Nódulo hipoecoico na mama, tireóide e fígado: quando pode ser câncer

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atualizado em 08/06/2022

A descrição de nódulo hipoecoico na mama, tireóide e fígado pode aparecer no laudo de um exame de ultrassom. Ela se refere à densidade daquele nódulo que, nesse caso, é baixa. Essa característica ajuda o médico ou médica a levantar hipóteses a respeito da malignidade do nódulo. 

No caso da tireoide, o fato do nódulo apresentar-se hipoecoico no ultrassom pode aumentar as chances dele ser um câncer. Já tais nódulos na mama e no fígado, raramente são malignos. 

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Na imagem de ultrassom, esse tipo de nódulo aparece mais escuro do que os tecidos ao redor, o que sugere que seu conteúdo reflete pouco as ondas eletromagnéticas incididas sobre ele, porque é pouco denso, como é o caso da água e da gordura, por exemplo. 

Por isso, cistos com líquido em seu interior e nódulos com células gordurosas podem aparecer em tons mais escuros nos exames de ultrassom de mama, tireoide e fígado.

Entretanto, é importante saber que apenas essa característica no ultrassom não é suficiente para concluir se o nódulo é benigno ou maligno. Juntamente com esse dado, outras características do nódulo são avaliadas, assim como os sintomas que a pessoa apresenta. Outros exames radiológicos e físicos são feitos para complementar e auxiliar no diagnóstico.

Se o médico ou médica concluir que o nódulo é suspeito, ou seja, apresenta potencial de ser um câncer, se faz uma biópsia para confirmação do diagnóstico.     

Veja quando um nódulo hipoecoico na mama, na tireoide e no fígado pode ser um câncer e quando não deve ser motivo de preocupação. 

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Nódulo hipoecoico: quando pode ser um câncer?

Ao se deparar com a descrição de um nódulo hipoecoico no laudo do exame de ultrassom, você logo pode pensar que se trata de um câncer o que, inevitavelmente, gera muita ansiedade e preocupação. 

Mas, isso é apenas um dado que não é, isoladamente, conclusivo. Com relação às características do nódulo, existem outros parâmetros​ que são avaliados​, além da ecogenicidade​ (se é hiper, iso ou hipoecoico​):

  • Tamanho do nódulo: nódulos menores do que 1 cm têm menor potencial de ser maligno. Quando o nódulo é maior do que 1 cm e a sua altura é superior à largura, parecendo um ovo em pé, e não deitado, as chances de ser maligno aumentam. 
  • Forma do nódulo: nódulos com formato regular são, geralmente, benignos. Um nódulo com formato irregular aumenta a suspeita de se tratar de um câncer. 
  • Modificação: nódulos que mudam de aspecto ao longo do tempo, ficam maiores e mudam de formato, tendem a ser mais preocupantes.
  • Aderência aos tecidos vizinhos: quando o nódulo apresenta-se muito aderido aos tecidos vizinhos, não sendo facilmente movido, há maiores chances dele ser maligno. 
  • Vascularização: nódulos com maior infiltração de vasos sanguíneos são mais suspeitos, do que nódulos pouco vascularizados. 

Há, também, outras características de nódulo hipoecoico particulares para cada região em que aparece: mama, tireoide e fígado. 

Nódulo hipoecoico na mama

Nódulo na mama
Cistos na mama são um tipo de nódulo hipoecoico

Os nódulos detectados na mama são, na maioria, hipoecoicos e benignos. É o caso dos cistos na mama, cujo interior é líquido, e apresentam uma cápsula externa bem delimitada. 

Os nódulos hipoecoicos benignos também podem ser fibroadenomas que, diferentemente dos cistos, são nódulos sólidos. Eles são facilmente movidos sob a pele, são bem delimitados, indolores e possuem uma consistência “emborrachada”, firme.

Nódulos hipoecoicos malignos na mama, apresentam outras características associadas:

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  • São mais profundos ou mais altos, do que largos. Também apresentam crescimento ao longo do tempo. 
  • Formam-se nas células epiteliais que revestem um ducto mamário.
  • Apresenta linhas hipo e hiperecoicas irradiando de sua superfície. 
  • Provocam mudanças no tamanho e/ou no formato de uma das mamas.
  • Causa alterações na textura da pele da mama. Além disso, pode causar coceira.
  • Pode ocorrer a eliminação espontânea de secreção.

Essas características de malignidade do tumor podem ser observadas em casos de carcinoma ductal invasivo, carcinoma lobular invasivo e no câncer de mama inflamatório. 

Nódulo hipoecoico na tireoide

Nódulo na tireoide
Outro ponto do corpo humano que pode ter um nódulo hipoecoico é a tireoide

Nódulos podem se desenvolver na tireoide pelo crescimento do tecido da própria glândula ou pelo desenvolvimento de um cisto. Geralmente, os cistos e os nódulos com conteúdo líquido são benignos

Quando os nódulos na tireoide aparecem hipoecoicos no ultrassom, tendem a ter líquido ou gordura em seu interior. Mas, alguns podem conter algumas partes sólidas, devido a calcificações, o que aumenta as chances de evoluírem para um tumor maligno.

Portanto, essas são as características que aumentam o potencial de malignidade de um nódulo hipoecoico:

  • Presença de microcalcificações (como já mencionado anteriormente).
  • Aumento do nódulo, especialmente em altura.
  • Aumento da vascularização no centro do nódulo.
  • Infiltração nos tecidos vizinhos da tireoide.

Se após uma investigação minuciosa, o médico ou médica suspeitar que o nódulo é maligno, é feita uma punção com uma agulha fina desta massa, para investigação das células que a compõem, que é o exame de biópsia. 

A punção de nódulos tireoidianos hipoecoicos é feita quando apresentam mais do que 1 cm. Se o nódulo for iso ou hiperecoico, a punção para biópsia somente é feita quando a massa tem mais do que 1,5 cm. 

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Nódulo hipoecoico no fígado

Nódulo no fígado
nódulos hipoecoicos no fígado costumam ser benignos

Nódulos hipoecoicos no fígado são comuns e normalmente descobertos por acaso em exames de imagens do abdômen, realizados para outra finalidade. 

Na maior parte dos casos, os nódulos hipoecoicos no fígado são benignos e aparecem isoladamente, geralmente por causa de um emaranhado de vasos sanguíneos que não oferecem riscos. Este é o caso dos hemangiomas, mas os nódulos também podem indicar uma hiperplasia nodular focal ou um adenoma hepático. 

Quando os nódulos hipoecoicos no fígado são múltiplos, as chances de serem resultado de uma metástase de tumor maligno aumentam. Nódulos hipoecoicos malignos também podem sugerir linfomas, carcinomas, colangiocarcinomas e sarcomas.

Nos casos de nódulos maiores do que 1 cm, que continuam crescendo ou que mudam de aspecto, exames de imagens mais detalhados, como tomografia e ressonância magnética, e biópsia do fígado podem ser solicitados.  

Como é feito o tratamento

No caso dos nódulos hipoecoicos benignos, nenhum tratamento é necessário, a não ser a observação, cuja frequência é determinada pelo médico ou médico. Alguns nódulos são acompanhados a cada 3 ou 6 meses e outros, a cada 1 ano.

Após um certo tempo de acompanhamento, se não houver mudança de aspecto do nódulo ou crescimento, a observação não se faz mais necessária. 

Se, após os exames de imagem mais detalhados e biópsia, for comprovado que o tumor é maligno, o tratamento é cirúrgico, com a ressecção do tumor. 

Existem tratamentos menos invasivos, que destroem o tumor sem removê-lo, é o caso da ablação por radiofrequência. Outros tratamentos para câncer, como quimioterapia e radioterapia também podem ser aplicados.

Fontes e referências adicionais

Você sabia que nem todo nódulo é sugestivo de câncer? Já fez um ultrassom e viu a descrição de um nódulo hipoecoico no laudo? Qual foi o seguimento dado pelo seu médico ou médica? Comente abaixo.

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco é Cirurgião do aparelho digestivo, Cirurgião geral - CRM 597798 RJ/ CBCD. Formou-se em Medicina pela UFRJ em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento em transplantes no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela UFRJ em 2010. Dr. Lucio Pacheco é autor de diversos livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico-cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D'Or e do Hospital Copa D'Or. Além disso é diretor médico do Instituto de Transplantes. Suas áreas de atuação principais são: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia, e transplante de fígado. Para mais informações, entre em contato.

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