Uma nova pesquisa sugere que até pequenas quantidades de álcool podem ser prejudiciais à saúde do cérebro.

O estudo, liderado pelas universidades de Oxford, Yale e Cambridge, não identificou efeito protetor do álcool no consumo leve a moderado. “Evidências genéticas não oferecem suporte para (sugerir) um efeito protetor. Na verdade, sugerem o oposto. Mesmo o consumo leve ou moderado de álcool pode aumentar o risco de demência”, afirmou a psiquiatra e autora principal do estudo, Anya Topiwala, em publicação feita pelo periódico BMJ Evidence-Based Medicine.
Quanto mais bebida, maior é o risco. Quem bebe de forma intensa (mais de 40 doses por semana) tem risco 41% maior de ter demência em relação a quem bebe de forma leve (menos de sete doses por semana). Já a dependência de álcool está ligada a um aumento de 51% no risco. Uma dose equivale, em média, a uma lata de cerveja (350 ml), uma taça de vinho (150 ml) ou uma dose de cachaça, uísque ou outros destilados (45 ml).
No entanto, pequenos aumentos também são significativos. Elevar o consumo de uma para três doses por semana, ou cinco para 16, foi associado a um risco 15% maior de desenvolver demência.
“Nossas descobertas não se aplicam apenas a pessoas com uma predisposição genética específica, mas também a qualquer pessoa que opte por beber. Nosso estudo sugere que um maior consumo de álcool leva a um risco maior de demência”, disse Stephen Burgess, estatístico da Universidade de Cambridge.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta que qualquer quantidade da substância tóxica faz mal à saúde. O consumo de álcool tem papel causal em mais de 200 doenças, lesões e outras condições de saúde.
Como o estudo foi feito
Os cientistas analisaram dados de mais de 559 mil pessoas, acompanhadas por até 12 anos, que faziam parte de dois grandes biobancos: o Million Veteran Programme, dos Estados Unidos, e o UK Biobank, do Reino Unido. Nesse período, 14.540 participantes desenvolveram demência.
Os pesquisadores investigaram as ligações entre a probabilidade geneticamente prevista de consumo de álcool e dependência de álcool em mais de 2,4 milhões de pessoas em 45 estudos individuais. Segundo os autores, essa abordagem ajuda a superar dificuldade em diferenciar a correlação de causalidade. As análises genéticas não comprovaram nenhum efeito protetor do álcool, como sugerido antes.
Ademais, o estudo teve limitações. A principal delas é que as análises tiveram maior poder para detectar efeitos em grupos europeus. Portanto, não é possível generalizar para outros grupos. Os diagnósticos de demência a partir de prontuários eletrônicos podem ter viés de apuração, ou seja, variar de acordo com a forma com que cada pessoa respondeu ao questionário.
Por fim, os autores reforçam que qualquer consumo de álcool está relacionado ao aumento do risco de demência. Eles indicam estratégias de saúde pública para a redução da prevalência da dependência de álcool que, consequentemente, poderiam diminuir a incidência de demência.








