecidas com verrugas na pele da pálpebra, que aparecem como resultado da proliferação das células da pele e são mais comuns em adultos e idosos. 

Os tumores benignos são de crescimento lento e não apresentam ulcerações e sangramentos. 

Apresentam várias formas clínicas, podem ser sésseis, ou seja, fixos, ou pediculados, quando não são inteiramente fixos na pele, ficando preso apenas por uma pele bem fina. Têm consistência mole e podem ser isolados ou múltiplos. Normalmente, apresentam uma cor bem parecida com a da pele da pessoa. 

Os papilomas sésseis costumam ter a superfície mais lisa, e os pediculados, mais rugosa. 

O que fazer

O tratamento é cirúrgico, envolvendo remoção da verruga com fins estéticos. 

Tumores malignos da pálpebra

Os tumores malignos da pálpebra são lesões de crescimento rápido, que acometem mais os idosos, e são acompanhadas de ulcerações, vasos e perda de cílios. O tumor maligno palpebral mais comum é o carcinoma basocelular, cujo diagnóstico é confirmado por meio de uma biópsia. 

Geralmente, esse tumor afeta pessoas de pele clara, na faixa etária entre 50 e 80 anos e que se expuseram muito ao sol, ao longo da vida. 

O que fazer

O tratamento é cirúrgico, no qual o tumor é removido juntamente com uma pequena margem de segurança.

Fontes e referências adicionais

Você já teve um cisto no olho? Qual ou quais causas de cisto no olho você ainda não conhecia? Você faria a remoção cirúrgica de um cisto no olho com fins estéticos? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Haroldo Vieira Junior

Dr. Haroldo Vieira de Moraes Junior é Oftalmologista - CRM 380377 RJ. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1981. Em seguida concluiu Mestrado em Oftalmologia pela UFRJ em 1986 e Doutorado em Oftalmologia pela UFRJ em 1994. Pós-Doutorado no National Eye Institute do National Institutes of Health (NIH/NEI) durante 1998/1999 e Livre Docente em Oftalmologia pela UNIFESP (2001), atualmente é Professor Titular de Oftalmologia da UFRJ. Para mais informações, entre em contato com ele.