Como as bebidas proteicas podem melhorar as condições de pessoas com demência, segundo novo estudo

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  • Um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, publicado na revista Alzheimer's and Dementia, avaliou 120 idosos de cerca de 86 anos que viviam em oito instituições de longa permanência perto de Estocolmo.
  • Durante 12 semanas, um dos grupos fez exercícios diários de sentar e levantar e recebeu duas bebidas de 125 ml com 18 g de proteína por dia, enquanto o outro grupo serviu apenas de comparação.
  • Entre os 66 participantes com diagnóstico de demência, quem passou pela intervenção precisou de apenas 55 minutos de cuidados por dia, contra 83 minutos do grupo de comparação, uma redução de 28 minutos.
  • Os pesquisadores classificaram essa diferença como clinicamente relevante e a associaram a situações de cuidado menos estressantes e mais tempo de comunicação com os residentes.
  • Os autores do estudo ressaltam que mais pesquisas são necessárias para confirmar os achados, já que fatores como idade e fragilidade dos idosos podem influenciar os resultados.

As bebidas enriquecidas em proteína não ajudam somente quem quer melhorar a aptidão. De acordo com um novo estudo do Karolinsk Institutet, na Suécia, o líquido também está ligado a uma melhora na capacidade física e menos necessidade de cuidadores de pacientes com demência.

Na pesquisa, publicada na revista científica Alzheimer’s and Dementia, foram acompanhados 120 voluntários de, em média, 86 anos. Eles viviam em oito instituições de longa permanência, como casas de repouso, na região de Estocolmo, capital sueca.

Os participantes foram divididos em dois grupos de 60 pessoas cada. O primeiro realizou uma intervenção, durante um período de 12 semanas, que envolvia exercícios simples de se sentar e levantar, realizados diariamente, preferencialmente quatro vezes ao dia. Eles eram feitos de forma integrada às atividades rotineiras dos voluntários e, quando necessário, era utilizada a ajuda de um cuidador.

Além disso, o primeiro grupo recebia duas vezes ao dia uma bebida de 125 ml contendo 18 g de proteína, o que correspondia a cerca de 300 calorias e a um quarto da ingestão diária do nutriente recomendada para os voluntários.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca que o ideal para indivíduos acima de 65 anos é buscar de 1g a 1,2g de proteína por kg de peso corporal. Entre idosos com doenças, sejam elas agudas ou crônicas, é indicado um pouco mais: de 1,2g a 1,5g de proteína por kg a cada dia.

O segundo grupo, por sua vez, foi acompanhado apenas para comparação. Idosos que não conseguiam se sentar e levantar, mesmo com apoio, que tinham doenças graves ou que já faziam uso de suplementos ricos em proteína não participaram do experimento.

Após o período de observação, os pesquisadores avaliaram, entre outros aspectos, o quanto de apoio dos cuidadores os participantes precisavam para tarefas como higiene, vestir-se e locomoção.

Não foram observadas diferenças estatisticamente relevantes entre o grupo que realizou ou não a intervenção. No entanto, ao avaliar especificamente os pacientes de instituições para pessoas com demência, foi constatada uma diferença significativa entre os que aderiram ao protocolo.

Ao todo, 66 participantes viviam nesses locais, ou seja, tinham um diagnóstico de demência, dos quais 37 realizaram a intervenção, e 29 foram acompanhados para comparação. Após os três meses, no entanto, houve uma redução no tempo dos cuidadores destinado ao grupo que passou pela intervenção, chegando a apenas 55 minutos por dia. Enquanto isso, o tempo dedicado aos outros voluntários foi de 83 minutos por dia, 28 a mais.

Os autores do estudo defendem que os achados mostram que “a intervenção combinada de exercícios físicos e suplementos nutricionais orais pode, além dos efeitos positivos nutricionais e funcionais, também reduzir o tempo de cuidado, especialmente entre residentes com transtornos cognitivos”.

Segundo os especialistas, essa diferença de 28 minutos “não é apenas estatisticamente significativa, mas também clinicamente relevante”. “Isso pode significar situações de cuidado menos estressantes e mais tempo para comunicação e apoio aos residentes”, completaram.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que são necessários mais estudos para confirmar essa relação. Eles pontuam que os idosos que viviam nas unidades que não eram destinadas a pacientes com demência eram significativamente mais velhos e apresentavam, em média, maiores riscos de sarcopenia (perda de massa muscular) e fragilidade, o que pode limitar sua capacidade de melhora.

Já os residentes das unidades de demência, embora tivessem menor função cognitiva, necessitavam de menos cuidados no início do estudo e, por isso, apresentavam, “possivelmente, um maior potencial de melhora da capacidade funcional”.

Anders Wimo, um dos autores do estudo, explica que os moradores das unidades de demência tinham melhores condições físicas para recuperar a capacidade funcional, o que permitiu que realizassem mais atividades de forma independente após a intervenção. Ele destaca, porém, que são necessários novos estudos para confirmar os resultados e avaliar o impacto de fatores como tempo de cuidado, número de profissionais e rotinas de trabalho.

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