Nicotina Faz Mal? Adesivos, Efeitos e Dicas

Especialista:
atualizado em 17/10/2019

Todos sabem, leigos e especialistas, que a nicotina faz mal, pois vicia. Porém, na comunidade científica se acirrou o debate sobre a possibilidade de ela ser benigna, assim como uma dose de cafeína, que ingerimos pela manhã. Está sendo exigido um posicionamento sobre a diferença entre a nicotina e o hábito de fumar, por parte de psicólogos e especialistas no vício do tabaco, e também de grandes laboratórios.

A discussão surgiu com o aparecimento de tratamentos de substituição da nicotina, em adesivos, que suprimem os cigarros. Muitos consideram que o consumo da nicotina em si seja menos pior do que fumar. As evidências mostram que o cigarro é pior que a nicotina, eles dizem. “A nicotina não é o demônio que parece ser” disse Ann McNeill, professora do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College, em Londres.

Além dos adesivos, existem os chicletes de nicotina, e agora cigarros eletrônicos, que liberam a nicotina em forma de vapor. E as pessoas que utilizam esses produtos não acham que a nicotina faz mal, nem se consideram viciados. Médicos no mundo inteiro concordam, afirmando que ao abandonarmos o cigarro, removemos os riscos de saúde causados por esse hábito em 90%.

Fumar mata a metade dos fumantes – e prejudica mais 600.000 fumantes passivos por ano – e no final do século, morrerão um bilhão de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde. A nicotina vicia, mas poucos acreditam nisso. A forma como ela age nas pessoas está intimamente ligada à velocidade que é enviada para o cérebro, que é mais rápida do que uma injeção intravenosa.

A Nicotina faz mal?

A nicotina pura pode ser letal, em quantidades suficientes. Existem evidências de que pode alterar o desenvolvimento do cérebro de adolescentes, especialmente a inteligência, linguagem e memória. Além disso, as empresas que fabricam tabaco utilizam vários produtos químicos para que os cigarros fiquem mais potentes.

Os adesivos liberam a nicotina de forma muito lenta, mas com o chiclete de nicotina é um pouco mais rápido. Dizem que não existem evidências ainda de que números significativos de pessoas estejam viciadas neles.

Alguns estudos mostram que a nicotina, assim como a cafeína, pode ter seus efeitos positivos. Ambos seriam estimulantes que aumentam o ritmo cardíaco, aumentam a velocidade de processamento das informações sensoriais, liberando a tensão e aguçando a mente. Tudo isso levanta outras questões. Numa sociedade que envelhece, cujos cérebros estão desacelerando, essas propriedades estimulantes poderiam beneficiar a luta contra a doença de Alzheimer ou retardar o mal de Parkinson? Até o momento, as pesquisas não esclarecem.

Tratamentos de Substituição da Nicotina

As formas de substituir os cigarros pela nicotina estão disponíveis no mercado através dos adesivos, que liberam a substância de forma que ela seja o menos nociva e mais segura. Existem também os chicletes que são fáceis de usar e carregar, cujo prazer de ter algo na boca se assemelha ao cigarro. Os sprays nasais e inaladores precisam de prescrição médica.

Todas essas formas são eficazes, e podem ser usadas juntas. A idéia é que ex-fumantes possam reduzir gradualmente a quantidade de nicotina, depois de terem parado de fumar. Os tratamentos de substituição da nicotina, mesmo a longo prazo, são considerados mais saudáveis do que fumar. As taxas de abstinência variam de 19% a 26%.

Existem chicletes de nicotina com 2 mg e com 4 mg, que liberam de de 1 mg a 3 mg de nicotina na corrente sanguínea, respectivamente. O cigarro eletrônico, ou E-cigarro, é libera nicotina na forma de vapor, e simula o ato de fumar. Esses produtos representam atualmente cerca de 1% do total do consumo de nicotina, e a tendência é aumentar, na maioria dos países.

Adesivos de Nicotina

Os adesivos de nicotina ficam grudados na pele para absorção da nicotina, até a corrente sanguínea. Método transdermal é o nome deste tipo de tratamento. Os adesivos contêm um pacotinho com nicotina dentro, que é coberto por uma camada de plástico, parecido com um band-aid. Possuem bastante aderência e permanecem no lugar durante o dia, mesmo que se encoste neles. São projetados para uma utilização de 24 horas, e para liberarem uma concentração específica de nicotina neste período.

A quantidade inicial no adesivo de nicotina independe da quantidade de cigarros consumidos anteriormente, mas vai substituir de forma proporcional. A concentração varia de 7 a 21 mg. O objetivo é que após algum tempo, seu corpo requeira menos nicotina, e você possa diminuir a concentração de forma gradual, até se tornar apto a abandonar os adesivos completamente.

O NicoDerm CQ foi o primeiro adesivo no mercado, produzido pelo GlaxoSmithLline, em 1991, e era necessário prescrição médica. Em 1996, a Food and Drug Administration dos EUA disponibilizou nas farmácias sem a receita.

Surgiram outras versões dos adesivos, genéricas, e os custos diminuíram significativamente. Porém, os fabricantes da marca original ainda anunciam que “seus produtos são melhores que os genéricos, porque são mais aderentes, e as camadas plásticas mais resistentes, e que combinam com os tons da pele”.

Tipos ou Marcas de Adesivos de Nicotina

1. Nicoderm CQ (melhor marca 2016)

Líder no mercado há 20 anos, é transparente e libera um fluxo de nicotina instantâneo e constante no corpo. É um dos mais baratos, um pacote com 14 adesivos custa $28 dólares, e dura 14 dias. Os fabricantes afirmam que um adesivo pode liberar nicotina por até 24 horas, mas dependendo da intensidade de seu hábito como fumante, pode ser necessário um adesivo a cada 16 horas.

Um efeito colateral comum que foi reportado é que o NicoDerm é áspero, então se você for propenso a alergias, consulte seu médico antes de usá-lo. Também é uma boa idéia mudar o lugar onde você usa o adesivo.

Os fabricantes recomendam o uso do adesivo por 8 a 10 semanas, dependendo de quantos cigarros você fumava antes, mas dentro de 3 a 4 semanas, o desejo desaparece, e você se sentirá muito melhor, e todos os aparentes efeitos colaterais do cigarro diminuem.

2. Habitrol Nicotine Transdermal

Um pacote com 14 adesivos custa $30 dólares, e cada adesivo dura de 15 a 17 horas. A nicotina é liberada de forma contínua e suave. Disponível em 3 níveis diferentes de concentração, recomenda-se um período de 8 semanas para parar de fumar.

Os fabricantes garantem que você não sentirá os sintomas da retirada, como irritabilidade, ansiedade, inquietação, dores de cabeça, aumento do apetite, etc, quando o corpo parar de receber a nicotina a que estava acostumado.

3. Equate Nicotine

Um pacote com 14 adesivos. Com duas concentrações: para aqueles que fumam 10 cigarros ou menos todos os dias, e para aqueles que fumam uma quantidade maior do que essa. Embora os adesivos Equate não sejam tão fortes quantos os outros dois, eles funcionam, e por um preço menor. Apresentam o mesmo problema do Habitrol, despreendem-se após algumas horas, principalmente se você suar muito.

Efeitos Colaterais dos Adesivos

Embora os adesivos de nicotina sejam considerados seguros, eles ainda são uma droga, e portanto, podem ter efeitos colaterais negativos na sua saúde. Confira quando e como um adesivo de nicotina faz mal:

Na primeira hora, você pode sentir coceira, sensação de queimadura, formigamento. Efeitos colaterais adicionais possíveis são sonhos ou distúrbios do sono e dor de cabeça. Alguns dos efeitos mais comuns são irritação na pele, náusea, tontura, dores de cabeça, ansiedade e insônia. Também pode acelerar as batidas do coração. Em doses elevadas, os efeitos colaterais podem ser piores.

Mesmo que os adesivos de nicotina apresentem efeitos colaterais e alguns riscos, para muitas pessoas os benefícios superam os riscos. Dezenas de experimentos clínicos provaram a eficácia desses adesivos, com taxas bem sucedidas, que quase dobram as taxas dos placebos.

Os adesivos podem ter outros usos, além do objetivo de se parar de fumar. Os pesquisadores aventam a possibilidade de que os adesivos possam tratar demência precoce e aliviar dores pós-cirúrgicas. Os adesivos também podem ajudar nos sintomas de colite ulcerativa, com a doença de Crohn.

Outros estudos também têm sido feitos para ver se a nicotina ajuda as condições mentais como depressão, ansiedade e doença de déficit de atenção, Alzheimer e síndrome de Tourette.

Os riscos da nicotina, particularmente associados ao aumentos das chances de câncer, significam que os adesivos não devem ser considerados benignos ou nocivos, mas que os pesquisadores algum dia acharão maneiras seguras de usá-los.

Dicas

  • Os adesivos preenchem os desejos por nicotina, mas você deve lutar contra suas questões comportamentais.
  • Comece a usar o adesivo no dia que você parar de fumar, não um dia antes, ou depois.
  • Em comparação com os e-cigarros, o único benefício maior dos adesivos é que eles formam a quantidade exata de nicotina que você está ingerindo.
  • Leia e siga as instruções na bula.
  • Se seus desejos estiverem incontroláveis, remova o adesivo, antes de ir para a cama, e recoloque ao acordar.
  • Limpe depois de usar. Lave as mãos antes de aplicar.
  • Cortar os adesivos pela metade ou usar mais de um não é recomendável.
  • Mantenha fora do alcance das crianças e animais de estimação.

Mais sobre nicotina

O único outro uso da nicotina, além do cigarro, é em pesticidas. Depois da II Guerra Mundial, seu uso diminuiu, pela disponibilidade de pesticidas mais baratos, mais potentes e menos prejudiciais aos mamíferos. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos baniu o uso da nicotina como pesticida em 1 de janeiro de 2014. A Índia, um dos maiores produtores e exportadores do sulfato de nicotina, tem banido progressivamente seu uso como pesticida agrícola.

Com o surgimento do tratamento de substituição da nicotina, o consumo de nicotina aumentou. A nicotina é considerada uma alternativa mais segura do que o cigarro, mas mesmo assim apresenta riscos para a saúde. É bastante conhecido que a nicotina provoca vários efeitos colaterais sistêmicos graves, além do fato de ser muito viciante.

Muitos estudos têm demonstrado consistentemente seu potencial carcinogênico. Existe o aumento do risco de distúrbios cardiovasculares, respiratórios e gastrointestinais, e uma diminuição da resposta imunológica, que também causa impactos danosos na saúde reprodutiva. Afeta a proliferação de células, estresse oxidante, mutação do DNA, a proliferação de tumores e metástases, e causa resistência aos agentes terapêuticos da radio e quimioterapia. O uso da nicotina precisa ser regulado.

Fontes e Referências Adicionais:

Você imaginava que o consumo de nicotina faz mal? Já experimentou utilizar adesivos para ajudar na luta contra o cigarro? Comente abaixo.

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Sobre Julio Bittar e Dra. Patricia Leite

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