Pedra na Vesícula é Perigoso? Pode Matar?

Especialista:
atualizado em 01/06/2020

Saiba se ter pedra na vesícula é perigoso, se pode matar, quais são as causas, sintomas, riscos e complicações a longo prazo desta condição.

Cálculos biliares ou, como são popularmente conhecidos, pedras na vesícula, são depósitos endurecidos de líquido digestivo que podem se formar em sua vesícula biliar.

A vesícula biliar é um pequeno órgão em forma de pêra localizado no lado superior direito do abdômen logo abaixo do fígado e contém um líquido digestivo amarelo-esverdeado chamado bile, que ajuda na digestão e é liberado em seu intestino delgado.

Ter pedra na vesícula é perigoso dependendo da quantidade e o tamanho de cada uma, já que suas dimensões variam desde o tamanho de um grão de areia até uma bola de golfe. Algumas pessoas desenvolvem apenas uma, enquanto que outras desenvolvem muitas ao mesmo tempo.

As pessoas que experimentam sintomas de cálculos biliares geralmente precisam passar por uma cirurgia de remoção da vesícula, enquanto os cálculos biliares que não causam nenhum sintoma ou sinais normalmente não precisam de tratamento.

Causas da pedra na vesícula

De acordo com um estudo, 80% das pedras na vesícula são formadas de colesterol, enquanto que os outros 20% são formadas de sais de cálculo e bilirrubina.

Não se sabe exatamente o que causa a sua formação, embora existam algumas teorias como:

– Muita bilirrubina em sua bílis

A bilirrubina é um produto químico produzido quando o fígado destrói as células vermelhas antigas do sangue. Algumas condições como danos ao fígado e certos problemas no sangue fazem com que o fígado produza mais bilirrubina do que deveria e as pedras na vesícula de pigmento se formam quando sua vesícula biliar não consegue quebrar o excesso de bilirrubina.

Geralmente essas pedras são marrom-escuras ou pretas.

– Colesterol demais na sua bílis

Ter muito colesterol na sua bile pode causar pedras amarelas de colesterol, que podem se desenvolver caso o seu fígado produza mais colesterol do que a sua bílis pode dissolver.

– Bile concentrada devido a uma vesícula biliar cheia

Sua vesícula biliar precisa esvaziar sua bílis para estar saudável e funcionar adequadamente. Se não conseguir esvaziar seu conteúdo de bile, a bile fica excessivamente concentrada e faz com que as pedras se formem.

Sintomas

Os cálculos biliares podem causar dor no abdômen superior direito, e você pode começar a sentir dor na vesícula biliar ao longo do tempo quando come alimentos que são ricos em gordura como as frituras.

Essa dor normalmente não dura mais do que algumas horas. Além dessa dor, você também poderá sintomas como:

  • Vômito;
  • Indigestão;
  • Urina escura;
  • Náusea;
  • Fezes com cor de barro;
  • Diarreia;
  • Dores de estômago;
  • Arrotos.

Esses sintomas também são conhecidos como cólica biliar.

– Cálculos biliares assintomáticos

Os cálculos biliares por si só não causam dor. O que causa a dor é quando os cálculos biliares bloqueiam o movimento da bílis da vesícula biliar.

De acordo com algumas pesquisas, 80% das pessoas têm “pedras na vesícula silenciosas”, o que significa que elas não sentem dor ou qualquer um dos sintomas. Nestes casos, seu médico pode descobrir os cálculos biliares através de raios-X ou durante uma cirurgia de abdômem.

Riscos e complicações a longo prazo

Se formos pensar nos riscos e complicações a longo prazo, pode ser possível afirmar que ter pedra na vesícula é perigoso se não for tratado corretamente. Veja quais são eles:

– Colecistite aguda

Quando um cálculo biliar bloqueia o canal por onde a bile se move desde a vesícula biliar, pode causar inflamação e infecção na vesícula, o que é conhecido como colecistite aguda. Neste caso, pedra na vesícula é perigoso e se trata de uma emergência médica.

O risco de desenvolver colecistite aguda a partir de cálculos biliares sintomáticos é de 1% a 3%, e os sintomas associados à colecistite aguda incluem:

  • Febre;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Dor intensa na parte superior do estômago ou no meio das costas;
  • Perda de apetite.

Consulte um médico imediatamente se esses sintomas durarem mais de 1 a 2 horas ou se apresentar febre.

– Outras complicações

Quando as pedras na vesícula não são tratadas, elas podem causar as seguintes complicações:

  • Câncer de vesícula biliar;
  • Inflamação do pâncreas;
  • Colecistite – infecção da vesícula biliar;
  • Icterícia – tom amarelado na pele ou nos olhos;
  • Colangite – infecção do ducto biliar;
  • Sepse –  infecção generalizada.

Fatores de risco

Os fatores que podem aumentar o risco de pedra na vesícula incluem:

  • Ser mulher;
  • Medicamentos para baixar o colesterol;
  • Ter cirrose;
  • Perder peso muito rapidamente;
  • Manter uma dieta rica em gordura;
  • Ter histórico familiar de cálculos biliares;
  • Ser sedentário;
  • Tomar medicamentos que contenham estrogênio, como por exemplo os contraceptivos orais ou medicamentos para terapia hormonal;
  • Manter uma dieta pobre em fibras;
  • Excesso de peso ou obeso;
  • Gravidez;
  • Diabetes;
  • Manter uma dieta rica em colesterol;
  • Ter 40 anos ou mais;
  • Doença hepática.

Embora os medicamentos possam aumentar o risco de cálculos biliares, não pare de tomá-los a menos que tenha conversado com o seu médico e ele tenha aprovado tal medida.

Diagnóstico

Para fazer um diagnóstico, o seu médico irá realizar um exame físico que inclui a verificação dos seus olhos e pele para saber se há mudanças visíveis na cor. Um tom amarelado pode ser um sinal de icterícia, que é o resultado de muita bilirrubina em seu corpo.

O exame pode envolver o uso de testes diagnósticos que ajudam o seu médico a ver o interior do seu corpo. Esses testes incluem:

  • Tomografia computadorizada abdominal: Este exame de imagem tira fotos do fígado e da região abdominal.
  • Análises do sangue: O seu médico pode pedir análises que meçam a quantidade de bilirrubina em seu sangue. Esses exames também ajudam a determinar o quão bem o seu fígado está funcionando.
  • Ultrassom: O ultrassom é o método que produz imagens do seu abdômen e o preferido da grande maioria dos médicos para confirmar se você tem ou não a doença do cálculo biliar. Esse método também irá mostrar anormalidades associadas à colecistite aguda.
  • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE): a CPRE é um procedimento que utiliza uma câmera e raios X para examinar problemas nos ductos biliares e pancreáticos e ajuda o médico a procurar cálculos biliares presos no seu ducto biliar.
  • Varredura de radionuclídeo da vesícula biliar: Trata-se de uma varredura importante que leva cerca de uma hora para ser concluída. Um especialista injeta uma substância radioativa em suas veias, e essa substância viaja através do sangue para ao fígado e vesícula biliar. Em um exame, ele pode revelar evidências para sugerir infecção ou bloqueio dos ductos biliares das pedras.

Pedra na vesícula é perigoso? Pode matar?

Um novo estudo publicado afirma que as pessoas que têm pedras na vesícula são mais propensas a morrer de doenças cardíacas ou câncer dentro de 20 anos após o diagnóstico em comparação com aquelas sem a doença.

De acordo com Philip Barie, professor de cirurgia e saúde pública da Weill Cornell Medical College em Nova York,essas descobertas não significam que uma condição causa a outra, mas sim que a doença dos cálculos biliares e as doenças cardíacas podem ter a mesma causa.

“As pessoas com cálculos biliares podem ter um equilíbrio anormal de gorduras em seu corpo, incluindo o colesterol, embora não haja uma relação clara entre a doença do cálculo biliar e o colesterol alto”, disse o Dr. Barie.

Os pesquisadores analisaram os registros médicos de mais de 14.000 pessoas entre 20 e 74 anos de idade, e cerca de uma em cada 14 tinha cálculos biliares, e uma em cada 20 tiveram suas vesículas removidas entre 1988 e 1994.

Cerca de uma em cada três pessoas que tiveram cálculos biliares ou suas vesículas biliares removidas morreram de qualquer causa durante o tempo de acompanhamento em comparação com cerca de uma em cada sete pessoas com idade semelhante sem a doença.

Doenças cardíacas tiraram a vida de um pouco menos de 1 em 5 cindo pessoas com pedra na vesícula em comparação com 1 em 20 pessoas sem. A morte causada por câncer também foi mais provável, sendo que uma em cada 10 pessoas com pedras na vesícula foram vítimas desta doença em comparação com uma em 25 pessoas sem as pedras.

Os pesquisadores acompanharam todos os pacientes até 2006 e registraram todas as causas de morte nas certidões de óbito dos pacientes.

De acordo com o Dr. Barie, os cálculos biliares graves geralmente são tratados cortando a vesícula biliar. O risco de morrer em uma cirurgia de vesícula biliar de emergência é de cerca de 1 em 50, dependendo da idade do paciente, mas se a vesícula biliar for removida antes de se tornar uma emergência, o risco de morte é de apenas 1 em 500.

O Dr. Barie sugere que as pessoas com cálculos biliares mantenham uma dieta com baixo teor de gordura para reduzir os riscos de doença cardíaca ou derrame. “Apenas uma boa dieta saudável”, disse ele. Se quiser saber mais, veja aqui uma dieta para vesícula biliar infalamada e dicas.

Como tratar os cálculos biliares

Na maioria das vezes, você não precisará de tratamento para tratar os cálculos biliares, a menos que eles causem dor. Às vezes, você pode tê-los e nem perceber, mas se estiver com dor, o seu médico provavelmente irá recomendar uma cirurgia, e em alguns casos raros, pode ser usado uma medicação.

Se você tem alto risco de sofrer com complicações cirúrgicas, um tubo de drenagem pode ser colocado na vesícula biliar através da pele e a cirurgia ser adiada até o que risco diminua ao tratar as outras condições médicas.

– Tratamento natural e remédios caseiros

Se você tem cálculos biliares e não sente nenhum sintoma, pode fazer algumas mudanças em seu estilo de vida.

Dicas para a saúde da vesícula biliar:

  1. Evite a perda de peso rápida;
  2. Faça exercícios físicos regularmente;
  3. Tome suplementos conforme aprovado pelo seu médico;
  4. Mantenha um peso saudável;
  5. Mantenha uma dieta anti-inflamatória.

Alguns suplementos nutricionais que você pode tomar são vitamina C, lecitina e ferro. Uma revisão descobriu que a vitamina C e a lecitina podem diminuir o risco de cálculos biliares. Converse com o seu médico sobre a dosagem adequada desses suplementos.

– Cirurgia

Pode ser necessário fazer uma cirurgia de remoção da vesícula biliar por laparoscopia. Essa cirurgia requer anestesia geral, e o cirurgião geralmente fará de 3 ou 4 incisões no seu abdômen. Em seguida, será inserido um dispositivo pequeno e iluminado em uma das incisões e removem cuidadosamente a sua vesícula biliar.

Se não tiver complicações, você poderá ir para casa no mesmo dia do procedimento ou no dia seguinte.

Suas fezes podem ficar moles ou aquosas após a remoção da vesícula biliar, pois a sua remoção envolve o reencaminhamento da bile do fígado para o intestino delgado. A bile não irá mais passar pela vesícula biliar se tornando menos concentrada, e o resultado é um efeito laxante que causa diarreia. Para tratar isso, coma uma dieta pobre em gorduras para assim liberar menos bile.

– Tratamentos não cirúrgicos

Os medicamentos não são mais utilizados com muita frequência porque as técnicas laparoscópicas e robóticas tornam a cirurgia muito menos arriscada do que costumava ser.

No entanto, se você não puder passar por uma cirurgia, poderá tomar o ursodiol para dissolver cálculos biliares causados pelo colesterol de 2 a 4 vezes por dia.

Os medicamentos podem levar vários anos para eliminar os cálculos biliares, que podem se formar novamente se parar o tratamento. Veja um resumo de remédios para vesículo mais usados.

A litotripsia por ondas de choque é outra opção. Um litotritor é uma máquina que gera ondas de choque que passam pela pessoa, e essas ondas podem quebrar os cálculos biliares em pedaços menores.

Alimentos que você deve evitar

Para ajudar a melhorar a sua condição e reduzir o risco de cálculos biliares, reduza a ingestão de gorduras e escolha alimentos com baixo teor de gordura sempre que possível. Evite os alimentos com alto teor de gordura e fritos.

Adicione fibras à sua dieta para tornar os movimentos intestinais mais sólidos, mas tente adicionar apenas uma porção de fibras de cada vez para evitar a ocorrência de gases devido ao excesso de fibras.

Coma pequenas refeições várias vezes por dia, pois as refeições menores são mais fáceis para o corpo digerir, e evite alimentos e bebidas conhecidos por causar diarreia, como bebidas com cafeína, produtos lácteos com alto teor de gordura e alimentos muito doces.

Beba uma quantidade suficiente de água, o que é cerca de 6 a 8 copos por dia.

Se você planeja perder peso, vá devagar. O ideal é não perder mais de dois quilos por semana, pois a perda de peso rápida pode aumentar o risco de cálculos biliares e outros problemas de saúde.

Em resumo, se você tem cálculo biliar, sente os sintomas e não trata, ter pedra na vesícula é perigoso, porém, ainda não foi comprovado que ela pode matar, apenas que o seu aparecimento pode estar associado com outra condição de saúde.

Se você sentir qualquer sintoma, consulte o seu médico para que ele possa fazer o diagnóstico correto.

Fontes e Referências Adicionais:

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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