A privação de sono, principalmente com a redução do descanso profundo, aumenta o risco de desenvolvimento de Alzheimer. A afirmação se deu em uma pesquisa feita nos Estados Unidos que associou dormir mal á atrofia do cérebro e ao risco aumentado de demência.

O estudo, publicado no periódico American Academy of Sleep Medicine, mostrou que não alcançar a fase REM do sono, associada aos sonhos e ao descanso mais profundo, leva à atrofia do hipocampo e das regiões entorrinal e pariental inferior do cérebro, zonas que são conhecidas como as mais vulneráveis ao Alzheimer, já que os acúmulos de proteínas tóxicas nelas levam à progressão mais rápida da demência.
“Nossos resultados fornecem evidências preliminares de que a redução da neuroatividade durante o sono pode contribuir para a atrofia cerebral, aumentando potencialmente o risco de Alzheimer”, explicou o neurocientista Gawon Cho, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, autor principal da investigação.
O experimento contou com a participação de 270 voluntários para a coleta de dados de saúde. Eles tiveram as noites de sono monitoradas e foram acompanhados ao longo de 13 anos para a avaliação dos impactos na saúde cerebral.
No entanto, uma limitação da pesquisa é que ela foi realizada apenas com pessoas brancas e a maioria delas tinha mais de 16 anos de educação formal, o que pode afetar os dados de memória obtidos.
Sono e saúde do cérebro
O tempo médio de sono de ondas lentas foi de 17,4%, enquanto o de sono REM de 21,5% do tempo dormido. O grupo com menos ondas lentas foi associado a volumes menores do cérebro, com uma diferença de 44,18 milímetros cúbicos de atrofia na região parietal inferior para cada ponto percentual a menos de repouso profundo.
Essa mesma região parietal apresentou perda de 75,4 milímetros cúbicos por cada ponto percentual de sono REM reduzido.
O índice de despertares não apresentou associação aos volumes das regiões vulneráveis à doença de Alzheimer nos testes realizados. Nenhuma das variáveis de descanso foi associada a micro-hemorragias cerebrais ou micro-hemorragias lobares neste grupo estudado.
Os autores destacam que, assim como a insônia traz impactos, aumentando o risco da doença de Alzheimer, melhorar o sono parece oferecer benefícios em igual proporção por meio da melhora nos hábitos de descanso, como manter uma rotina de horários, uma temperatura amena, evitar o uso de telas e de bebidas estimulantes nas horas anteriores a dormir.
“O repouso pode ser um fator de risco modificável para o Alzheimer e demências relacionadas, o que representa uma oportunidade para explorar intervenções que reduzam o risco ou retardem o início da doença”, concluiu Cho.
