Biópsia renal: quando é indicada, como é feita e complicações

Especialista da área:
atualizado em 27/05/2022

A biópsia renal é um exame em que se retira um pequeno fragmento do rim, para ser analisado em microscópio. Ele é feito para diagnosticar doenças do rim, que não puderam ser identificadas com outros exames. Além disso, o exame é útil para avaliar a resposta da pessoa a um tratamento ou a um transplante renal. 

Existem duas formas de se fazer uma biópsia renal, por intervenção percutânea ou cirúrgica. A primeira é a forma mais comum e menos invasiva, realizada com a inserção de uma agulha especial nas costas, guiada por ultrassom ou tomografia. Na segunda, é feita uma incisão na pele, para retirada da amostra. 

  Continua Depois da Publicidade  

A biópsia renal percutânea não é indicada para pessoas que tenham apenas um rim, estejam com alguma infecção, tenham algum problema de coagulação do sangue ou que possuam um rim policístico.  

Existem problemas que afetam os rins que podem ser diagnosticados e esclarecidos com exames de sangue, urina e de imagem, outros só podem ser identificados com a biópsia renal. 

Veja quando a biópsia renal é indicada, como ela é feita e quais são as possíveis complicações. 

Quando a biópsia renal é indicada

Dor nos rins
Existem algumas condições em que a biópsia renal é indicada

Na presença de sintomas persistentes de insuficiência renal aguda e de proteína ou sangue na urina, de origem desconhecida, o médico ou médica nefrologista pode solicitar a realização de uma biópsia renal. 

A biópsia renal também é indicada após a realização de um transplante renal para avaliar o funcionamento do órgão e verificar uma possível rejeição.  

  Continua Depois da Publicidade  

Outra situação em que a biópsia renal é indicada é quando a pessoa chega ao consultório com uma queixa e nenhum outro tipo de exame laboratorial e de imagem consegue fornecer as informações necessárias para o diagnóstico. 

A biópsia renal também é importante para a tomada de decisão quanto ao tratamento que será aplicado à pessoa, pois permite averiguar a extensão do comprometimento renal, auxiliando na escolha da melhor abordagem terapêutica. 

Alterações em resultados de exames laboratoriais também podem justificar a biópsia renal: 

  • Proteinúria: é a eliminação de quantidades elevadas de proteína, maiores do que 1 ou 2 gramas por dia, na urina. Essa condição pode ser causada por diversas doenças como diabetes, lúpus, sífilis e hepatite viral.
  • Hematúria: sangue na urina de causa desconhecida.
  • Suspeita de glomerulonefrite: é a inflamação dos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtração do sangue e produção de urina nos rins. 
  • Insuficiência renal aguda e de causa indeterminada, ou crônica.
  • Alterações de creatinina: principalmente quando é de causa desconhecida e acompanhada de proteinúria e hematúria.
  • Lúpus: quando há sinais de que a doença afetou os rins. 

Quanto à aplicação na avaliação de tratamentos, a biópsia renal é indicada para:

  • Esclarecer, com detalhes, os motivos pelos quais a pessoa está melhorando ou piorando com o tratamento aplicado. 
  • Verificar a extensão da lesão no rim, decorrente de uma doença no órgão.
  • Investigar o motivo por que o rim transplantado não está funcionando como deveria e, a partir disso, pensar numa forma de tratamento. 

A biópsia renal não é indicada em casos em que já se sabe a origem do comprometimento dos rins, por exemplo, quando a pessoa já convive com a diabetes há muito tempo. 

A biópsia renal também não é indicada para investigação de tumores. Se um tumor apareceu nos exames de imagem, o procedimento indicado é a cirurgia para retirada do tumor e avaliação de suas células. 

  Continua Depois da Publicidade  

Pode acontecer de, no exame, ser retirado justamente um fragmento do rim que não apresenta alterações e, portanto, não contribui para o diagnóstico. Nesse caso, é necessário repetir o exame, retirando-se um fragmento de outra região. 

Possíveis diagnósticos após uma biópsia renal

Com o resultado da biópsia é possível confirmar o diagnóstico de algumas doenças, como:

  • Nefrite lúpica: no lúpus eritematoso sistêmico, o sistema imunológico pode atingir os órgãos internos, incluindo os rins. Esse processo autoimune causa inflamação e lesões nos vasos responsáveis por filtrar as toxinas do organismo. 
  • Glomerulonefrite: inflamação dos glomérulos, com prejuízos à filtração do sangue e produção de urina.
  • Insuficiência renal aguda e crônica: incapacidade dos rins de filtrar o sangue, para eliminar as substâncias tóxicas para o organismo. Isso causa o acúmulo de produtos tóxicos, líquidos e sais minerais no organismo.  

Como é realizada a biópsia renal?

Rins
É fundamental fazer uma preparação correta para o exame e ter cuidados após o mesmo

A biópsia renal é um exame rápido, que dura em torno de 30 minutos, e é feito no hospital, com anestesia local em adultos ou sedação, em crianças. Após o exame, a pessoa deve permanecer no hospital, para observação por 12 horas, a fim de reduzir os riscos de sangramento. 

Antes do exame

Antes do exame, é fundamental fornecer algumas informações ao seu médico ou médica:

  • Se está grávida
  • Se tem alguma doença nos pulmões ou no coração
  • Se tem alergia a algum medicamento ou substância
  • Se está tomando algum medicamento anticoagulante, como a varfarina, heparina e clopidogrel. 

Na semana que antecede o exame, você não deve tomar aspirina ou anti-inflamatórios, como ibuprofeno e naproxeno. 

Também é necessário realizar alguns exames antes da biópsia renal, como a ultrassonografia renal, com o objetivo de verificar a presença de nódulos ou cistos que podem ser perfurados no momento do exame. 

  Continua Depois da Publicidade  

O ultrassom também permite identificar se a pessoa possui apenas um rim. Nesse caso, a biópsia renal não pode ser feita por via percutânea, somente por cirurgia, de modo a não perfurar o órgão. 

Exames de sangue e de urina também devem ser feitos antes da biópsia, para se certificar de que a pessoa não está com uma infecção urinária e avaliar a sua capacidade de coagulação. 

Durante o exame

Primeiramente, um radiologista intervencionista localiza o rim usando um ultrassom, com a pessoa já deitada de barriga para baixo. 

O médico ou médica, então, faz a assepsia da pele e aplica a anestesia no local onde a agulha da biópsia será inserida. 

A agulha de biópsia é inserida na região lombar, abaixo da última costela, guiada por ultrassom. Ela é acionada para puxar um fragmento do tecido renal, procedimento que é repetido, para se obter duas amostras. 

Após o exame

Quando o efeito do anestésico passa, a pessoa sente uma dor ou um desconforto no local da punção, que pode durar alguns dias. 

A pessoa que passou pela biópsia renal fica em observação por 12 horas no hospital, para a cicatrização do local e para evitar sangramentos. 

Deve-se evitar atividades físicas intensas, esporte de contato e relação sexual nas duas semanas após o exame.  

Possíveis complicações da biópsia renal

A principal complicação que pode ocorrer após uma biópsia renal percutânea é o sangramento, visto que não há como fazer um curativo no rim, nesse tipo de exame. 

A maioria dos pacientes, 95%, apresenta sinais de sangue na urina após o exame, mas em quantidade aceitável. 

Em torno de 3 a 5% apresentam sangramento mais intenso, necessitando de transfusão de sangue. Uma parcela menor, 0,5%, necessita de cirurgia para conter a hemorragia e uma parcela ainda menor, 0,3%, precisa retirar o rim para estancar o sangramento. 

Fontes e referências adicionais

Você sabia que havia duas formas de se fazer uma biópsia renal? Qual método de biópsia renal você achou mais seguro? Comente abaixo!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (2 votos, média 5,00)
Loading...
Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

Deixe um comentário