Por que OMS não mudou o limite diário de aspartame mesmo com preocupações com câncer?

atualizado em
Ver resumo
  • A OMS classificou o aspartame, adoçante presente em cerca de 6 mil produtos como refrigerantes diet, como possivelmente cancerígeno, mas manteve inalterada a recomendação sobre a quantidade segura de consumo.
  • A classificação foi feita pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, com base em três estudos que sugeriram uma possível ligação entre o adoçante e um tipo de câncer de fígado.
  • Segundo a especialista Mary Schubauer-Berigan, as evidências não eram fortes nem convincentes o suficiente, e a classificação serve mais como um apelo para que o aspartame seja mais estudado.
  • O limite seguro de consumo continua em 40 miligramas por quilo de peso corporal por dia, valor definido desde 1981, que funciona como teto máximo de segurança e não como uma recomendação.
  • Francesco Branca, diretor de nutrição e segurança alimentar da OMS, recomenda dietas menos doces, já que há evidências de que os adoçantes não ajudam as pessoas a perder peso.

O aspartame, um adoçante utilizado em versões diet e sem açúcar de alimentos, tem sido objeto de discussão em relação à sua segurança e possível associação com o câncer. 

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o aspartame como “possivelmente” causador de câncer, o que gerou preocupações e questionamentos sobre o seu consumo. Mas, a instituição não mudou a sua recomendação sobre a quantidade do adoçante que as pessoas podem ingerir.

Revisão da OMS e interpretação dos resultados

Refrigerante zero com cubos de gelo na mesa de madeira fundo preto.
O aspartame está presente em cerca de 6 mil produtos, incluindo refrigerantes como Coca Zero

Milhares de estudos científicos foram revisados por dois grupos de especialistas da OMS. No entanto, é importante compreender o que quer dizer a classificação “possivelmente cancerígeno” dada ao aspartame.

Afinal, essa designação pode causar medo e confusão. Porém, ela apenas significa que as evidências disponíveis sobre o tema não são convincentes.

Classificações da OMS quanto ao risco de câncer

O primeiro grupo a avaliar as evidências foram os especialistas em câncer da OMS: a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. A entidade trabalha com quatro classificações que agrupam diferentes substâncias em relação ao risco de câncer.

1. Causa câncer: cigarro, sol, álcool e radiação.

2. Provavelmente causa câncer: frituras, carne vermelha, trabalho noturno e inseticida DDT.

3. Possivelmente causa câncer: aspartame, fumaça de carros, chumbo e trabalhar como cabeleireiro.

4. Não há evidências: café, paracetamol, mercúrio e petróleo.

Em grande parte, o aspartame entrou na categoria “possivelmente cancerígena” devido a três estudos que sugeriram que pode haver uma ligação com um tipo de câncer de fígado. Porém, o termo “possivelmente” se refere somente à força das evidências científicas. Se elas fossem fortes, ele estaria em uma categoria acima.

Segundo Mary Schubauer-Berigan, da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, as evidências não eram de qualidade alta o suficiente ou convincentes o suficiente. Ela também apontou que isso é mais um apelo à comunidade de pesquisa para que o adoçante seja mais estudado.

Limites seguros

A Organização Mundial da Saúde e o Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da Organização para Agricultura e Alimentação são responsáveis por elaborar doses seguras.

A instituição avaliou os riscos de câncer e outros aspectos, como doenças cardíacas e diabetes do tipo 2, mas não encontrou motivos o suficiente para modificar a referência que perdura desde 1981. Com isso, os limites de aspartame considerados seguros permanecem em 40 miligramas por quilo do peso corporal, por dia.

Entretanto, é importante observar que esse valor não é uma recomendação, mas sim um limite máximo de segurança.

O conselho do  diretor do departamento de nutrição e segurança alimentar da OMS, Francesco Branca, é que as pessoas tenham uma dieta menos doce, cortando açúcar e adoçantes, e que as companhias produzam alimentos menos doces, porém saborosos.

De acordo com ele, há evidências de que os adoçantes não auxiliam as pessoas a perder peso. As informações são do G1.

Você consome muitos alimentos que contêm aspartame? Sabia da polêmica em relação ao adoçante? Comente abaixo!

Foi útil?

Deixe seu comentário

Sobre Equipe MundoBoaForma

Quando o assunto é saúde, você tem que saber em quem confiar. Sua qualidade de vida e bem-estar devem ser uma prioridade para você. Por isso contamos com uma equipe profissional diversificada e altamente qualificada, composta por médicos, nutricionistas e profissionais de educação física. Nosso objetivo é garantir a qualidade do conteúdo que publicamos, que é também baseado nas mais confiáveis fontes de informação. Tudo isso para que você tenha confiança no MundoBoaForma e faça daqui sua fonte preferencial de consulta para assuntos relacionados à saúde, boa forma e qualidade de vida.

Deixe um comentário

Avisamos por e-mail quando responderem ao seu comentário.