‘Sono em U’: a curva perigosa que liga poucas ou muitas horas de sono a doenças do coração

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  • Estudos mostram que a relação entre horas de sono e saúde do coração forma uma "curva em U": tanto dormir pouco quanto dormir demais aumenta o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares.
  • O menor risco aparece entre quem dorme de sete a oito horas por noite, faixa em que o corpo mantém melhor controle da pressão arterial, da glicose e da inflamação.
  • Dormir menos de seis horas eleva a atividade do sistema nervoso simpático, a pressão arterial e os hormônios do estresse, favorecendo a aterosclerose mesmo em pessoas jovens.
  • Dormir mais de nove horas também é associado a maior risco cardiovascular, muitas vezes como sinal de depressão, sedentarismo, inflamação crônica ou apneia do sono, e não como causa direta.
  • Especialistas recomendam dormir de sete a nove horas, manter horários regulares e evitar telas, cafeína e álcool à noite, além de procurar avaliação médica em caso de ronco, apneia ou sonolência excessiva.

Dormir pouco faz mal ao coração, como já foi comprovado há anos pela ciência. Agora, cientistas descobriram que o sono prolongado também pode ser um sinal de risco.

Estudos populacionais e pesquisas com exames de imagem mostram que a relação entre o sono e a saúde cardiovascular segue uma curva em U. Isso significa que o risco de infarto, AVC e outras doenças cresce tanto entre quem dorme pouco quanto entre quem dorme em excesso.

No ponto mais baixo dessa curva, onde o risco é menor, aparecem de forma consistente as pessoas que dormem entre sete e oito horas por noite. É nesse intervalo que o organismo consegue manter melhor controle da pressão arterial, do metabolismo da glicose, da inflamação e do funcionamento das artérias.

O sono e a saúde cardiovascular

Muito além da alimentação e da realização de atividades físicas, a qualidade do sono também exerce um papel fundamental na saúde do coração. Um estudo de 2005 revelou que pessoas com apneia do sono não tratada apresentavam maior risco de infarto e AVC, evidência que levou a American Heart Association a incluir o sono entre os oito pilares da saúde cardiovascular em 2022.

Dormir menos de seis horas por noite aumenta a atividade do sistema nervoso simpático, eleva a pressão arterial, os hormônios do estresse e prejudica o controle da glicose, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose e aumentando o risco de doenças cardíacas, mesmo em pessoas jovens.

Por outro lado, dormir mais de nove horas também está associado a maior risco cardiovascular. Segundo especialistas, o sono prolongado costuma ser um sinal de problemas como depressão, sedentarismo, inflamação crônica ou apneia do sono, e não a causa direta das doenças. Além disso, está relacionado a níveis mais altos de inflamação, maior incidência de doenças crônicas e alterações que podem favorecer arritmias.

A qualidade do sono também é essencial. Acordar várias vezes durante a noite provoca repetidas ativações do sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão e fibrilação atrial. Já horários irregulares para dormir e acordar desregulam o relógio biológico, favorecendo inflamação e pior controle da pressão arterial.

Especialistas alertam que sintomas como ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, sonolência excessiva, cansaço ao acordar e insônia frequente devem ser investigados, pois podem indicar distúrbios do sono capazes de comprometer a saúde do coração.

Como manter o sono saudável para o coração

  • Evitar telas, cafeína e álcool à noite;
  • Dormir, em média, de sete a nove horas por noite;
  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Dormir em ambiente escuro, silencioso e confortável;
  • Procurar avaliação médica em caso de ronco, apneia ou sonolência excessiva.

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