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- Um estudo liderado pela Universidade de Cambridge, publicado na revista Nature Chemistry, mostrou que o colesterol presente no cérebro pode acelerar a formação de aglomerados de beta amiloide, ligados aos sintomas do Alzheimer.
- Segundo a pesquisa, o colesterol acelera em até 20 vezes a agregação da proteína beta amiloide, que forma as placas responsáveis por prejudicar a comunicação entre neurônios e causar falhas de memória.
- O colesterol cerebral é diferente do colesterol do sangue, já que o cérebro produz sua própria molécula de forma independente, e até 25% de todo o colesterol do corpo está concentrado nesse órgão, sendo essencial ao seu funcionamento.
- Por isso, os pesquisadores destacam que reduzir o colesterol do cérebro não é a solução, já que ele é necessário para o cérebro funcionar corretamente.
- O líder do estudo, Michele Vendruscolo, afirma que o próximo passo é entender como regular a interação do colesterol com a beta amiloide, e não eliminar o colesterol cerebral.
Um estudo marco, liderado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, revelou que o colesterol presente no cérebro pode desempenhar um papel fundamental na catalisação da formação de aglomerados beta-amilóide, considerado um mecanismo central que leva aos devastadores sintomas degenerativos da doença de Alzheimer.
A equipe internacional de pesquisadores começou a descobrir o que faz com que as proteínas beta-amiloides se agrupem nas placas que lentamente se acumulam e causam os principais sintomas degenerativos da doença de Alzheimer. Esses compostos se acumulam ao redor de neurônios e atrapalham a transmissão de um impulso nervoso para o outro, o que explica sintomas como as falhas de memória.
Embora conhecido como um agente ligado a doenças cardiovasculares, o colesterol é um composto muito importante, presente nas membranas que envolvem todas as nossas células. O colesterol presente no cérebro é fundamental para o órgão funcionar corretamente. Até 25% de todo o colesterol no corpo é encontrado no cérebro, e estudos mostraram que sem esse colesterol, nossos cérebros simplesmente não funcionam.
Como a barreira hematoencefálica geralmente impede o colesterol do sangue de entrar no cérebro, o órgão desenvolveu seus próprios processos para gerar a molécula independente do resto do corpo. Portanto, altos níveis de colesterol no sangue, que podem levar a problemas cardiovasculares, não se correlacionam necessariamente com altos níveis de colesterol cerebral.
A pesquisa foi publicada na “Nature Chemistry“, mas não é a primeira vez que a ciência faz a relação entre colesterol e Alzheimer: estudos anteriores já demonstraram que os mesmos genes que processam a gordura também desencadeiam a progressão da doença.
O novo estudo, no entanto, demonstrou que o colesterol contribui para que várias células da beta-amiloide fiquem juntas, favorecendo à formação das placas associadas à demência. Os pesquisadores relatam que a agregação de beta-amiloide é acelerada 20 vezes na presença de colesterol.
É claro que, devido à complexa interação entre a função cerebral e o colesterol, a conclusão aqui não é que simplesmente reduzir o colesterol cerebral protegerá a pessoa da doença de Alzheimer. Afinal de contas, o cérebro precisa de colesterol para funcionar efetivamente.
“A questão para nós agora não é como eliminar o colesterol do cérebro, mas como controlar o papel do colesterol na doença de Alzheimer através da regulação de sua interação com o beta-amiloide”, diz Michele Vendruscolo, líder da pesquisa. “Não estamos dizendo que o colesterol é o único gatilho para o processo de agregação, mas é certamente um deles”.
“Agora precisamos entender com mais detalhes como o colesterol é mantido no cérebro para encontrar formas de inativá-lo”, conclui o pesquisador.
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