Estiramento muscular

Estiramento Muscular – O Que é, Melhor Tratamento e Dicas

Os músculos executam um papel importante no nosso corpo. Eles são feitos de milhares de fibras musculares e estão ligados aos tendões e ossos que permitem os nossos movimentos, e quando funcionam adequadamente, têm a função de contrair. Os músculos são comandados por sinais elétricos, que ocorrem quando decidimos nos levantar e caminhar ou para suportar outra função do corpo, como respirar.

Um estiramento muscular pode ocorrer durante os exercícios e às vezes em atividades simples diárias. Abaixo, falaremos sobre o estiramento muscular, o que é, qual o melhor tratamento e dicas importantes.

Estiramento muscular – O que é?

Um estiramento muscular é o alongamento ou ruptura de fibras musculares. A maioria acontece porque o músculo foi esticado além de seus limites ou foi obrigado a se contrair com muita força. O estiramento geralmente é classificado como uma lesão leve, em que as fibras musculares são esticadas ou rasgadas, mas o músculo permanece intacto e forte. Isso significa que apenas algumas fibras musculares foram afetadas e mesmo que o músculo lesionado esteja sensível e dolorido, ele tem força normal.

Todos os músculos estão sujeitos a sofrer um estiramento, porém alguns estão mais propensos a este tipo de lesão, como músculos da virilha, os posteriores da coxa, os músculos da panturrilha, musculatura interna da coxa e o músculo anterior da coxa.

Áreas e tipos mais comuns de estiramento muscular

O fato de a perna ter muitos músculos diferentes a torna vulnerável a vários tipos diferentes de estiramento muscular. Alguns dos mais comuns são:

  1. Panturrilha: É comum que o músculo da panturrilha fique contraído quando o pé subitamente se inclina para cima, mas pode acontecer do alongamento puxar o músculo da panturrilha além de seus limites, causando um estiramento.
    Pessoas que passam por essa condição afirmam ouvir ou sentir um estalo dentro da panturrilha, que é o som do músculo rasgando ou se afastando do tendão. Elas são comuns em atletas, especialmente tenistas e corredores, mas também podem acontecer durante um simples passeio, se o seu pé flexionar para cima quando você entrar em um buraco na calçada ou se o seu calcanhar deslizar para fora da borda de um meio-fio.
  2. Plantar: O plantar é um músculo fino que começa na extremidade inferior do fêmur, estende-se através da articulação do joelho e se liga à parte de trás do calcanhar, juntamente com o tendão. Um estiramento nesse músculo pode não afetar seriamente a função do joelho, porque ele não contribui muito com os movimentos para flexionar o joelho. Porém, se a lesão for severa, pode causar dor significativa, geralmente na parte de trás da panturrilha.
  3. Estiramento dos isquiotibiais: Eles são músculos longos que se estendem pela parte posterior da coxa. Como os isquiotibiais trabalham para puxar a perna para trás e dobrar o joelho, eles podem ser feridos durante a corrida, chutes ou saltos. É possível sentir um estalo, geralmente na parte de trás da coxa, quando o músculo se rompe.
  4. Estiramento do quadríceps: O quadríceps é composto de muitos músculos na frente da coxa que endireitam o joelho. Um estiramento do quadríceps é uma lesão comum em atletas, mas também pode ocorrer durante uma corrida ou exercício intenso. A dor geralmente é sentida na frente da coxa, como um puxão na virilha, se a ruptura for bastante alta no músculo.

Causas

A maioria dos estiramentos musculares acontece porque o músculo foi esticado além de seus limites ou foi obrigado a se contrair com muita força. Entretanto, alguns fatores podem interferir, como o fato de não se aquecer adequadamente antes da atividade física, ter pouca flexibilidade, condicionamento físico deficiente e esforço excessivo.

Os estiramentos também podem acontecer a partir de uma caminhada em que você escorrega ou perde o equilíbrio, ao saltar, correr, no movimento de jogar alguma coisa, levantar algo pesado enquanto estiver em uma posição desconfortável, etc.

Sintomas

  • Presença de dor durante as atividades que envolvem o músculo afetado, por exemplo, andar, subir ou descer escadas, sentar e levantar, chutar.
  • Sensação de puxão com o alongamento do músculo afetado, por exemplo, de calcanhar para baixo.
  • Inchaço, contusões ou sensibilidade nas coxas.
  • Escutar um “estalo” no momento da lesão, o que pode indicar uma ruptura importante.

Diagnóstico

Um profissional realizará um exame físico para identificar sinais. Se uma avaliação adicional for necessária, será recomendada uma ultrassonografia ou uma ressonância magnética pode ser usada para confirmar a localização e a gravidade da lesão.

Melhor tratamento

O período entre 48 a 72 horas após a lesão é classificado como o período inflamatório. Isso acontece porque os produtos químicos liberados do tecido danificado fazem com que os vasos sanguíneos se abram e vazem sangue e líquido para a área circundante. Esta é a principal razão para inchaço e dor imediatamente após um estiramento muscular. Um medicamento anti-inflamatório de venda livre, como o ibuprofeno ou acetaminofeno, pode ajudar a manter a dor e o inchaço controlado.

Um “protocolo” chamado RICE também é recomendado pela Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. Significa repouso, gelo, compressão e elevação para iniciar um tratamento de recuperação.

– Repouso

A realização de atividades nos estágios iniciais da cura impedirá que o músculo se recupere adequadamente. Permanecer em repouso e elevar o membro lesionado também ajuda. Evite todas as atividades que envolvem o fortalecimento da parte inferior do corpo, como agachamentos, corrida ou saltos.

– Gelo

O gelo ajuda a reduzir o fluxo sanguíneo, o que pode reduzir significativamente a inflamação e o inchaço que causam dor. Ele pode reduzir temporariamente a atividade nervosa, o que ajuda consideravelmente na dor. Para tratamento em casa, aplique uma compressa de gelo envolvida em uma toalha ou banho gelado na área afetada. Nunca aplique o gelo diretamente na pele, pois pode causar danos à pele e aos tecidos. Em caso de lesões, seja rápido, e aplique imediatamente.

Aplicar o gelo ou uma terapia fria deve ser feito nas primeiras 72 horas após a lesão. Aplique o gelo por 10 minutos a cada hora, reduzindo inicialmente a frequência à medida que os sintomas melhorem. Isso ajudará a interromper o sangramento interno e o inchaço e, com sorte, limitará a extensão da lesão. Após a fase aguda inicial, o tratamento dependerá da gravidade da lesão.

– Compressão

Se perceber que a região onde aconteceu o estiramento muscular está inchada ou vermelha, você pode aplicar uma compressão para controlar o inchaço. Uma bandagem elástica ao redor da área inchada ou uma manga de compressão que cubra a parte superior da perna pode ajudar a reduzir os sintomas.

– Elevação

Elevar a perna sempre que possível vai contribuir com a diminuição da dor e também do inchaço. Procure apoiar a perna em um travesseiro enquanto está deitado na cama ou no sofá. O principal motivo de elevar o estiramento é ajudar a gravidade a afastar o fluido do local da lesão.

Após o período de 72 horas e por até 6 semanas depois que a resposta inflamatória inicial ocorrer, é hora de seus tecidos começarem a reconstrução. A recuperação total pode levar até seis semanas ou mais. Em um quadro de estiramento muscular, a melhora já pode ser percebida após uma semana ou duas de descanso.

Investir em pequenos tratamentos para uma melhora gradual é benéfico. Por exemplo, antes de alongar, aplique uma compressa quente e úmida na área por 15 a 20 minutos, pois isso aquecerá os músculos. A partir daí, alguns alongamentos suaves para as pernas e quadris podem ser feitos. Vá aumentando gradualmente e tomando cuidado para evitar movimentos bruscos. Não ultrapasse o ponto de dor. Isso poderá ser feito por duas a três vezes por dia.

Movimentos para fortalecimento, como extensões de pernas sentado ou agachamentos na parede também são favoráveis. Esse trabalho ajudará a fortalecer a região machucada e a evitar lesões quando voltar à atividade completa.

Tempo de recuperação

O tempo de recuperação pode variar, mas geralmente a melhora acontece em poucos dias. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem totalmente ou melhoram em 8 a 10 semanas.

Quando não sentir mais dor e puder se mover com facilidade, significa que você está recuperado. O segredo é retornar lentamente às atividades e não sobrecarregar seus músculos.

Quando buscar ajuda profissional

  • Ouviu ou sentiu um estalo no músculo no momento da lesão.
  • Dor intensa, inchaço ou descoloração no músculo lesionado.
  • Dificuldade de mover a região em comparação com o mesmo músculo do lado oposto do corpo.
  • Sintomas musculares leves que não melhoram após 48 horas.
  • Após o tratamento aplicado por duas semanas, os sintomas não melhoram.
  • Febre ou calafrios.
  • Dor ou sensação de queimação quando você urina.
  • Fraqueza súbita, dormência ou formigamento em uma perna.
  • Dormência na virilha ou no reto.
  • Dificuldade em controlar a função da sua bexiga ou intestino.

Dicas para prevenir um estiramento muscular

Prevenir uma lesão no músculo é sempre o melhor caminho. Adotar alguns hábitos pode diminuir as chances de forçar o músculo, evitando assim complicações desnecessárias. Veja algumas dicas:

  1. Dê ouvidos ao seu corpo: Sentiu dor? Não ignore essa condição. É claro que um pouco de dor pode acontecer, mas se ela for constante e consistente em um músculo, mesmo após um período de descanso, isso pode significar algum problema.
  2. Crie um plano de atividades: Se for possível, antes de iniciar uma rotina de atividades esportivas fale com um profissional. Ele será capaz de ajudá-lo a criar um programa de treinamento que esteja alinhado com suas habilidades atuais de condicionamento físico e metas de longo prazo.
  3. Invista no aquecimento e alongamento: O estiramento muscular pode ser provocado pelo alongamento inadequado. Então, antes e depois de correr ou praticar outras atividades, procure alongar bem os músculos, especialmente a panturrilha, isquiotibiais, virilha e quadríceps. Também é válido realizar um aquecimento por cinco minutos. A caminhada, por exemplo, pode ajudar.
  4. Adicione o treino de força: Adicione treinamento de peso e exercícios abdominais ao seu plano de atividades. Esse tipo de treino ajuda a fortalecer os músculos e desenvolver a força.
  5. Faça um treino cruzado: Além de correr, você pode nadar, caminhar, andar de bicicleta, jogar vôlei, basquete, tênis ou alguma outra atividade. Isso vai ajudar a evitar lesões provocadas por excesso de uso do que ocorrem mais comumente quando você faz o mesmo tipo de exercício várias vezes.
  6. Utilize roupas adequadas: Roupas apropriadas para práticas esportivas são respiráveis, absorvem a umidade da pele e podem ajudar a evitar acidentes, impedindo que você escorregue ou não consiga realizar os movimentos.
  7. Utilize um calçado adequado: Use meias e calçados apropriados e que ofereçam o suporte adequado para o seu tipo de atividade. Eles também devem estar em perfeito estado, para evitar que problemas aconteçam.
  8. Condições climáticas: Monitore as condições ideais antes de realizar as atividades. Evite o calor excessivo, frio, umidade alta e chuva. Essas condições podem te colocar em risco. Por exemplo, se a área de corrida estiver molhada, pode acontecer um escorregão e um estiramento por esse motivo. Não esqueça também de beber água para reabastecer os eletrólitos perdidos no suor.

Todos estão sujeitos ao estiramento muscular, embora ele seja mais frequente em atletas e pessoas que realizam atividades físicas. A prevenção é sempre a melhor opção, mas se ele já aconteceu a melhor forma e permitir que o seu corpo tenha o tempo necessário para se recuperar. O tratamento adequado permite que a maioria das pessoas se recupere completamente. A recuperação é ainda mais eficaz quando medidas para evitar a mesma lesão são tomadas, então evite atividade física extenuante até que o estiramento muscular esteja curado. Siga também as dicas para evitar novas lesões.

Referências adicionais:               

Você já sofreu algum estiramento muscular? Em que parte do corpo? Como foi o tratamento e em quanto tempo conseguiu a recuperação? Comente abaixo!

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Revisão Geral pela Dra. Patrícia Leite - (no G+)



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