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- Cientistas classificaram o mesentério, estrutura do sistema digestivo antes vista como um ligamento fragmentado, como um novo órgão único e contínuo.
- A descoberta, publicada na revista The Lancet Gastroenterology and Hepatology após mais de seis anos de estudo, foi liderada por J. Calvin Coffey, do University Hospital Limerick, na Irlanda.
- O mesentério é uma dobra dupla do peritônio que une o intestino à parede do abdômen e o mantém no lugar, mas sua função específica ainda é desconhecida.
- Segundo os pesquisadores, entender essa função pode abrir caminho para novos estudos sobre doenças abdominais e novos métodos cirúrgicos no aparelho digestivo.
- Com a mudança, o ensino de medicina passa a incluir o mesentério na lista de cerca de 80 órgãos reconhecidos no corpo humano.
Os cientistas descobriram recentemente o que eles estão chamando de um novo órgão humano que existe no sistema digestivo.
Chamado de mesentério, o órgão anteriormente era considerado apenas um ligamento do aparelho digestivo, que consistia em estruturas fragmentadas e díspares. Os pesquisadores descobriram, no entanto, que ele é um órgão único e contínuo e reuniram evidências para classificá-lo como tal em uma revisão publicada em The Lancet Gastroenterology & Hepatology.
Ao fim de um estudo que durou mais de seis anos, os cientistas tratam esta como a mais nova descoberta no corpo humano.
“A descrição anatômica de 100 anos atrás era incorreta. Este órgão está longe de ser fragmentado; é uma estrutura simples, contínua e única”, afirmou J. Calvin Coffey, pesquisador do University Hospital Limerick, na Irlanda, responsável pela equipe que realizou a descoberta.
O mesentério é uma dobra dupla do peritônio, que é o revestimento da cavidade abdominal, que une o intestino com a parede do abdômen e permite que ele se mantenha no lugar.
Embora o funcionamento do aparelho digestivo não mude com a descoberta e a função específica do mesentério ainda seja desconhecida, a confirmação de que esta estrutura é efetivamente um órgão “novo” abre caminho para novos estudos sobre seu impacto em doenças abdominais e novos métodos cirúrgicos do aparelho digestivo.
“Podemos categorizar doenças digestivas relacionadas a este órgão”, exemplifica Coffey.
“Conhecer a função específica do órgão é o próximo passo. Se entendemos sua função, podemos identificar as anomalias, e estabelecer quando há uma doença, ou seja, quando o órgão passe a funcionar de modo anormal”, afirma Coffey.
Enquanto a pesquisa não é concluída, uma das mudanças imediatas, portanto, será no ensino da medicina, que passará a incluir o mesentério na lista dos quase 80 órgãos do corpo humano que conhecemos.
