Mesmo que usadas de maneira adequada, as embalagens ainda assim contaminam a comida com microplásticos. O simples movimento de abrir uma garrafa plástica, esquentar o almoço em um pote no micro-ondas ou cortar ingredientes em uma tábua de plástico libera pequenas partículas invisíveis que acabam ingeridas.

O alerta vem de uma revisão científica publicada na revista npj Science of Food. O trabalho analisou 103 estudos sobre contaminação de alimentos por micro e nanoplásticos (MNPs) e descobriu que as partículas são liberadas esmo em situações de uso comum, ou seja, quando as embalagens e utensílios plásticos são utilizados conforme foram projetados e recomendados pelos fabricantes.
Liderados pela bióloga Lisa Zimmermann, do Fórum de Embalagens de Alimentos, na Suíça, os autores afirmam que 96% das amostras avaliadas apresentaram a presença de MNPs.
Os dados foram extraídos de artigos que estudaram desde embalagens até utensílios como mamadeiras e tigelas reutilizáveis Pesquisas iniciais sugerem possíveis associações com problemas cardiovasculares. Um deles, de 2023, mostrou que pacientes com doenças cardíacas e altos níveis de microplásticos nas artérias tinham risco aumentado de morte.
No entanto, os efeitos dessas partículas no organismo ainda não são totalmente compreendidos.
A pesquisa também percebeu que alimentos ultraprocessados tendem a conter mais microplásticos do que os minimamente processados. Isso se deve ao maior contato com equipamentos plásticos ao longo da cadeia de produção.
No caso de utensílios reutilizáveis, como tigelas de melamina, a quantidade de partículas liberadas aumenta com o uso repetido e lavangens sucessivas.
Prevenção
Ainda existem muitas dúvidas, mas os cientistas defendem que é necessário adotar uma abordagem preventiva desde já. Eles defendem como prioridade a redução da exposição da população aos microplásticos, o que inclui rever o uso de embalagens plásticas em larga escala no armazenamento e preparo de alimentos.
O grupo também criou um painel online com dados da pesquisa, a fim de ampliar o acesso à informação. A ferramenta permite consultar quais tipos de plásticos e embalagens mais liberam partículas, organizando as informações por material e forma de uso.
“A contribuição dos artigos plásticos em contato com alimentos para a exposição humana a MNPs ainda não está clara e justifica uma investigação mais aprofundada”, concluem os pesquisadores.








