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- Um estudo publicado no periódico JNeurosci mostrou que caminhar muda a forma como o cérebro processa os sons do ambiente, gerando respostas auditivas mais fortes do que quando a pessoa está parada.
- A pesquisa, conduzida por Liyu Cao (Zhejiang University) e Barbara Händel (Universidade de Würzburg), monitorou o cérebro de 30 voluntários enquanto eles caminhavam em um circuito em formato de oito ouvindo sons contínuos.
- Ao fazer uma curva, o cérebro ampliava e depois suprimia as respostas ao som vindo do lado da curva, o que pode indicar uma mudança de atenção auditiva durante o movimento.
- Rajadas de som inesperadas provocaram reação cerebral mais intensa durante a caminhada, sugerindo que o cérebro filtra ruídos previsíveis, como os próprios passos, e fica mais sensível a estímulos novos.
- Além desse efeito na audição, a caminhada traz benefícios como melhora da circulação, fortalecimento cardiovascular e apoio à saúde mental, sendo recomendada de três a cinco vezes por semana, por 30 a 60 minutos.
Cientistas descobriram que fazer caminhadas pode alterar com o cérebro reage aos sons do ambiente. Foram registradas respostas mais fortes ao estímulo auditivo durante a locomoção em comparação a quando participantes voluntários do estudo estavam parados.

Os resultados foram divulgados recentemente no periódico JNeurosci. O experimento foi realizado por Liyu Cao, da Zhejiang University, na China, e Barbara Händel, da Universidade de Würzburg, na Alemanha.
Para chegarem aos resultados, trinta pessoas andaram em um circuito no formato de um oito enquanto ouviam sons contínuos, com monitoramento cerebral em tempo real. As análises mostraram que se movimentar gera ajustes que remodelam a atenção auditiva, com o cérebro gastando mais energia para capturar estímulos de sons.
O cérebro reage tanto á intensidade dos sons quanto ao deslocamento do corpo no espaço. “Quando as pessoas faziam uma curva para a direita, as respostas a sons vindos do ouvido direito eram ampliadas no início da curva e depois suprimidas, em relação às respostas do ouvido esquerdo. Isso pode refletir uma mudança de atenção durante as curvas”, declara Cao em comunicado à imprensa.
O estudioso acrescenta que os ajustes indicam que caminhar reorganiza o foco auditivo de forma dinâmica, conforme a direção tomada.
Na etapa seguinte, rajadas de sons quebraram o padrão estável que vinha sendo registrado. A reação do cérebro foi mais intensa durante a caminhada, no entanto, só quando os estímulos sonoros atingiram um ouvido de cada vez.
“Isso pode refletir uma operação de filtragem do cérebro, que pode suprimir ativamente sons de fundo previsíveis, como os próprios passos, ao mesmo tempo em que aumenta a sensibilidade a sons inesperados vindos do lado. Isso pode permitir tempos de reação mais rápidos e navegação mais segura em ambientes dinâmicos. Também pode sugerir que nosso sistema auditivo parece otimizado para detectar novidades e desvios durante o movimento”, explica Cao.
Por fim, o estudo sugere que o corpo em movimento molda como o cérebro seleciona sons do ambiente. A pesquisa mostra que andar não apenas desloca o corpo, mas também redefine a atenção auditiva passo a passo.
A caminhada reúne uma série de benefícios, como a melhora da circulação sanguínea, fortalecimento do sistema cardiovascular, auxílio no controle do peso corporal e promoção à saúde mental. Este exercício físico de baixo impacto pode ser praticada por praticamente qualquer pessoa e promove a saúde e qualidade de vida. A recomendação é praticar a caminhada de três a cinco vezes por semana, pelo período de 30 a 60 minutos.
