Cirurgia de Vesícula – Como é, Recuperação, Riscos e Cuidados

Especialista:
atualizado em 16/01/2020

A cirurgia de vesícula é um procedimento mais comum do que parece. A vesícula biliar é um órgão que nosso organismo é capaz de viver sem. Assim, em casos em que a vesícula está muito danificada, a melhor solução é removê-la por meio da cirurgia.

Quer saber como é feito esse procedimento, quais são os riscos envolvidos e quais os cuidados que devem ser tomados durante a recuperação? Aqui, você vai encontrar todas as respostas para essas perguntas e tirar todas as suas dúvidas sobre essa operação.

Problemas na vesícula

A vesícula biliar é um órgão bem pequeno que fica na parte superior direita da barriga. Ele é responsável por armazenar a bile – um fluido produzido pelo fígado para ser usado no processo digestivo, auxiliando o organismo a quebrar os alimentos para que eles possam ser absorvidos pelo corpo na forma de nutrientes.

Em especial, os alimentos gordurosos ingeridos por meio da alimentação são os que desencadeiam a liberação da bile.

Como a vesícula é um órgão que podemos sobreviver bem sem, a cirurgia de remoção é muitas vezes a melhor alternativa para o tratamento de problemas que afetam o órgão.

Geralmente, uma cirurgia de vesícula biliar é realizada quando o paciente apresenta cálculos biliares dolorosos. Esses cálculos são pequenas pedras que podem se formar na vesícula biliar por causa de um acúmulo de certas substâncias que compõem a bile e que se solidificam dentro do órgão. Muitas vezes, isso pode causar uma obstrução que prejudica todo o sistema digestivo e ocasiona muita dor.

Dificilmente, os cálculos biliares são tratados no início de sua formação, já que quando eles são muito pequenos, o indivíduo não apresenta nenhum sintoma. Quando os sinais começam a ser notados, provavelmente é porque já existe um bloqueio no fluxo da bile e complicações de saúde como colecistite aguda (inflamação da vesícula biliar) ou pancreatite aguda (inflamação no pâncreas).

Em alguns casos, o uso de medicamentos para dissolver cálculos biliares pode funcionar, mas nem sempre esse método é eficaz e o risco de novos cálculos reaparecerem é alto.

Sintomas

Quando são notáveis, os sintomas observados incluem:

  • Dor de barriga intensa e repentina;
  • Vômito;
  • Dor nas costas;
  • Sensação de plenitude;
  • Inchaço abdominal logo depois de comer;
  • Sensação de cansaço como se estivesse doente;
  • Intolerância a alimentos gordurosos;
  • Indigestão;
  • Febre;
  • Icterícia, condição em que a pele e o branco dos olhos ficam amarelados.

Quando há uma obstrução causada por um cálculo biliar na vesícula, a pessoa sente dores muito intensas que geralmente a levam até o hospital.

Diagnóstico

Ao analisar os sintomas e solicitar alguns exames, o médico pode tentar administrar medicamentos para dissolver os cálculos que devem ser eliminados através da urina ou encaminhar o paciente para a cirurgia.

Alguns exames que podem ser requisitados incluem:

  • Exames de sangue que medem níveis de enzimas como a amilase e a lipase além de um hemograma completo e testes para analisar a função hepática;
  • Ultrassonografia abdominal;
  • Tomografia computadorizada abdominal;
  • Varredura de radionuclídeo.

Como é a cirurgia de vesícula?

Há basicamente 2 tipos de cirurgia de remoção de vesícula:

  1. Colecistectomia laparoscópica: nesse procedimento, que é feito com um laser, são feitas várias incisões pequenas no abdômen por meio das quais serão inseridos alguns instrumentos cirúrgicos para acessar e remover a vesícula.
  2. Colecistectomia aberta: uma incisão única e grande é feita na região abdominal para ter acesso e remover a vesícula biliar.

Dentre esses 2 métodos, a colecistecomia laparoscópica é a mais utilizada porque ela é menos invasiva, causa cicatrizes menores e permite uma recuperação mais rápida do paciente, que pode sair do hospital um pouco antes do que aqueles que se submetem a uma colecistectomia aberta.

Em ambos os casos, o procedimento é feito com o paciente sob o efeito de uma anestesia geral.

Colecistectomia laparoscópica

Por ser a cirurgia mais realizada pelos médicos, a colecistectomia laparoscópica será abordada com mais detalhes a seguir.

Com o auxílio de um laser, 4 pequenos cortes com pouco mais de 1 centímetro de comprimento são feitos no lado superior direito do abdômen. Duas das incisões são usadas para que o cirurgião introduza instrumentos cirúrgicos no abdômen. A terceira incisão é utilizada para a inserção do laparoscópio, que é um instrumento cirúrgico que contém uma luz e uma pequena câmera que torna possível o monitoramento da cirurgia por vídeo, facilitando muito o trabalho da equipe médica.

Por fim, a última incisão serve para que um gás como o dióxido de carbono seja colocado dentro do abdômen para inflá-lo, aumentando a área de trabalho do cirurgião e melhorando ainda mais a visualização da vesícula.

Depois de inserir todos os instrumentos necessários, a vesícula biliar é separada do tecido saudável ao redor e colocada dentro de um saco estéril, através do qual é removida por meio de uma das incisões abdominais.

Após a remoção, o cirurgião analisa a área em que a vesícula biliar ficava localizada e fecha os dutos que ficavam conectados a ela. Ao confirmar que não há nenhum sinal de vazamento de bile ou alguma infecção em curso, o dióxido de carbono usado para inflar o abdômen é removido, assim como os outros instrumentos cirúrgicos. Por fim, as incisões abdominais são suturadas.

Se surgirem complicações durante a cirurgia laparoscópica, o cirurgião tem a autonomia de alterar o procedimento para uma colecistectomia aberta. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a vesícula biliar está inchada ou endurecida e não passa por meio das incisões laparoscópicas.

O que comer antes da cirurgia?

Algumas recomendações devem ser seguidas antes da cirurgia para que tudo ocorra dentro da normalidade. Uma delas inclui a alimentação antes da cirurgia.

Alimentos gordurosos devem ser evitados a todo custo por pessoas com problemas na vesícula biliar. Produtos lácteos também devem ser evitados porque grande parte da população apresenta uma certa intolerância a esse tipo de alimento mesmo sem perceber. Por fim, alimentos de difícil digestão como a carne vermelha não devem ser ingeridos dias antes da cirurgia de vesícula.

A recomendação é que o paciente se alimente de frutas e vegetais, evite os produtos gordurosos e consuma boas fontes de proteína.

Recuperação

A pergunta que os pacientes mais fazem é quanto tempo de repouso é necessário no pós-operatório.

Por ser uma cirurgia relativamente simples, a recuperação é bem rápida. A maioria das pessoas que optam por uma colecistecomia laparoscópica pode sair do hospital no mesmo dia da operação ou então no dia seguinte. As atividades de rotina podem ser retomadas dentro de até 2 semanas a contar do dia da cirurgia.

Entretanto, quem faz a colecistectomia aberta pode precisar de um tempo maior de repouso. A pessoa normalmente precisa ficar em observação no hospital de 3 a 5 dias e pode necessitar de um período de recuperação de 6 a 8 semanas antes de voltar a realizar todas as atividades normais.

As incisões devem ser mantidas limpas e secas. Se o cirurgião utilizou cola cirúrgica, não há necessidade de retornar ao hospital para remover a cola, pois ela cai sozinha. No entanto, quando é feita uma sutura, o médico deve marcar um retorno após aproximadamente 10 ou 15 dias para retirar os pontos.

Como é possível viver sem a vesícula?

Felizmente, na ausência da vesícula biliar para armazenar a bile, o fígado produz a quantidade suficiente para a digestão e o envia diretamente para o sistema digestivo, sem a necessidade de ser armazenado.

Nas primeiras semanas após a cirurgia, podem ser observados alguns sintomas desagradáveis como inchaço ou diarreia por causa do fluxo contínuo de bile do fígado para o sistema digestivo. No entanto, em algumas semanas esses efeitos tendem a passar.

Para evitar tais desconfortos mencionados acima, o médico pode indicar uma dieta bem equilibrada que evite o consumo de alimentos e bebidas que causam esses sintomas.

Riscos

A cirurgia de remoção da vesícula é um procedimento seguro, mas como qualquer outra cirurgia invasiva, há riscos envolvidos. Embora sejam mínimos, existem riscos de complicações como:

  • Infecções;
  • Reação à anestesia;
  • Danos ao intestino ou a um canal biliar;
  • Sangramento;
  • Trombone venosa ou formação de coágulos sanguíneos;
  • Vazamento de bile na barriga;
  • Lesão em uma das aberturas – ou ductos – responsáveis por transportar a bile para fora do fígado.

A escolha de um cirurgião capacitado e de confiança é muito importante para que o paciente possa tirar todas as dúvidas sobre os benefícios e riscos envolvidos com a operação.

Vale lembrar que nem sempre essa escolha é possível, já que quando a obstrução é muito grave e o sistema digestivo está comprometido devido à ausência de bile, pode ser preciso realizar uma cirurgia de emergência.

Em casos de sintomas como os mencionados abaixo, é importante consultar um médico assim que possível, pois eles podem indicar uma complicação decorrente da cirurgia:

  • Diarreia incessante;
  • Náusea ou vômito intenso;
  • Dor abdominal intensa e que não diminui com o tempo;
  • Icterícia em que os olhos ou a pele ficam amarelados;
  • Incapacidade de eliminar gases ou de ter movimentos intestinais.

Cuidados após a cirurgia de vesícula

Independentemente da técnica utilizada na operação, o paciente deve tomar cuidado com a dieta e evitar ingerir alimentos muito gordurosos ou ricos em fibra para evitar desconfortos gastrointestinais como a diarreia, por exemplo.

Assim, é indicado que logo após a cirurgia, o paciente tenha o cuidado de manter uma dieta leve composta majoritariamente de líquidos durante os primeiros dias de recuperação e ir adicionando os alimentos rotineiros aos poucos de volta à dieta. O indicado é comer frutas e legumes e evitar alimentos processados ou altamente gordurosos.

Apesar de a fibra ser extremamente saudável e necessária para o processo digestivo, é importante limitar a quantidade de fibras nos primeiros dias para evitar problemas.

Beba bastante água para facilitar o processo digestivo, que pode ser um pouco diferente do que o habitual agora que seu organismo não tem mais uma vesícula biliar.

Não deixe de realizar exercícios leves como caminhar para que seu corpo continue ativo, mas sempre com cuidado para não se esforçar demais e seguindo as orientações médicas.

Geralmente, o trabalho pode ser retomado após 2 semanas após a cirurgia de vesícula, mas se notar que precisa de mais tempo para se recuperar, converse com seu médico e com seu superior no trabalho para que você possa ter mais uns dias de folga. Algumas pessoas podem precisar de 4 a 6 semanas para se recuperar e é essencial que você respeite o seu tempo e se sinta 100% para executar suas tarefas diárias.

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Fontes e Referências Adicionais:                                              

Você já teve ou conhece alguém que precisou de uma cirurgia de vesícula? Como foi esse processo e como foi a recuperação? Comente abaixo!

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Sobre Dr. Lucio Pacheco

Dr. Lucio Pacheco se formou em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994. Em 1996 fez um curso de aperfeiçoamento no Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris-Sud, um dos mais especializados na área de transplantes na Europa. Concluiu o mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) em 2000 e o Doutorado em Medicina (Clinica Médica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2010. Dr Lucio Pacheco é um profundo estudioso na área de doença hepática e escreveu dezenas de livros e artigos sobre transplante de fígado. Atualmente é médico - cirurgião, chefe da equipe de transplante hepático do Hospital Copa Star, Hospital Quinta D´Or e do Hospital Copa D´Or. É diretor médico do Instituto de Transplantes. Tem vasta experiência na área de Medicina, com ênfase em Transplante hepático, atuando principalmente nos seguintes temas: cirurgia geral, oncologia cirúrgica, hepatologia,e transplante de fígado. Dr. Lucio é uma referência profissional em sua área e autor de artigos científicos e diversos. Para mais informações, entre em contato com ele.

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4 comentários em “Cirurgia de Vesícula – Como é, Recuperação, Riscos e Cuidados”

  1. Hj faz 4 dias que minha mãe retirou a vesícula,foi uma cirurgia de emergência,Já está em casa e não sente dores nenhuma ela tem 65 anos,A única coisa que percebi é que ela está com diarreia.

  2. Eu faz 16dias que fiz uma cirurgia da vizicula com corte, minha recuperação está sendo boa só tenho um pouco de desconforto do lado direito,um pouco de dor ao se mexer na cama, é normal???

  3. Eu acabei de passar por uma cirurgia de vizicula feita por corte mesmo estou sentindo um descorforto muito forte fiquei 4 dias internado para tratamento da infecção o procedimento foi realizado no dia 16 de novembro hoje é dia 24 e ainda estou passando por fortes dores e desconforto será que consigo um afastamento pelo INSS