De acordo com pesquisa publicada no The Conversation, cortar todo o açúcar da alimentação pode fazer mais mal do que bem. Em vez de melhorar a saúde metabólica, a eliminação completa do açúcar pode piorá-la.

Embora reduzir o consumo de açúcar adicionado continue sendo importante, especialmente em dietas ricas em ultraprocessados, uma restrição extrema pode prejudicar a saúde intestinal e o metabolismo.
Na pesquisa, camundongos alimentados com uma dieta totalmente livre de açúcar não ganharam peso, mas apresentaram alterações metabólicas importantes. A ausência de açúcares simples comprometeu bactérias benéficas do intestino, reduzindo a produção de compostos essenciais para a integridade da parede intestinal, a absorção de nutrientes e o controle da glicose e da insulina.
Com a perda dessas bactérias, microrganismos nocivos passaram a predominar, favorecendo o chamado “intestino permeável”, condição em que toxinas atravessam a barreira intestinal e provocam inflamação no organismo.
“Quando as bactérias benéficas morrem por falta de carboidratos simples, bactérias prejudiciais, mais adaptadas ao estesse, ocupam esse espaço. Essa mudança favorece o chamado intestino permeável (leaky gut). Nesse cenário, toxinas produzidas pelas bactérias nocivas atravessam a parede intestinal danificada, entram na circulação e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa do sistema imunológico”, diz Guy Guppy, professor de Nutrição Esportiva e Fisiologia do Exercício na Kingston University.
Os cientistas alertam que a pesquisa, realizada com roedores, acompanhou uma amostra extremamente pequena, de apenas seis camundongos por grupo. Ademais, os camundongos têm sistemas digestivos fundamentalmente diferentes dos humanos. Ainda assim, os resultados servem como um alerta para os possíveis riscos ocultos de dietas extremas.
Os pesquisadores destacam que o estudo não invalida a recomendação de reduzir o consumo de açúcar proveniente de alimentos ultraprocessados. Em vez disso, reforça que uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos fermentados (como kefir, chucrute ou iogurte com culturas vivas), fornece açúcares naturais, fibras e nutrientes que ajudam a manter um microbioma saudável e um metabolismo em bom funcionamento.
